Jeffrey sentado ao lado de sua irmã, conversava com os pais e com ela sorrindo. À pouco, havia mandado chamar um mensageiro, e este, estava a caminho.
- Fico tão feliz que tenha decidido ficar conosco minha filha – disse Lady Victoria – Temi que tivesse vocação para o sacerdócio.
- Oh não – disse Jane Hausman, como sempre, sorrindo – Vim para ficar, gostei do convento porém, não quero partilhar. Sentia tanta falta de minha família.
Neste momento o mensageiro entrou na sala:
- Com permissão Srs, fui solicitado.
- Sim, claro – Jeffrey pos-se de pé – Com licença Jane querida, temo precisar com certa urgência, retorno em breve – dizendo isso saiu da sala e o mensageiro o acompanhou.
Chegando em outra sala, Jeffrey tomou nas mãos dois envelopes em seu bolso.
- Tens de entregar este a Srta Stollemberguer ou ao pai dela – disse entregando um e dos envelopes – E este – Jeffrey segurava o envelope firmemente mostrando-o ao mensageiro – ninguém jamais deverá saber a quem foi destinado.
- Sim Sr, tens minha palavra.
- Sabes onde é a vila?
- Sim Sr.
- Pois quero que vá até lá. Veja se muda as vestes, pois, não quero que saibam que és meu mensageiro. Vá até a vila, e procure pela Srta Bianca Luchesi. Entregue somente a ela. Somente a ela – frisou Jeffrey
- Sim Sr.
- Entregue a ela, nem que tenha que bater-lhe à janela.
- Sim Sr.
- Então vá – o mensageiro já saia, quando Jeffrey disse – Traga-me uma resposta da Srta Luchesi, não importa o que ela diga, quero uma resposta.
- Sim Sr.
Jeffrey o viu partir. Voltou à sala.
Verônica estava em seu quarto e olhava para o jardim através de sua janela. Usava um vestido creme de cetim, a saia, delicadamente armada onde subia da cintura aos seios bem justo. O grande decote era bordado de pérolas. Segurava um leque na mão direita e abanava-se constantemente a espera de Sir Jeffrey, que a levaria à opera. Não queria de modo algum ir á opera com ele. Apesar de adorar sua companhia, hoje, se sentia mal, estava com dores de cabeça, e não conseguia parar de pensar em Juan.
Agora a saudade já não era como antes, estranhava, ela era bem menor. Pensou que talvez não o amasse tanto como imaginou. Isso não era, de todo, mal, pensou ela, pelo menos, não lhe doía tanto o fato de te-lo deixado partir. Sentia sua falta, mas, conseguia ser forte ao apartar-se dele, talvez, fosse melhor realmente. Talvez, ele, lá em sua terra, já estivesse com outra e nem se lembrasse mais dela. O que Verônica não percebeu de pronto, era que seus olhos estavam marejados de lágrimas e que na realidade, sofreria se o perdesse.
Ouviu baterem à porta. Assustou-se. Correu ao espelho e secou as lágrimas. Abriu aporta, seu pai entrou com um envelope nas mãos.
- Filha, sir Jeffrey pede desculpas, mas, não poderá acompanhá-la até a ópera hoje, sua irmã acaba de chegar de Londres, ele sente muito.
- Tudo bem papai, afinal, não desejava ir. Estou exausta, foi bom ele enviar o recado.
- Não está zangada?
- De forma alguma.
- Bom, creio que seja melhor que durma um pouco.
- Sim, obrigada papai, e boa noite.
- Boa noite filha...descanse.
A sra Luchesi estava na cozinha terminando seu bordado, até que percebeu que o sono já dava o ar da graça. Dirigiu-se à seu quarto e no meio do caminho viu que a porta do quarto de Bianca estava aberta. Observou-a. Bianca estava adormecida e a janela do quarto entreaberta, permitindo que a luz da lua invadisse o aposento. Sorriu e fechando a porta dirigiu-se para seu quarto.
Após alguns minutos Bianca despertou com um barulho que vinha do outro lado da janela. Assustada, tomou o lençol e se envolveu nele. Levantou-se e foi até a janela receosa.
Os cabelos ondulados, caiam-lhe pelos ombros e pelas costas, o lençol, envolto por cima da camisola cobria-lhe todo corpo. O que deu a impressão ao mensageiro, de estar frente à uma santa. Este, se assustou, nunca vira ser humano tão belo, num impulso, ajoelhou-se. Bianca sentiu um misto de raiva e carinho, não sabia se fechava a janela ou se sorria. Imaginou ser um louco.
- Srta Luchesi?
- Quem és tu?
- Um mensageiro.Vim entregar-lhe um bilhete e preciso levar a resposta a meu senhor.
- Ora, isso é alguma brincadeira?
- Não...veja- disse ele entregando-lhe o envelope – É de sir Hausman.
Dizendo isso, os olhos de Bianca arregalaram-se e ela deixou o envelope ir ao chão.
- H...Hausman?
- Sim Srta.
- Jeffrey?...é Jeffrey Hausman?
- Sim Srta.
Bianca recobrou os sentidos e permitiu que a raiva lhe invadisse.
- Não lerei tal bilhete, leve de volta – disse entregando ao mensageiro – e diga a seu Sr que pare de me importunar. Diga-lhe que não quero vê-lo nem lhe falar.
- Srta eu imploro que leia, se não, eu haverei de pagar.
Ela o observou e seus olhos se encheram de pena.
- Está bem, mas, esteja certo que faço por ti, porque me pediu.
- Sim Srta. Estou certo disto.
Ela abriu o envelope e leu o que estava escrito no papel. Ela sorriu e com os olhos cheios de lágrimas respirou fundo e olhou para o céu. Dobrou o bilhete. Olhou para o mensageiro e disse:
- Diga ao seu Sr que não. Diga-lhe que esqueça de minha existência.
- Sim Srta, muito obrigado. Darei a resposta.
- Adeus – dizendo isso fechou a janela, mas, naquela noite não pode mais dormir.
1 comentários:
Oi Thais,
Obrigada pelo comentário no Moda de Subculturas.
Sabia que a vida para as mulheres naquela época era muito difícil? Leia as 3 postagens sobre o século XIX lá no blog ;)
Acho muito melhor usar essas roupas nos dias de hoje, dá sim! Temos a liberdade, ninguém vai te internar não, fica sossegada.
Vc já ouviu falar dos picnics vitorianos e históricos? Dá uma procurada sobre eles lá no Blog. É sua chance de usar aquele tipo de roupa nos dias de hoje.
bjs!
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