Juan andava pelas ruas de sua cidade natal em direção à casa de seu tio. A rua era comprida e o sol estava radiante, Juan quase não via a rua pela violência com que o sol batia-lhe nas faces. Apressou o passo para que chegasse logo. Apesar da raiva remoer-lhe por dentro, pelo ocorrido no dia anterior, o amor pelo tio era muito maior que qualquer desentendimento.Não entendia o porquê deste destino, ter que viver longe de Verônica e ser obrigado a compadecer-se daquela jovem que tanto repudiava.
Parou a frente de um casarão, vagarosamente subiu os degraus da escada que havia na entrada, chegando ao topo, bateu à porta. Não houve resposta, bateu insistentemente ate que a abriram. A moça de olhos castanhos estava agora sem capuz e sem casaco, os cabelos presos no alto da cabeça deixando os cachos castanhos cobrirem-lhe os ombros. Vestia preto o que a deixara ainda mais bela do que era. Seus olhos castanhos fitavam assustados os de Juan.
- Onde esta meu tio? – perguntou sem olhar para ela
- Saiu...volta logo...
- Pode tirar a sua presença suja da minha frente.
Ela correu para seu quarto aos prantos e bateu violentamente a porta. Ele ficou parado ainda alguns segundos após a saída dela. O calor estava insuportável. Entrou na casa, passeou os olhos pelo ambiente, sentou-se no sofá. Ouviu os gemidos da moça no quarto. Nunca desejara estar passando por aquilo, mas, era mais forte que ele. Não podia evitar a raiva que crescia dentro de si quando a via. Ficou ali, enquanto a ouvia chorar.
Jefrey saíra para cavalgar a tarde. O dia estava perfeito, a brisa suave e um sol tranqüilo. Cavalgava por campos e vales,sem destino. Pensava em Veronica e no destino. Pensou no que ela havia dito sobre o amor, em como se sentia com ela e sem saber como, neste momento estava diante da casa de Bianca. Olhou para a casa e sorriu, sabia que algo o levara até lá da mesma maneira que o impulsionara a beijá-la naquele dia. Lembrou-se perfeitamente do que sentiu. Eu coração batia tão forte naquele momento que temeu que Bianca pudesse ouvi-lo, pela primeira vez em sua vida tremeu frente á uma mulher. Que poder era aquele, estava dominado por ele. Mas, aquilo não podia ser. Seria melhor ir embora. Sair dali. Não perderia o controle por seus sentimentos, não perderia o controle por nada. Tentando colocar os pensamentos em ordem e seguir o que achava correto, forçou o cavalo a correr para longe dali. Correu o mais que pode.
Bianca e Victor ainda estavam a conversar, quando perceberam que já era tarde.
- Oh Victor, é melhor voltarmos, papai ficara preocupado e também não é certo que eu fique ate tão tarde fora.
- Sim, esta bem – ele se levantou e ajudou-a a se levantar. No momento em que tomou-lhe a mão ouviram um cavalo se aproximar. Bianca se levantou e ainda de mãos dadas com Victor pode ver o rosto de Jeffrey. Não pode discernir se era raiva ou susto o que seus olhos demonstravam. Bianca como que tomada por um raio, soltou rapidamente as mãos de Victor, o que o espantou.
Jeffrey fitava Bianca tão intensamente quanto ela, era como se fossem apenas os dois ali. Nenhum ousou dizer nenhuma palavra, não poderiam. O olhar de Jeffrey era tão penetrante que assustou Victor, este, voltou-se para Bianca e percebeu que ela estava presa ao olhar.
- Que fazes aqui? – perguntou Bianca com tom de raiva na voz
- Eu que lhe pergunto Srta...que cena romântica...- disse ele irônico
- Vamos embora Victor – Bianca começou a desamarrar seu cavalo.
- Quero falar-lhe Srta Luchesi.
- Deixe-a em paz sir – disse Victor sabendo com quem falava – Ela não quer lhe falar.
- Srta Bianca, seria somente por um minuto - disse Jeffrey sem dar atenção a Victor
- Pode deixar Victor...vá na frente.
- Bianca não...
- Confie em mim – sussurrou ela – Estarei logo atrás de você.
- Está bem.
Victor passou por Jeffrey e lançou-lhe um olhar cheio de raiva.
- Não ousaria fazer mal à ela Sr.
Victor montou o cavalo e se distanciou. Jeffrey desceu de seu cavalo e se aproximou dela olhando fixamente para aqueles magníficos olhos cinzas. Sentiu algo que não pode descrever. A brisa aos poucos se tornava mais forte, fazendo com que os negros cabelos de Bianca dançassem violentamente.
Bianca sentia seu coração palpitar forte, sua vontade era correr para os braços dele e beijá-lo novamente mas, não o faria. Jeffrey não era capaz de amar e então ela não permitiria que ele soubesse o que sentia.
- Eu queria lhe pedir desculpas por ontem...e...
- Está perdoado – disse ela sem deixá-lo terminar a frase – se era só isso com licença – sentiu-se um grão de areia. Tinha certeza que aquele beijo não significara nada para ele. Seu coração estava apertado, mas, não iria chorar. Jeffrey segurou-lhe o braço impedindo-a de ir.
- Me solte !
- Penso em ti a todo momento – disse ele sem medir as palavras – o que fez? O que fez naquele momento em sua casa? O que fez comigo durante todas estas noites? O que está fazendo comigo agora?
Bianca sentia tanta sinceridade na voz de Jeffrey. Em suas perguntas ele expressava exatamente o que ela vinha sentindo, as mesmas duvidas.
- Preciso ir... – disse ela ainda fitando-o
- Quem é ele? Porque estão aqui...tão tarde?
- Deixe-me ir...
- Porque esta fugindo de mim? Não ousaria lhe fazer mal.
- Por favor...
- Eu não entendo...quando estou perto de ti fico assim...dizendo coisas desconexas, me sinto um tolo...
- Não posso ficar... – ela deixou uma lágrima escapar – Não quero ir...
Jeffrey limpou carinhosamente a lágrima e beijou-lhe a mão. Olhou-a nos olhos com tanta ternura que Bianca sentiu que começava a tremer. Soltou-se dele e montou o cavalo.
- Me deixe em paz...por favor – e dizendo isso saiu em grande velocidade com o cavalo deixando-o ali parado estático, sem saber o que fazer.
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