segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 | By: Thais Cabeza

XI

Uma das garrafas encontrava-se vazia e quebrada no chão, a outra, ainda apertava-se de encontro ao peito de Juan. Ele estava adormecido, o sol batia-lhe na face com ardor e brilho, mas, era como se estivesse morto, pois nada sentia, a não ser o agradável conforto da cama onde se encontrava deitado.
Passou muito tempo até que abrisse os olhos. Tinha tanta dor de cabeça, que mal se lembrava de como viera estar ali sobre aquela cama. Com muito esforço conseguiu piscar os olhos, a luz era muito forte e as pálpebras pesavam-lhe sobre os olhos. Sentiu os braços e o peito úmido, desviou os olhos para o braço e pode ver que o restante da tequila fôra derramada. Colocou vagarosamente a garrafa no chão e sentou-se na cama com muita dificuldade. Colocou as mãos por sobre as têmporas pois a cabeça latejava cada vez mais forte. Tentou olhar pela janela, mas, cada movimento, dava a impressão que a cabeça se deslocaria do corpo.
O sol estava ardente, o quarto abafado e o cheiro de bebida inundava o ambiente fazendo com que a dor se tornasse insuportável. Lentamente, tirou as mãos das têmporas e tirou a camisa úmida. A cabeça, parecia estar a ponto de explodir. Jogou a camisa para longe e deitou-se novamente com a mão por sobre os ouvidos agora. Queria fechar a janela, chovera a noite, o chão estava molhado, a brisa quente que adentrava o quarto, tornava tudo mais pesado. Estava muito fraco, não conseguia mais se mover, urrou baixinho pra si mesmo sentindo que o corpo estava quente e a dor de cabeça só fazia aumentar. Ouviu um grande estrondo. Pensou ter perdido a audição naquele momento. Tentou ver o que houve, mas, não pode. Sua vista estava embaçada e a dor parecia aumentar a qualquer movimento. Sentiu uma mão fria sobre sua tez e desvencilhou-se dela com violência, mas, a mesma mão fria tomou-lhe uma das mãos, e mesmo tentando desvencilhar, não pode, pois estava muito fraco.
Pode sentir a mão fria sobre seu peito e urrou novamente. Sentia que estava quente e abafado, mas, ao mesmo tempo um frio terrível tomara conta de seu corpo. Encolheu-se na cama. Ouvia passos, ouviu gritos incompreensíveis. A última coisa que pode ouvir, foi a porta batendo violentamente.


Bianca estava a andar pelos pastos verdes e a colher flores. Passeava a pé. Não pensava em cavalgar. Temia o que o destino podia lhe reservar se retornasse ao castelo em ruínas. Sentia-se mal por não ajudar sua mãe, mas, sentia que precisava mesmo de um tempo para si. Andando próximo ao bosque, lembrava-se do dia em que encontrara Jeffrey ali. Sorriu tristemente para si mesma. Como poderia ter se apaixonado por alguém como Jeffrey. Só pelo fato de tê-lo encontrado pela primeira vez na casa dos Hausman, já deveria ter em mente que era uma pessoa muito importante, ora, se não eram somente os de classe mais alta que freqüentavam as festas dos Hausman. Não deixava de pensar no fato de Jeffrey jamais tê-la denunciado a eles. Se os Hausman imaginassem que alguém invadira seu jardim, sem dúvida, puniriam tal pessoa. Eles eram conhecidos por serem esnobes e frios. Nunca vinham à vila. Pouquíssimos empregados já haviam passado por ali. Era uma honra trabalhar para eles. Os empregados eram enviados para outras capitais para comprarem comida e o que fosse necessário. Quem seria a família de Jeffrey. De certo era conhecida, e muito, se não, certamente não estaria ali naquele dia.
Foi até a venda do pai de Victor, e lá avistou ambos.
- Bom dia Sr, bom dia Victor – disse Bianca sorridente
- Bom dia Srta Bianca – respondeu o pai de Victor – Espero que não tenha vindo para roubar meu filho.
- Oh não Sr, não se preocupe – ela riu – Sei que Victor está ocupado.
- Onde está sua cesta? Não fará compras hoje? – perguntou Victor
- Não, mamãe não quer que eu trabalhe hoje.
- Pretende cavalgar?
- Não.
- Está bem, está bem. – disse o pai de Victor sorrindo – Sairei somente por alguns instantes para que possam conversar em paz, mas, já vou avisando, não se demorem.
- Obrigada papai – disse Victor
- O que houve Bianca?
- Não houve nada. Só não quero cavalgar. Quero descansar mesmo, como mamãe me pediu.
- Não me disse o que houve naquele dia.
- Que dia?
- Ora Bianca, quando se encontrou com...
- Não quero falar sobre isso – disse ela interrompendo-o – É justamente para isso que preciso ficar só por hoje. Para encontrar um meio de esquecer...
- O que? Está...está...não pode ser...
- Eu sei...não tive controle sobre isso...
- Bianca...ele não. Sabes que sou teu amigo, estou sempre do teu lado. Somos como irmãos. Ele não é para você...
- Oras, e porquê? Sei que tem posição social alta, mas, porque não é para mim? Acaso o conhece?
- Bianca pois se não é....
- Pronto – disse o pai de Victor retornando – Acredito que tiveram tempo de falar seus segredos, agora, se me permite Srta, tenho que voltar ao trabalho.
- Tudo bem Sr, me desculpe e obrigada, volto amanha Victor...e me explicas o porquê.
- Até Bianca...cuide-se.


Jeffrey estava no jardim. Encontrou seu amigo Steve, a quem conhecia desde a infância, alegrou-se. Não via Steve desde sua festa de aniversário.
- Como tem passado caro Steve? Penso que tenha passado bem, afinal, não o vejo desde meu aniversário.
- Perdoe-me caro amigo, tive que resolver vários assuntos para meu pai, acabei por ficar sem tempo.
- É bom vê-lo novamente. Poderíamos cavalgar um pouco.
- Sinto, mas, não posso. Vim ter com vosso pai a fim de resolver alguns assuntos políticos. Deixemos o passeio para a próxima semana. Poderíamos ir a casa de Sofia.
- Claro, venha, o acompanho até meu pai.
E dizendo isso Jeffrey acompanhou Steve. Deixou-o na porta, despediu-se e saiu.



No hall dos Hausman, Lady Vitória chorava ao ler uma carta que tinha nas mãos. Percebeu, pois, que sir Hausman adentrara o aposento.
- Meu querido! – dizia ela como uma criança, correndo de encontro ao esposo – Veja! Que maravilha!
E assim, Alfred tomou das mãos da esposa a carta, passou os olhos rapidamente e um grande sorriso brotou-lhe nos lábios.
- Ela chegará amanha. Ela voltará para casa.
- Não é maravilhoso, ah quando Jeffrey souber...
- Por certo...- e desviando os olhos da esposa viu que Steve entrava – Ora, que ótima surpresa.
- Bom dia sir Alfred – disse ele cumprimentando sir Hausman com um aperto de mão e depois beijando a mão de Lady Vitória – Bom dia lady Vitória.
- Como é encantador Steve – disse Vitória sorrindo
- O que o traz aqui meu caro?
- Meu pai, sir Alfred, pediu-me para discutir alguns assuntos como Sr.
- Oh sim, por certo. Venha a meu escritório onde poderemos conversar. Com licença querida – disse ele voltando-se para a esposa – Mais tarde comemoraremos.
- Com licença sra Hausman.
- Tem toda srs.
Os dois saíram do Hall deixando Vitória a sós. Esta foi até a cozinha.
- Sra...ha algo errado? A sra precisa de algo?
- Sim – disse sorrindo – mudaremos o cardápio de amanhã...ah, terá de ser muito especial...


domingo, 30 de janeiro de 2011 | By: Thais Cabeza

X


Juan andava sem olhar para ninguém, andava sem rumo, passava por ruas e becos, todos conhecidos, afinal, ali era sua terra. Logo, se viu à frente da cantina. Não entrou de imediato, observou o prédio primeiramente, era tudo tão seu, tão familiar, baixando a cabeça como se entrasse numa igreja, abriu a porta e entrou descendo as escadas. Chegando ao balcão, avistou um amigo, que apesar de ainda muito jovem, trabalhava na cantina com Paolo.
- Pietro! – disse Juan chamando-o – Venha cá.
- Como tem passado Juan? – disse Pietro sorrindo para ele
- Estou bem – sorriu Juan
- Ficará melhor quando eu lhe contar a novidade.
- E qual é? – perguntou curioso
- É sobre o “Odessa”. Ele ficou pronto, e não fizeram serviço mal feito, eu mesmo fui com tio Paolo confirmar, o barco tá mais bonito que antes...nossa...
- Odessa...- disse ele se lembrando da Irma bastarda – Temos que mudar esse nome.
- Não, não pode não Juan. E tudo que já conseguiu com ele?
- Ora podemos obter novas conquistas. Não pense pequeno.
- Ah não sei não Juan. E o respeito e a honra...imagina...tanta gente te respeita só por falar que é o dono do Odessa. Aí, eu não concordo não hein.
Juan se arrependeu de ter colocado esse nome em seu navio, fizera isso pelo grande amor que teve por Odessa, agora se arrependia.
- É...pode ser, deveras, uma criança me ensinar o que é correto...
- Ah capitão, esse navio te trouxe tantas vitórias, o Sr é novamente o nosso capitão.- disse o garoto orgulhoso.
- Não tenha tantas esperanças Pietro, afinal, não trabalho mais para a rainha. Se for roubar navios como antes, hoje, seríamos presos como piratas – Juan sorriu – E tenho um bom motivo para não querer ser preso hoje.
- Sim, eu sei, Lady Stollemberguer.
- Exatamente. Agora me dê duas tequilas para comemorar.
Pietro deu-lhe as garrafas, Juan agradeceu e dirigiu-se a uma escadaria que havia do outro lado do aposento, o que o levava para um quarto. Entrou e trancou a porta. Sentou –se na cama e chorou. Muitos sentimentos se misturavam, a morte da mãe, a falta dela, o ódio pelo pai, o passado de Odessa, a dúvida de Verônica, sua fraqueza. Descarregou sua dor em lágrimas e bebeu até que a tequila chegasse ao fim, acabando por adormecer abraçado à garrafa.


Já era manhã quando Bianca se levantou e após se vestir foi ate a cozinha. Sua mãe preparava o café.
- Bom dia mamãe.
- Bom dia Bianca – disse a mãe colocando algumas coisas sobre a mesa – Filha, anda tão abatida. Porque não tira o dia para descansar?
- Não mamãe, me perdoe contrariá-la, mas, quero passar o dia a trabalhar. Talvez amanhã eu descanse.
- Ora quanta disposição. O que houve?
- Ora, sempre estou disposta, hoje mais que outros dias só isso.
Ambas sentaram-se à mesa.
- Conheço você melhor do que pensas meu pequeno bebê. Não consegues esquecer aquele rapaz não é mesmo?
- Não mamãe...Jeffrey é passado – Bianca deu um leve sorriso para a mãe – Eu mal me lembrava...
- Não tem porque mentir para mim querida, muito menos para você mesma.
- Não é justo mamãe – Bianca deixou uma lágrima escapar – Tantos pretendentes aqui na vila...porque fui me apaixonar justamente por alguém do nível dele? Não tenho culpa...entrou no meu peito sem licença...
- Eu sei meu bem – a mãe se sentou ao lado dela e a abraçou – Não se culpe. Eu não te culpo meu anjo, fique tranqüila, vai passar.
- Eu espero que sim.
- Não quero que trabalhe hoje.  Vá passear. Tome o poldro. Vá para as montanhas. Vá se distrair.


Jeffrey passara uma de suas piores noites de sono. Acordara tarde, com o rosto inchado e de completo mal humor. Ainda deitado em sua cama, espreguiçou-se e olhou para o teto. Vagarosamente se levantou, o movimento pareceu durar uma eternidade. Sentou-se na cama e respirou fundo. Dirigiu-se com passos lentos até a janela e,olhando para fora pôs-se a observar o imenso jardim e o mar que se abria atrás do mesmo. Com as mãos apoiadas no parapeito da janela forçou um pouco mais a vista e percebeu que o azul do céu estava completamente limpo e o sol ardia mais forte que Hércules. Foi até o quarto de banho, onde o seu já estava pronto. Livrou-se das vestes e adentrou a banheira, onde a água era morna e relaxante.                                                                                                         
Meia hora depois ele levantou e saiu da banheira, colocou um roupão, foi até o guarda-roupas e se vestiu.
Quando desceu para o café já eram pouco mais de onze horas. Desceu as escadas rapidamente e chegando ao hall viu sua mãe, que estava a observar pela janela.Abanava-se constantemente com seu leque com bordas de prata e plumas verdes, que faziam par com seu vestido de linho da mesma cor. Ela estava tão bela, que até parecia bem mais jovem, as mangas do vestido vinham bem coladas no braço caindo pesadamente no começo do cotovelo, a pequena cintura delgada onde o vestido passava bem colado também, chegando aos seios num decote ousado. Jeffrey sorriu, sentia-se orgulhoso pela beleza de sua mãe. Aproximou-se dela, ainda com pouco humor.
- Bom dia minha mãe.
- Bom dia! Ora seja, Boa tarde! – disse a mãe espantada – Não sei o que faço contigo meu filho, chegas quando o sol desperta e despertas quando ele já está por adormecer novamente.
- Peço desculpas pelo meu mau comportamento mamãe, mas, sinto-me esgotado, ontem sai com alguns amigos e certo que exagerei, acordo hoje mal humorado e cansado.
- Não era para menos, são pouco mais de onze, o sol se encontra ardente e brilhante. Era certo que estarias com o humor abalado.
- Está bem, está bem. Confesso meu erro, mas, que cessem as lamúrias, pois como já havia dito, meu humor não é dos melhores.
- Estou saturada filho. Quero que descanse bem hoje. À noite terás de ir à ópera com Srta Stollemberguer. Não o quero de mal humor.
- Srta Verônica!? – disse ele sem entender – Como? Vou convidá-la?
- Já a convidou.
- Eu a convidei?
- Oh, é claro que sim, ao menos, é isso que ela pensa.
- Quer dizer, que minha querida mãe, disse a milady que eu a convidei.
- Lhe prometi um tempo para que se case com ela, porém deve fazer sua parte em cortejá-la.
- E não a estou cortejando – sorriu ele – Convidei-a para a ópera.
Vitória Hausman sorriu.
- Por certo – estendeu-lhe o braço – Vamos comer algo.
- Está bem – Jeffrey tomou o braço da mãe e dirigiram-se a sala de jantar.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011 | By: Thais Cabeza

IX



Ele ainda estava com uma das mãos pousada sobre a maçaneta, não ouvia mais os soluços dela. Pensou em sua mãe, no sofrimento que passara, sem ninguém a seu lado. Naquele momento seu pai poderia estar com a mãe de Odessa, enquanto sua mãe sofria as dores do parto e falecia, sozinha. A raiva aumentou de uma tal forma que ele soltou a fechadura como se fosso algo repugnante. Limpou a mão no paletó, dirigiu-se à porta de saída, abriu-a mas, quando ia sair ouviu a voz de seu tio Paolo.
- Juan – disse o tio enquanto Juan permanecia de costas – O que ela te disse?
- Eu sinto muito tio...não pude falar com ela.
- Entendo...
- Não tenho forças ainda, estou bastante machucado, me sinto traído...outro dia...ainda não – e dizendo isso saiu, fechando a porta atrás de si. Parou um momento ainda próximo a porta e respirou fundo. Levantou as golas do paletó para que lhe cobrissem o pescoço, pois, na mesma intensidade do calor da manha, viera o frio a noite. Colocou as mãos nos bolsos e passou a descer as escadas ate a rua. Chegando na calçada olhou para a janela do quarto de Odessa. Ela estava lá, de pé, atrás da cortina observando-o. Juan sentiu uma pequena fraqueza mas, desconsiderando passou a andar pela rua.


Bianca, sentada em sua cama, olhava para a camisa que estava em seu colo. Onde estaria Jeffrey naquele momento? Tentava se convencer de que não importava. Aquilo na realidade não era nada. Sentia-se assim, somente pelo fato de que Jeffrey fora o primeiro homem a beijá-la e demonstrar algum tipo de carinho acima do que muitos já haviam tentado demonstrar.
Podia se lembrar de todas as palavras dele com exatidão. Ele parecia tão vulnerável e carente naquele momento, não se parecia em nada com o homem viril e poderosamente rude como naquela noite da festa. Ele estava tão diferente, mas, tinha que entender que era só ilusão. Afinal, qual a moça que não se felicitaria por ter o primeiro beijo dele? Ela havia tido , o que muitas garotas deviam desejar. Mas, o preço estava sendo alto, ficara com uma imensa dor no coração, após o ocorrido, e um vazio tão grande que não sabia como preenche-lo. Tudo que queria era esquecer. Tentaria, usaria todas as suas forças, apesar, de não julgar precisar de tanto para esquecer Jeffrey. Olhou novamente para a camisa, dobrou-a com cuidado e levantando-se da cama deixou com que a camisola arrastasse pelo chão até chegar a uma cômoda. Colocou a camisa numa das gavetas, junto com suas roupas e fechou vagarosamente. Sorriu, como se Jeffrey fosse apenas uma lembrança de um passado agradável. Virou-se para a cama e percebeu a cortina esvoaçando devido a brisa da noite. Aproximou-se da janela e olhou para fora, tudo estava escuro e deserto. Olhou para o céu e viu milhares de estrelas. Respirou fundo permitindo que o perfume da noite lhe invadisse os pulmões. Fechou a janela e olhando uma ultima vez para a gaveta deitou-se na cama e adormeceu, o melhor sono de sua vida, sem sonhos, sem pensamentos de dor e sem lembranças, para acordar em paz no dia seguinte.


Jeffrey estava deitado ao lado de Maryan, acariciando-lhe os cabelos, com o pensamento longe. Pensava tudo que havia dito a Bianca, nesta mesma tarde e pensou se aquilo era realmente verdade, sorriu ao pensar na alternativa. Lembrou-se que ela havia dito “...não quero ir...”, talvez tivesse dito por ele ter sido o primeiro homem  a beijar-lhe os lábios. Ela era tão linda, selvagem e ao mesmo tempo tão inocente.
- Jef!? – disse Maryan já exausta de tanto chamá-lo
- Me desculpe Maryan, eu estava pensando  e não ouvi o que dizia.
- Percebi, onde estava? Por certo era bem longe, pois sei que não ouviu uma palavra do que eu disse.
- Sim, confesso que não ouvi o que dizia, o que era?
- Bem – ela aninhou-se em seus braços e acariciando-lhe o abdómen nu, recomeçou o que antes falava – Eu lhe perguntava quem é ela.
- Ela? Quem?
- Ora não se faça de tolo. Falo da tal Bianca. Ficamos juntos há dois anos e nunca  falou nome algum, mas hoje, sussurrou algumas vezes o nome dela.
Realmente, já faziam mais de dois anos que freqüentava a casa de Dona Sofia e só agora se dera conta que suas noites eram sempre passadas ao lado de Maryan.Era difícil sair com outra pessoa, apesar de ter acontecido algumas vez. Não havia notado mas, realmente pensara em Bianca o tempo todo.
Que havia feito Bianca com ele? Talvez algum feitiço, deveria de pronto ter desconfiado, após ter visto aqueles olhos tão magníficos que com certeza eram únicos.Era uma feiticeira e Jeffrey parecia ter caído em seu inocente e maldoso feitiço.
Ele olhou para Maryan, como era bela também, seus olhos azuis, cabelos negros e suaves , seu corpo era perfeito e sentia tanto prazer com ele, mas, não era Bianca.
- Jef...vai me dizer quem é ela?
- Ora, por certo ouviu algo que eu não disse, afinal, não conheço Bianca alguma.
- Por hora acreditarei em ti mas, confesso que ainda resta uma pequena ponta de duvida.
- Vou sanar sua duvida logo – disse ele beijando-a, depois delicadamente afastando-a um pouco – Mas, não hoje, preciso ir agora, talvez no sábado.
- Está bem.
Ele se levantou e começou a se vestir e após ter colocado sua roupa e amarrado devidamente o cabelo foi ate a cama novamente.
- Não diga isso a ninguém.
- Se é o que deseja...
- Até.
E beijando-lhe levemente os lábios partiu.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011 | By: Thais Cabeza

VIII

Bianca se aproximou de Victor.
- Está tudo bem? – perguntou ele
- Sim, está...vamos embora
Bianca aumentou a velocidade  do galope e Victor a seguiu.


Jeffrey sentou-se na grama e olhou para o céu. Iria chover.
Agira como um idiota. Não entendia porque havia dito tudo aquilo para ela. Lembrou-se da primeira vez que a viu, no jardim de sua casa. No momento em que a derrubou no chão. Os olhos dela, tão mágicos. O desejo de  tê-la cada vez mais perto se tornava maior a cada dia. Ironicamente ela pedira que a deixasse em paz, sem saber que era isso que ele também queria. Bianca não fazia idéia do que fizera a Jeffrey. Sentia a alma queimar só pelo fato de pensar nela. Não dormia direito, não raciocinava direito. Isso teria que acabar. Tinha sua vida, seus interesses. Não podia deixar um desejo consumir-lhe tanto. Chegou a conclusão de que o que o fazia se sentir assim, era o desejo de ter Bianca. Sendo assim iria a casa de dona Sofia e hoje mesmo jogaria um balde de água fria sobre esse assunto.


A noite estava chegando. A moça não se atrevera a sair de seu quarto pois sabia que Juan estava na sala e ele por sua vez, não saía de onde estava para não correr o risco de cruzar com ela pela casa. Ambos se assustaram ao ouvir as porta se abrir. O tio de Juan entrou, pendurou o chapéu e a bengala na chapeleira. O tio olhou para ele, mas, nada disse. Caminhou até outro aposento, obrigando Juan a segui-lo. Entraram no escritório, Juan fechou a porta atrás de si.
O aposento era composto de uma cômoda próximo à porta, um espelho oval acima da cômoda , duas cadeiras frente a uma mesa e uma poltrona atrás da mesa.
Paolo, tio de Juan, sentara-se na poltrona e com as mãos unidas e debruçadas sobre a mesa encarava Juan, este, puxou uma cadeira e se sentou frente ao tio.
- Que veio  fazer aqui filho?
- Vim ver o Sr.
- E quanto a ...
- Não insista nisso por favor – disse Juan interrompendo-o – Não quero brigar contigo por causa dela.
- A menina de nada tem culpa.
- Não me importa, é a lembrança que me traz que importa.
- Sua mãe jamais desejaria isso Juan, ela não iria concordar com sua atitude.
- Eu sei...mas, se torna mais forte que eu.
- Ela não tem culpa dos erros de teu pai.
- E o que minha mãe passou não conta?
- Claro que conta, mas, se tem alguém que deveria pagar por isso, esta pessoa era seu pai, e creio que ele tenha pago...filho não é certo...
- Não posso considerá-la tio, para mim ela é não passa de uma bastarda.
- Lembra-te do que acontecia antes de saberes de toda história...de quando a tinha como tua irmã...
Juan olhou para o tio. Porque fôra descobrir a historia de Odessa? No inicio, tudo foi diferente, aceitara ser seu irmão, cuidara dela, até que soube de tudo. Seu pai, enquanto casado, tivera um caso com uma prostituta, a mãe de Odessa. O pai de Juan continuou o romance mesmo depois da morte da esposa. Odessa havia nascido dois anos após a morte da mãe de Juan. Ele a odiara, filha da amante de seu pai. Não conseguia apagar o fato de Odessa ser filha de uma traição, contra sua mãe.
- Vá falar-lhe filho...ao menos tente.
Juan saiu do escritório. Iria embora, mas, algo o levou a esquecer por alguns segundos toda aquela situação. Caminhou pelo corredor até o quarto dela.Parou frente a porta, criando coragem para abri-la.


Ela estava sentada frente á penteadeira, passando a escova levemente pelos cabelos. A noite estava linda, a pequena chuva que caíra a tarde, fora breve, permitindo que a noite caísse cheia de estrelas. Os cabelos dourados caíam-lhe sobre as costas. Mirou-se no espelho, seus olhos estavam tristes. Levantou-se e dirigiu-se à janela. Olhou para o jardim. Como queria fazer uma mala e fugir a caminho da Espanha.Mas, isso não iria acontecer, não poderia. Tinha medo da vergonha que poderia causar á sua família. A saudade doía. Sentou-se na cama. Havia um livro na cabeceira, ela  tomou nas mãos, era Lancelot . Abriu o livro numa página qualquer, passou os olhos pela página, o capítulo contava do momento em que  Lancelot, morrendo de amores por Genéveire , mesmo sabendo que ela poderia correr perigo, a beija como há tanto almejara fazê-lo. Terminava no momento em que Arthur os via. Jogou o livro longe com lágrimas nos olhos, queria Juan mas, não podia. Onde estaria ele agora? Deitou-se na cama cobrindo a cabeça, tentando abafar os soluços que invadiam o quarto. Rolou de um lado para outro tentando achar uma posição para dormir mas, sabia que só a encontraria nos braços dele.
.

Jeffrey estava na casa de Dona Sofía com uma moça de longos cabelos negros e olhos azuis. Estavam numa mesa, com alguns amigos e mulheres. A moça que estava com Jeffrey chamava-se Maryan, usava um vestido vermelho com um grande decote, deixando à mostra boa parte dos seios. Jogavam cartas e bebiam whisky.
A casa de Dona Sofía era a maior da capital, tudo era de primeira linha, desde os vestidos das moças até os lençóis de seda e os cortinados de veludo. Somente os homens da mais alta classe frequentavam o estabelecimento de Dona Sofía.
Jeffrey jogava com seus amigos, até que, sentiu os lábios de Maryan em seu pescoço, em seu rosto, quando se deu conta beijava-a nos lábios. Jeffrey sempre fora bem recebido na casa de Dona Sofía, era o rapaz mais rico e cobiçado de toda cidade, era um grande orgulho para ela tê-lo como cliente, por vezes deixara-lhe até a noite por conta, fazendo com que ele quisesse voltar sempre mais.
Jeffrey antes com as mãos na cintura da moça, passou a subir lentamente enquanto a beijava nos lábios. Pediu licença aos amigos e foi para o quarto que Dona Sofía já havia separado para ele. Jeffrey tomou Maryan nos braços e entrou com ela no quarto. Trancou a porta e passou a beijar e acariciar Maryan. Ela o imitava tirando-lhe vagarosamente as roupas. Ele abriu seu vestido até que o mesmo foi ao chão, deixando-a somente com uma lingerie da mesma cor do vestido, deixando à mostra o corpo perfeito. Ele a olhou mas, não viu Maryan e sim Bianca à sua frente, abraçou a moça com tanto carinho, que ela se sentiu como nunca havia se sentido antes. O beijo que começou carinhoso, passou a ser cada vez mais exigente, ele a tomou nos braços e deitou-a delicadamente sobre a cama ainda beijando-a. Agora, tirando-lhe o que restava das roupas.


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011 | By: Thais Cabeza

VII


Juan andava pelas ruas de sua cidade natal em direção à casa de seu tio. A rua era comprida e o sol estava radiante, Juan quase não via a rua pela violência com que o sol batia-lhe nas faces. Apressou o passo para que chegasse logo. Apesar da raiva remoer-lhe por dentro, pelo ocorrido no dia anterior, o amor pelo tio era muito maior que qualquer desentendimento.Não entendia o porquê deste destino, ter que viver longe de Verônica e ser obrigado a compadecer-se daquela jovem que tanto repudiava.
Parou a frente de um casarão, vagarosamente subiu os degraus da escada que havia na entrada, chegando ao topo, bateu à porta. Não houve resposta, bateu insistentemente ate que a abriram. A moça de olhos castanhos estava agora sem capuz e sem casaco, os cabelos presos no alto da cabeça deixando os cachos castanhos cobrirem-lhe os ombros. Vestia preto o que a deixara ainda mais bela do que era. Seus olhos castanhos fitavam assustados os de Juan.
- Onde esta meu tio? – perguntou sem olhar para ela
- Saiu...volta logo...
- Pode tirar a sua presença suja da minha frente.
Ela correu para seu quarto aos prantos e bateu violentamente a porta. Ele ficou parado ainda alguns segundos após a saída dela. O calor estava insuportável. Entrou na casa, passeou os olhos pelo ambiente, sentou-se no sofá. Ouviu os gemidos da moça no quarto. Nunca desejara estar passando por aquilo, mas, era mais forte que ele. Não podia evitar a raiva que crescia dentro de si quando a via. Ficou ali, enquanto a ouvia chorar.


Jefrey saíra para cavalgar a tarde. O dia estava perfeito, a brisa suave e um sol tranqüilo. Cavalgava por campos e vales,sem destino. Pensava em Veronica e no destino. Pensou no que ela havia dito sobre o amor, em como se sentia com ela e sem saber como, neste momento estava diante da casa de Bianca. Olhou para a casa e sorriu, sabia que algo o levara até lá da mesma maneira que o impulsionara a beijá-la naquele dia. Lembrou-se perfeitamente do que sentiu. Eu coração batia tão forte naquele momento que temeu que Bianca pudesse ouvi-lo, pela primeira vez em sua vida tremeu frente á uma mulher. Que poder era aquele, estava dominado por ele. Mas, aquilo não podia ser. Seria melhor ir embora. Sair dali. Não perderia o controle por seus sentimentos, não perderia o controle por nada. Tentando colocar os pensamentos em ordem e seguir o que achava correto, forçou o cavalo a correr para longe dali. Correu o mais que pode.


Bianca e Victor ainda estavam a conversar, quando perceberam que já era tarde.
- Oh Victor, é melhor voltarmos, papai ficara preocupado e também não é certo que eu fique ate tão tarde fora.
- Sim, esta bem – ele se levantou e ajudou-a a se levantar. No momento em que tomou-lhe a mão ouviram um cavalo se aproximar. Bianca se levantou e ainda de mãos dadas com Victor pode ver o rosto de Jeffrey. Não pode discernir se era raiva ou susto o que seus olhos demonstravam. Bianca como que tomada por um raio, soltou rapidamente as mãos de Victor, o que o espantou.
Jeffrey fitava Bianca tão intensamente quanto ela, era como se fossem apenas os dois ali. Nenhum ousou dizer nenhuma palavra, não poderiam. O olhar de Jeffrey era tão penetrante que assustou Victor, este, voltou-se para Bianca e percebeu que ela estava presa ao olhar.
- Que fazes aqui? – perguntou Bianca com tom de raiva na voz
- Eu que lhe pergunto Srta...que cena romântica...- disse ele irônico
- Vamos embora Victor – Bianca começou a desamarrar seu cavalo.
- Quero falar-lhe Srta Luchesi.
- Deixe-a em paz sir – disse Victor sabendo com quem falava – Ela não quer lhe falar.
- Srta Bianca, seria somente por um minuto  - disse Jeffrey sem dar atenção a Victor
- Pode deixar Victor...vá na frente.
- Bianca não...
- Confie em mim – sussurrou ela – Estarei logo atrás de você.
- Está bem.
Victor passou por Jeffrey e lançou-lhe um olhar cheio de raiva.
- Não ousaria fazer mal à ela Sr.
Victor montou o cavalo e se distanciou. Jeffrey desceu de seu cavalo e se aproximou dela olhando fixamente para aqueles magníficos olhos cinzas. Sentiu algo que não pode descrever. A brisa aos poucos se tornava mais forte, fazendo com que os negros cabelos de Bianca dançassem violentamente.
Bianca sentia seu coração palpitar forte, sua vontade era correr para os braços dele e beijá-lo novamente mas, não o faria. Jeffrey não era capaz  de amar e então ela não permitiria que ele soubesse o que sentia.
- Eu queria lhe pedir desculpas por ontem...e...
- Está perdoado – disse ela sem deixá-lo terminar a frase – se era só isso com licença – sentiu-se um grão de areia. Tinha certeza que aquele beijo não significara nada para ele. Seu coração estava apertado, mas, não iria chorar. Jeffrey segurou-lhe o braço impedindo-a de ir.
- Me solte !
- Penso em ti a todo momento – disse ele sem medir as palavras – o que fez? O que fez naquele momento em sua casa? O que fez comigo durante todas estas noites? O que está fazendo comigo agora?
Bianca sentia tanta sinceridade na voz de Jeffrey. Em suas perguntas ele expressava exatamente o que ela vinha sentindo, as mesmas duvidas.
- Preciso ir... – disse ela ainda fitando-o
- Quem é ele? Porque estão aqui...tão tarde?
- Deixe-me ir...
- Porque esta fugindo de mim? Não ousaria lhe fazer mal.
- Por favor...
- Eu não entendo...quando estou perto de ti fico assim...dizendo coisas desconexas, me sinto um tolo...
- Não posso ficar... – ela deixou uma lágrima escapar – Não quero ir...
Jeffrey limpou carinhosamente a lágrima e beijou-lhe a mão. Olhou-a nos olhos com tanta ternura que Bianca sentiu que começava a tremer. Soltou-se dele e montou o cavalo.
- Me deixe em paz...por favor – e dizendo isso saiu em grande velocidade com o cavalo deixando-o ali parado estático, sem saber o que fazer.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011 | By: Thais Cabeza

VI

Jeffrey estava em seu quarto, uma chuva fina começava a cair lá fora, não sabendo exatamente o porque, trancou a porta do quarto. Tirou o casaco e os sapatos, até que viu a camisa sobre a cadeira, tirou a que estava em seu corpo e colocou a outra. Era como se ela tivesse que estar ali, presa à ele. Olhou pela janela. O céu estava escuro e sem nenhuma estrela, estava completamente negro, as pequenas gotas caiam como um véu frente à janela. Era certo que as gotas brilhavam por causa da luz que emanava do quarto, mas, ele não percebia isso, só via os belos olhos cinzas de Bianca em cada uma delas. Onde estaria ela? Não queria pensar em Bianca. Sabia que ela lhe atraia, e muito. Era linda. Uma beleza angelical mágica, era bom esquecê-la. Fechou a janela tentando fugir do fantasma de Bianca. Tomara uma decisão. Amanhã iria a casa de Sofía e lá mataria o desejo que Bianca havia plantado nele. Sendo assim, apagou a luz e se deitou, sem se dar conta de que ainda vestia a camisa.

Haviam poucos dias desde que Juan chegara a Espanha. O primeiro dia havia sido horrivelmente solitário sem Verônica, seu mundo decaía e se afundava mais a cada dia. Tentava trabalhar o máximo que podia para que pudesse ocupar a mente e não pensar nela, mas, o esforço fora inútil.
No momento, estava só, sentado numa cadeira, em uma cantina. À sua frente, uma garrafa de wisky e um copo. Seu pensamento não estava em lugar algum, seus olhos permaneciam fixos na mesa. Conhecia todos à sua volta. O dono da cantina era seu tio, passou a tomar conta dela no dia em que o pai de Juan falecera. Juan sentia adoração pelo tio, este, cuidara dele desde menino, e se se consirava um homem de bem devia tudo a ele. Sentiu falta da mãe a vida toda, e apesar de seu tio sempre dizer que não, sentia-se culpado pela morte dela.
A cantina era composta por oito mesas e a frente delas ficava um imenso balcão, num dos cantos havia uma escada que dava para a rua.
Um homem baixo e arcado entrara na cantina, tinha mãos calejadas e profundas olheiras o que lhe dava a impressão de um constante cansaço. Ele descia as escadas ao lado de uma jovem que usava um sobretudo com capuz preto, afim de que ninguém pudesse ver-lhe o rosto.
- Porque a trouxe para cá?- disse Juan tomando um gole de wiskyque desceu queimando sua garganta. Ele estava muito sério e o homem sabia que a presença da moça o irritava.
- Tive que trazê-la afinal, você não iria até ela.
- Se não iria é porque não quero vê-la.
- Não fale assim... – disse a moça
- Não me dirija a palavra – disse Juan agora fitando os belos olhos castanhos que eram idênticos aos seus.
- Juan peço que fale com ela.
- É uma bastarda!! – ele bateu o copo com força sobre a mesa, nenhum dos olhos presentes ousou fitar Juan – Me enoja...
- Como pode falar assim. Afinal ela é sua...
- Ela não é nada. Amaldiçôo o dia em que soube de sua existência, só me trouxe desgosto.
- Tem que lhe dar ao menos uma chance – agora o homem também estava irritado – Olhe pra mim seu moleque – Juan obedeceu olhando-o com  raiva por fazer-lhe passar por aquilo – Você vai ao menos ouvi-la.
- Não , não vou.
- Você pode ser grande coisa para esses homens que aqui estão, mas, pra mim não passa de um garoto estúpido – disse olhando nos olhos de Juan – Sua mãe deve rolar no túmulo por ter trocado a vida com um homem como você. No que está se tornando? No que?
A fúria de Juan subiu-lhe às veias, logo, transparecendo-lhe nas faces e explodindo em seu cérebro. Ele, sem pensar,agarrou o homem pelo colarinho.
- Não ouse falar da minha mãe na presença dessa bastarda.
- Vai me bater garoto?
- Não – disse soltando o homem – Mas, bem que deveria. Ela não merece nada. Deveria ter morrido com a maldita da mãe dela...
- Chega!! – disse a moça se levantando com as faces repletas de lágrimas – Não ficarei aqui ouvindo seus insultos Sr Hernandez, não preciso de sua piedade, se é morta que me desejas, é morta que me verá. – E saiu da cantina correndo, batendo aporta atrás de si.
- Não te reconheço garoto – e dizendo isso o homem se levantou e correu para alcançar a moça.


O jardim dos Hausman era o maior do toda cidade. No próprio jardim havia um conjunto de arvores que tornava o local, um bosque. Proximo a este pequeno bosque, Jeffrey caminhava com sua mãe, Victoria.
Jeffrey se sentia bem ao lado dela. Ela sempre lhe dera apoio e demosntrava grande amor pelo filho. O que podia fazer para agrada-la, fazia. Em troca de toda compreensão e carinho que recebia.
- Meu filho, tenho notado que andas abatido. Desde o dia de seu aniversario.O que o perturba?
- não sei minha mãe – disse ele colocando a Mao dela sobre o braço dele – Acreditas mesmo que deva me casar com Veronica?
-  Ora por certo, claro que sim – disse ela sorrindo com certa malícia nos olhos – Afinal não é só de uma família respeitada, é rica, muito bem criada e belíssima.
- Não queria apressar tanto as coisas...
- Ora e porque não meu filho? Já estas em idade de se casar e ela também.
- Sim, eu sei.
- O que há Jeffrey?
- Não há nada mamãe. Não há nada.
- Pedira a mão dela?
- Por certo que sim.


Bianca e Victor eram amigos desde pequenos. Victor era o único homem a quem Bianca permitia se aproximar. Ambos cavalgavam, neste momento, pelos imensos campos verdes, apostando corrida, sorrindo e conversando. Pararam no castelo em ruínas e se sentaram na grama após amarrarem os cavalos.
- Victor – disse ela olhando para o céu –porque ainda não se casou?
- Não encontrei ninguém ainda...e você Bianca?
- Não me interesso por ninguém. Nossa, esse lugar é realmente lindo não?
- Sim, é realmente lindo.
- Soube que seu amigo foi embora, é verdade?
- Juan?
- Sim.
- Voltou para a Espanha, tinha alguns assuntos a resolver mas, volta logo.
- Ele é de lá?
- Sim, mas, não vive muito tempo longe daqui.
- Ora não é possível que ele goste mais daqui do que de sua terra natal.
- E porque não?
- Não sei, é como pai e mãe acredito eu. Penso que não importa quão bom ou mal sejam seus pais, você sempre ira ama-los.
- Juan ama sua terra sim, disso tenho certeza, mas, acredito que há outras coisas nessa terra que o fazem precisar dela mais do que a outra.
- Ora, e o que seria? Um grande amor?
- Sim, exatamente isso minha amiga.
- Sr Juan esta apaixonado por alguém daqui?
- Sim, está.
- Ora e por quem seria? – disse Bianca curiosa
- Sinto muito minha amiga, mas, deste segredo não poderei compartilhar.
- Eu entendo Victor, não é seu...é dele...uma pena, pois adoro historias de amor. E ela? O ama?
- Ai é que está o grande ponto Bianca, eu não acredito. Sigo sua historia desde o inicio, e posso ate jurar, que ela se casa com outro.
- Ora que terrível. Ele me parece ser tão bom.
- Oh sim e é. Mas a senhorita por quem Juan se apaixonou ama outra coisa mais do que a ela mesma.
Bianca fitou Victor na esperança que ele continuasse a frase.
- Dinheiro Bianca...ela ama muito mais o dinheiro.
- Mas Juan tem uma vida estável. Pode lhe oferecer muito conforto. Mais do que qualquer outro, que bem sei.
- Não mais do que os Hausman...- disse Victor pensando alto.
- Hausman!! Esta Srta so pode ser louca...os Hausman!? Nossa! Ela deve ser importante.
- E é...a família dela é conceituadíssima.
- Pobre Juan...deve ser horrível para ele.
- Não Bianca, será horrível para ele. Ele nem imagina tudo que lhe digo.
- Ora, não é seu amigo. Não lhe precaveu deste desgosto?
- Tentei, mas, Juan só ouve e vê sua Srta. Mais ninguém.

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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011 | By: Thais Cabeza

V

Bianca estava sentada à mesa com sua mãe que bordava.
- Mamãe – disse ela já corando – O que achou do rapaz que esteve aqui esta manhã?
- Jeffrey?
Bianca nem se dera conta, não sabia o nome do estranho, era engraçado, pois parecia que sempre soubera.
- Então é esse o nome dele...
- Hum...-sorriu a mãe – Me pareceu um bom rapaz. É de classe altíssima logo se vê. Não entendo o que um rapaz como ele fazia por essas bandas.
- Deve ter se perdido...vê-se logo que é um imbecil...
- Ora minha querida – sorriu a mãe continuando sua costura – Se tem uma coisa que eu sei é que você não o acha um imbecil.
- Acho sim...é um imbecil diferente...
- Oh não...oh não...-disse a mãe largando o bordado
- O que houve? O que eu disse?
- Filha...nunca se aproximou de homem nenhum e jamais confiou em algum dos pretendentes que te bateram à porta. Sempre me fizeste acreditar que jamais se casaria...mas, ele não Bianca! Este não!
- Mãe não quero nada com Jeffrey...
- Oh meu bem, não tente me enganar...não tente se enganar...conheço você tão bem...e vi quando entrou esbravejando por aquela porta, que estavas apaixonada. Não é ódio o que tens aí minha pequena.
- Ora seja mamãe. Eu...eu não...
- Tantos homens bons e tão bonitos já passaram por aqui querendo desposá-la...você nunca quis nada...deixar-se apaixonar justo por um rapaz como este...de um nível social tão alto...Se afaste dele Bianca, por favor – disse a mãe quase em súplica – Se afaste enquanto é tempo...
- Não entendo quão grande problema Jeffrey poderia me trazer...- disse Bianca carinhosa
- Meu amor, ele pode até ser um bom moço, mas, pessoas como ele não são livres, têm que se casar com quem é do mesmo nível deles, eu sinto muito filha, mas, não quero vê-la sofrer, jamais. E lhe garanto que é só o que ele pode lhe trazer.
- Sim sra. Eu entendo agora mamãe...eu me afastarei dele...
- Não quero que mude seu jeito de ser querida, só não quero que se engane.
- Não se preocupe mamãe, não sofrerei por ele...jamais.
- Sei que não meu bem...vá se deitar, já é tarde.
- Sim mamãe, com licença – Bianca se levantou e arrumou a cadeira onde estava sentada e virando-se para ir para seu quarto segurou o batente e voltou seu rosto para a mãe – Mamãe ...eu beijei Jeffrey...
A mãe baixou os olhos. Olhou para Bianca e sorriu levemente.
- Está tudo bem...
- Boa noite.
- Boa noite meu anjo.
Bianca foi para seu quarto e ao entrar fechou a porta. Se viu no espelho. Passou a escovar os cabelos lentamente. Se era bela não saberia dizer, não neste momento, quando via o reflexo de Jeffrey no espelho com o dorso nu, mostrando sua musculatura perfeita. Colocou a escova de lado e trocou a roupa por uma camisola. Neste momento, viu a camisa de Jeffrey sobre a cama, tomou-a nas mãos e sentiu o perfume de uma essência desconhecida, porém maravilhosa para ela. Deitou-se abraçada à camisa e novamente apertou-a ao rosto para sentir-lhe o perfume “deixar-se apaixonar justo por um rapaz como este...de um nível social tão alto...” Bianca olhou para a camisa e viu nela o olhar de Jeffrey ao se aproximar para beijá-la, ela sorriu até que as lembranças das palavras de sua mãe a feriram como uma faca “como ele não são livres, têm que se casar com quem é do mesmo nível deles...” “..., não quero vê-la sofrer...” Ela desviou o olhar como se a camisa a ferisse e colocando-a embaixo da cama abraçou o travesseiro tentando adormecer.


O jantar havia terminado, após conversarem sobre negócios, dinheiro e grandes famílias, homens e mulheres se dividiram em salas separadas, mas, conversavam sobre o mesmo assunto.
- Estávamos a pensar, filho, unir as duas famílias seria bom para ambas às partes – disse Alfred Hausman após tragar um charuto com orgulho – E há de convir que, com todo respeito – disse olhando para o pai de Verônica - milady Verônica é encantadora.
- Pensei hoje mesmo nesse assunto, e acredite, que serei um homem de grande sorte se me casar com a Srta Stollemberguer mas, há algo que receio, e creio que me darão razão.
- De que falas meu jovem? – perguntou irritado Sir Stollemberguer
- Oh me perdoe se o ofendi, não pretendia. Meu receio é assustar Srta Verônica propondo-lhe casamento tão apressadamente. Peço permissão para fazer-lhe a corte primeiramente.
- Creio que seu filho tem razão caro Alfred, seria propício esperar. Afinal para que apressarmos as coisas? Seu filho aceita a união, isso é o que mais importa.

Enquanto isso na outra sala, uma roda feminina tratava do mesmo assunto.
- Não podes negar que sir Jeffrey é realmente encantador, educado.se permitirmos que tenham mais proximidade poderia fazê-lo se apaixonar.
- Eu me felicitaria mais que qualquer pessoa minhas querida- disse Victoria Hausman segurando a mão de Verônica – Seria uma honra tê-la na família.
- Me deixam embaraçada – disse Verônica sorrindo – Estão me pedindo para enfeitiçar sir Jeffrey e não tenho tal poder.
- Ora, vamos, não se subestime – disse a mãe de Jeffrey – És tão bela e inteligente. Não percebe? Meu filho citou várias vezes que se assemelha a uma deusa.
- Sir Jeffrey lhe disse isso?
- Por certo que sim filha- disse a mãe de Verônica – Só que como um cavalheiro não te diria pessoalmente.
- Mas...
- Deixaremos Jeffrey lhe fazer a corte – disse Victoria
- Estou de completo acordo – completou a sra Stollemberguer
- Mas...
A noite acabou por se tornar exaustiva e os convidados se foram, despedindo-se polidamente dos Hausman.

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