terça-feira, 11 de janeiro de 2011 | By: Thais Cabeza

VI

Jeffrey estava em seu quarto, uma chuva fina começava a cair lá fora, não sabendo exatamente o porque, trancou a porta do quarto. Tirou o casaco e os sapatos, até que viu a camisa sobre a cadeira, tirou a que estava em seu corpo e colocou a outra. Era como se ela tivesse que estar ali, presa à ele. Olhou pela janela. O céu estava escuro e sem nenhuma estrela, estava completamente negro, as pequenas gotas caiam como um véu frente à janela. Era certo que as gotas brilhavam por causa da luz que emanava do quarto, mas, ele não percebia isso, só via os belos olhos cinzas de Bianca em cada uma delas. Onde estaria ela? Não queria pensar em Bianca. Sabia que ela lhe atraia, e muito. Era linda. Uma beleza angelical mágica, era bom esquecê-la. Fechou a janela tentando fugir do fantasma de Bianca. Tomara uma decisão. Amanhã iria a casa de Sofía e lá mataria o desejo que Bianca havia plantado nele. Sendo assim, apagou a luz e se deitou, sem se dar conta de que ainda vestia a camisa.

Haviam poucos dias desde que Juan chegara a Espanha. O primeiro dia havia sido horrivelmente solitário sem Verônica, seu mundo decaía e se afundava mais a cada dia. Tentava trabalhar o máximo que podia para que pudesse ocupar a mente e não pensar nela, mas, o esforço fora inútil.
No momento, estava só, sentado numa cadeira, em uma cantina. À sua frente, uma garrafa de wisky e um copo. Seu pensamento não estava em lugar algum, seus olhos permaneciam fixos na mesa. Conhecia todos à sua volta. O dono da cantina era seu tio, passou a tomar conta dela no dia em que o pai de Juan falecera. Juan sentia adoração pelo tio, este, cuidara dele desde menino, e se se consirava um homem de bem devia tudo a ele. Sentiu falta da mãe a vida toda, e apesar de seu tio sempre dizer que não, sentia-se culpado pela morte dela.
A cantina era composta por oito mesas e a frente delas ficava um imenso balcão, num dos cantos havia uma escada que dava para a rua.
Um homem baixo e arcado entrara na cantina, tinha mãos calejadas e profundas olheiras o que lhe dava a impressão de um constante cansaço. Ele descia as escadas ao lado de uma jovem que usava um sobretudo com capuz preto, afim de que ninguém pudesse ver-lhe o rosto.
- Porque a trouxe para cá?- disse Juan tomando um gole de wiskyque desceu queimando sua garganta. Ele estava muito sério e o homem sabia que a presença da moça o irritava.
- Tive que trazê-la afinal, você não iria até ela.
- Se não iria é porque não quero vê-la.
- Não fale assim... – disse a moça
- Não me dirija a palavra – disse Juan agora fitando os belos olhos castanhos que eram idênticos aos seus.
- Juan peço que fale com ela.
- É uma bastarda!! – ele bateu o copo com força sobre a mesa, nenhum dos olhos presentes ousou fitar Juan – Me enoja...
- Como pode falar assim. Afinal ela é sua...
- Ela não é nada. Amaldiçôo o dia em que soube de sua existência, só me trouxe desgosto.
- Tem que lhe dar ao menos uma chance – agora o homem também estava irritado – Olhe pra mim seu moleque – Juan obedeceu olhando-o com  raiva por fazer-lhe passar por aquilo – Você vai ao menos ouvi-la.
- Não , não vou.
- Você pode ser grande coisa para esses homens que aqui estão, mas, pra mim não passa de um garoto estúpido – disse olhando nos olhos de Juan – Sua mãe deve rolar no túmulo por ter trocado a vida com um homem como você. No que está se tornando? No que?
A fúria de Juan subiu-lhe às veias, logo, transparecendo-lhe nas faces e explodindo em seu cérebro. Ele, sem pensar,agarrou o homem pelo colarinho.
- Não ouse falar da minha mãe na presença dessa bastarda.
- Vai me bater garoto?
- Não – disse soltando o homem – Mas, bem que deveria. Ela não merece nada. Deveria ter morrido com a maldita da mãe dela...
- Chega!! – disse a moça se levantando com as faces repletas de lágrimas – Não ficarei aqui ouvindo seus insultos Sr Hernandez, não preciso de sua piedade, se é morta que me desejas, é morta que me verá. – E saiu da cantina correndo, batendo aporta atrás de si.
- Não te reconheço garoto – e dizendo isso o homem se levantou e correu para alcançar a moça.


O jardim dos Hausman era o maior do toda cidade. No próprio jardim havia um conjunto de arvores que tornava o local, um bosque. Proximo a este pequeno bosque, Jeffrey caminhava com sua mãe, Victoria.
Jeffrey se sentia bem ao lado dela. Ela sempre lhe dera apoio e demosntrava grande amor pelo filho. O que podia fazer para agrada-la, fazia. Em troca de toda compreensão e carinho que recebia.
- Meu filho, tenho notado que andas abatido. Desde o dia de seu aniversario.O que o perturba?
- não sei minha mãe – disse ele colocando a Mao dela sobre o braço dele – Acreditas mesmo que deva me casar com Veronica?
-  Ora por certo, claro que sim – disse ela sorrindo com certa malícia nos olhos – Afinal não é só de uma família respeitada, é rica, muito bem criada e belíssima.
- Não queria apressar tanto as coisas...
- Ora e porque não meu filho? Já estas em idade de se casar e ela também.
- Sim, eu sei.
- O que há Jeffrey?
- Não há nada mamãe. Não há nada.
- Pedira a mão dela?
- Por certo que sim.


Bianca e Victor eram amigos desde pequenos. Victor era o único homem a quem Bianca permitia se aproximar. Ambos cavalgavam, neste momento, pelos imensos campos verdes, apostando corrida, sorrindo e conversando. Pararam no castelo em ruínas e se sentaram na grama após amarrarem os cavalos.
- Victor – disse ela olhando para o céu –porque ainda não se casou?
- Não encontrei ninguém ainda...e você Bianca?
- Não me interesso por ninguém. Nossa, esse lugar é realmente lindo não?
- Sim, é realmente lindo.
- Soube que seu amigo foi embora, é verdade?
- Juan?
- Sim.
- Voltou para a Espanha, tinha alguns assuntos a resolver mas, volta logo.
- Ele é de lá?
- Sim, mas, não vive muito tempo longe daqui.
- Ora não é possível que ele goste mais daqui do que de sua terra natal.
- E porque não?
- Não sei, é como pai e mãe acredito eu. Penso que não importa quão bom ou mal sejam seus pais, você sempre ira ama-los.
- Juan ama sua terra sim, disso tenho certeza, mas, acredito que há outras coisas nessa terra que o fazem precisar dela mais do que a outra.
- Ora, e o que seria? Um grande amor?
- Sim, exatamente isso minha amiga.
- Sr Juan esta apaixonado por alguém daqui?
- Sim, está.
- Ora e por quem seria? – disse Bianca curiosa
- Sinto muito minha amiga, mas, deste segredo não poderei compartilhar.
- Eu entendo Victor, não é seu...é dele...uma pena, pois adoro historias de amor. E ela? O ama?
- Ai é que está o grande ponto Bianca, eu não acredito. Sigo sua historia desde o inicio, e posso ate jurar, que ela se casa com outro.
- Ora que terrível. Ele me parece ser tão bom.
- Oh sim e é. Mas a senhorita por quem Juan se apaixonou ama outra coisa mais do que a ela mesma.
Bianca fitou Victor na esperança que ele continuasse a frase.
- Dinheiro Bianca...ela ama muito mais o dinheiro.
- Mas Juan tem uma vida estável. Pode lhe oferecer muito conforto. Mais do que qualquer outro, que bem sei.
- Não mais do que os Hausman...- disse Victor pensando alto.
- Hausman!! Esta Srta so pode ser louca...os Hausman!? Nossa! Ela deve ser importante.
- E é...a família dela é conceituadíssima.
- Pobre Juan...deve ser horrível para ele.
- Não Bianca, será horrível para ele. Ele nem imagina tudo que lhe digo.
- Ora, não é seu amigo. Não lhe precaveu deste desgosto?
- Tentei, mas, Juan só ouve e vê sua Srta. Mais ninguém.

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