Bianca se aproximou de Victor.
- Está tudo bem? – perguntou ele
- Sim, está...vamos embora
Bianca aumentou a velocidade do galope e Victor a seguiu.
Jeffrey sentou-se na grama e olhou para o céu. Iria chover.
Agira como um idiota. Não entendia porque havia dito tudo aquilo para ela. Lembrou-se da primeira vez que a viu, no jardim de sua casa. No momento em que a derrubou no chão. Os olhos dela, tão mágicos. O desejo de tê-la cada vez mais perto se tornava maior a cada dia. Ironicamente ela pedira que a deixasse em paz, sem saber que era isso que ele também queria. Bianca não fazia idéia do que fizera a Jeffrey. Sentia a alma queimar só pelo fato de pensar nela. Não dormia direito, não raciocinava direito. Isso teria que acabar. Tinha sua vida, seus interesses. Não podia deixar um desejo consumir-lhe tanto. Chegou a conclusão de que o que o fazia se sentir assim, era o desejo de ter Bianca. Sendo assim iria a casa de dona Sofia e hoje mesmo jogaria um balde de água fria sobre esse assunto.
A noite estava chegando. A moça não se atrevera a sair de seu quarto pois sabia que Juan estava na sala e ele por sua vez, não saía de onde estava para não correr o risco de cruzar com ela pela casa. Ambos se assustaram ao ouvir as porta se abrir. O tio de Juan entrou, pendurou o chapéu e a bengala na chapeleira. O tio olhou para ele, mas, nada disse. Caminhou até outro aposento, obrigando Juan a segui-lo. Entraram no escritório, Juan fechou a porta atrás de si.
O aposento era composto de uma cômoda próximo à porta, um espelho oval acima da cômoda , duas cadeiras frente a uma mesa e uma poltrona atrás da mesa.
Paolo, tio de Juan, sentara-se na poltrona e com as mãos unidas e debruçadas sobre a mesa encarava Juan, este, puxou uma cadeira e se sentou frente ao tio.
- Que veio fazer aqui filho?
- Vim ver o Sr.
- E quanto a ...
- Não insista nisso por favor – disse Juan interrompendo-o – Não quero brigar contigo por causa dela.
- A menina de nada tem culpa.
- Não me importa, é a lembrança que me traz que importa.
- Sua mãe jamais desejaria isso Juan, ela não iria concordar com sua atitude.
- Eu sei...mas, se torna mais forte que eu.
- Ela não tem culpa dos erros de teu pai.
- E o que minha mãe passou não conta?
- Claro que conta, mas, se tem alguém que deveria pagar por isso, esta pessoa era seu pai, e creio que ele tenha pago...filho não é certo...
- Não posso considerá-la tio, para mim ela é não passa de uma bastarda.
- Lembra-te do que acontecia antes de saberes de toda história...de quando a tinha como tua irmã...
Juan olhou para o tio. Porque fôra descobrir a historia de Odessa? No inicio, tudo foi diferente, aceitara ser seu irmão, cuidara dela, até que soube de tudo. Seu pai, enquanto casado, tivera um caso com uma prostituta, a mãe de Odessa. O pai de Juan continuou o romance mesmo depois da morte da esposa. Odessa havia nascido dois anos após a morte da mãe de Juan. Ele a odiara, filha da amante de seu pai. Não conseguia apagar o fato de Odessa ser filha de uma traição, contra sua mãe.
- Vá falar-lhe filho...ao menos tente.
Juan saiu do escritório. Iria embora, mas, algo o levou a esquecer por alguns segundos toda aquela situação. Caminhou pelo corredor até o quarto dela.Parou frente a porta, criando coragem para abri-la.
Ela estava sentada frente á penteadeira, passando a escova levemente pelos cabelos. A noite estava linda, a pequena chuva que caíra a tarde, fora breve, permitindo que a noite caísse cheia de estrelas. Os cabelos dourados caíam-lhe sobre as costas. Mirou-se no espelho, seus olhos estavam tristes. Levantou-se e dirigiu-se à janela. Olhou para o jardim. Como queria fazer uma mala e fugir a caminho da Espanha.Mas, isso não iria acontecer, não poderia. Tinha medo da vergonha que poderia causar á sua família. A saudade doía. Sentou-se na cama. Havia um livro na cabeceira, ela tomou nas mãos, era Lancelot . Abriu o livro numa página qualquer, passou os olhos pela página, o capítulo contava do momento em que Lancelot, morrendo de amores por Genéveire , mesmo sabendo que ela poderia correr perigo, a beija como há tanto almejara fazê-lo. Terminava no momento em que Arthur os via. Jogou o livro longe com lágrimas nos olhos, queria Juan mas, não podia. Onde estaria ele agora? Deitou-se na cama cobrindo a cabeça, tentando abafar os soluços que invadiam o quarto. Rolou de um lado para outro tentando achar uma posição para dormir mas, sabia que só a encontraria nos braços dele.
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Jeffrey estava na casa de Dona Sofía com uma moça de longos cabelos negros e olhos azuis. Estavam numa mesa, com alguns amigos e mulheres. A moça que estava com Jeffrey chamava-se Maryan, usava um vestido vermelho com um grande decote, deixando à mostra boa parte dos seios. Jogavam cartas e bebiam whisky.
A casa de Dona Sofía era a maior da capital, tudo era de primeira linha, desde os vestidos das moças até os lençóis de seda e os cortinados de veludo. Somente os homens da mais alta classe frequentavam o estabelecimento de Dona Sofía.
Jeffrey jogava com seus amigos, até que, sentiu os lábios de Maryan em seu pescoço, em seu rosto, quando se deu conta beijava-a nos lábios. Jeffrey sempre fora bem recebido na casa de Dona Sofía, era o rapaz mais rico e cobiçado de toda cidade, era um grande orgulho para ela tê-lo como cliente, por vezes deixara-lhe até a noite por conta, fazendo com que ele quisesse voltar sempre mais.
Jeffrey antes com as mãos na cintura da moça, passou a subir lentamente enquanto a beijava nos lábios. Pediu licença aos amigos e foi para o quarto que Dona Sofía já havia separado para ele. Jeffrey tomou Maryan nos braços e entrou com ela no quarto. Trancou a porta e passou a beijar e acariciar Maryan. Ela o imitava tirando-lhe vagarosamente as roupas. Ele abriu seu vestido até que o mesmo foi ao chão, deixando-a somente com uma lingerie da mesma cor do vestido, deixando à mostra o corpo perfeito. Ele a olhou mas, não viu Maryan e sim Bianca à sua frente, abraçou a moça com tanto carinho, que ela se sentiu como nunca havia se sentido antes. O beijo que começou carinhoso, passou a ser cada vez mais exigente, ele a tomou nos braços e deitou-a delicadamente sobre a cama ainda beijando-a. Agora, tirando-lhe o que restava das roupas.
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