Bianca estava sentada à mesa com sua mãe que bordava.
- Mamãe – disse ela já corando – O que achou do rapaz que esteve aqui esta manhã?
- Jeffrey?
Bianca nem se dera conta, não sabia o nome do estranho, era engraçado, pois parecia que sempre soubera.
- Então é esse o nome dele...
- Hum...-sorriu a mãe – Me pareceu um bom rapaz. É de classe altíssima logo se vê. Não entendo o que um rapaz como ele fazia por essas bandas.
- Deve ter se perdido...vê-se logo que é um imbecil...
- Ora minha querida – sorriu a mãe continuando sua costura – Se tem uma coisa que eu sei é que você não o acha um imbecil.
- Acho sim...é um imbecil diferente...
- Oh não...oh não...-disse a mãe largando o bordado
- O que houve? O que eu disse?
- Filha...nunca se aproximou de homem nenhum e jamais confiou em algum dos pretendentes que te bateram à porta. Sempre me fizeste acreditar que jamais se casaria...mas, ele não Bianca! Este não!
- Mãe não quero nada com Jeffrey...
- Oh meu bem, não tente me enganar...não tente se enganar...conheço você tão bem...e vi quando entrou esbravejando por aquela porta, que estavas apaixonada. Não é ódio o que tens aí minha pequena.
- Ora seja mamãe. Eu...eu não...
- Tantos homens bons e tão bonitos já passaram por aqui querendo desposá-la...você nunca quis nada...deixar-se apaixonar justo por um rapaz como este...de um nível social tão alto...Se afaste dele Bianca, por favor – disse a mãe quase em súplica – Se afaste enquanto é tempo...
- Não entendo quão grande problema Jeffrey poderia me trazer...- disse Bianca carinhosa
- Meu amor, ele pode até ser um bom moço, mas, pessoas como ele não são livres, têm que se casar com quem é do mesmo nível deles, eu sinto muito filha, mas, não quero vê-la sofrer, jamais. E lhe garanto que é só o que ele pode lhe trazer.
- Sim sra. Eu entendo agora mamãe...eu me afastarei dele...
- Não quero que mude seu jeito de ser querida, só não quero que se engane.
- Não se preocupe mamãe, não sofrerei por ele...jamais.
- Sei que não meu bem...vá se deitar, já é tarde.
- Sim mamãe, com licença – Bianca se levantou e arrumou a cadeira onde estava sentada e virando-se para ir para seu quarto segurou o batente e voltou seu rosto para a mãe – Mamãe ...eu beijei Jeffrey...
A mãe baixou os olhos. Olhou para Bianca e sorriu levemente.
- Está tudo bem...
- Boa noite.
- Boa noite meu anjo.
Bianca foi para seu quarto e ao entrar fechou a porta. Se viu no espelho. Passou a escovar os cabelos lentamente. Se era bela não saberia dizer, não neste momento, quando via o reflexo de Jeffrey no espelho com o dorso nu, mostrando sua musculatura perfeita. Colocou a escova de lado e trocou a roupa por uma camisola. Neste momento, viu a camisa de Jeffrey sobre a cama, tomou-a nas mãos e sentiu o perfume de uma essência desconhecida, porém maravilhosa para ela. Deitou-se abraçada à camisa e novamente apertou-a ao rosto para sentir-lhe o perfume “deixar-se apaixonar justo por um rapaz como este...de um nível social tão alto...” Bianca olhou para a camisa e viu nela o olhar de Jeffrey ao se aproximar para beijá-la, ela sorriu até que as lembranças das palavras de sua mãe a feriram como uma faca “como ele não são livres, têm que se casar com quem é do mesmo nível deles...” “..., não quero vê-la sofrer...” Ela desviou o olhar como se a camisa a ferisse e colocando-a embaixo da cama abraçou o travesseiro tentando adormecer.
O jantar havia terminado, após conversarem sobre negócios, dinheiro e grandes famílias, homens e mulheres se dividiram em salas separadas, mas, conversavam sobre o mesmo assunto.
- Estávamos a pensar, filho, unir as duas famílias seria bom para ambas às partes – disse Alfred Hausman após tragar um charuto com orgulho – E há de convir que, com todo respeito – disse olhando para o pai de Verônica - milady Verônica é encantadora.
- Pensei hoje mesmo nesse assunto, e acredite, que serei um homem de grande sorte se me casar com a Srta Stollemberguer mas, há algo que receio, e creio que me darão razão.
- De que falas meu jovem? – perguntou irritado Sir Stollemberguer
- Oh me perdoe se o ofendi, não pretendia. Meu receio é assustar Srta Verônica propondo-lhe casamento tão apressadamente. Peço permissão para fazer-lhe a corte primeiramente.
- Creio que seu filho tem razão caro Alfred, seria propício esperar. Afinal para que apressarmos as coisas? Seu filho aceita a união, isso é o que mais importa.
Enquanto isso na outra sala, uma roda feminina tratava do mesmo assunto.
- Não podes negar que sir Jeffrey é realmente encantador, educado.se permitirmos que tenham mais proximidade poderia fazê-lo se apaixonar.
- Eu me felicitaria mais que qualquer pessoa minhas querida- disse Victoria Hausman segurando a mão de Verônica – Seria uma honra tê-la na família.
- Me deixam embaraçada – disse Verônica sorrindo – Estão me pedindo para enfeitiçar sir Jeffrey e não tenho tal poder.
- Ora, vamos, não se subestime – disse a mãe de Jeffrey – És tão bela e inteligente. Não percebe? Meu filho citou várias vezes que se assemelha a uma deusa.
- Sir Jeffrey lhe disse isso?
- Por certo que sim filha- disse a mãe de Verônica – Só que como um cavalheiro não te diria pessoalmente.
- Mas...
- Deixaremos Jeffrey lhe fazer a corte – disse Victoria
- Estou de completo acordo – completou a sra Stollemberguer
- Mas...
A noite acabou por se tornar exaustiva e os convidados se foram, despedindo-se polidamente dos Hausman.
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