Ele chegava em casa quando viu um alinda moça descer da carruagem, por um momento, se perguntou quem seria tal anjo, até que de um estalo, sua mente clareou, desceu do cavalo e correu até ela, que vendo-o, deixou que as lágrimas lhe chegassem aos olhos transbordando pelas faces. Eles se abraçaram violentamente, tomados de uma grande vontade de sustentar a felicidade há tanto tempo perdida, por causa da grande saudade que os invadira.
Ele a rodopiou no ar enchendo-lhe de beijos pelas faces, ela ria alto abraçando-o. Depois ele as colocou no chão e a fitou nos olhos, que eram os mesmos, que eram idênticos aos seus.
- Como está bela! Tao linda..tao linda.
- Oh Jef, senti tanto a sua falta, está tão homem, esta tão bonito...oh meu irmão que saudade.
- Senti tanto a sua falta...
- Eu também, mas, ora, onde estão todos? Mamãe, papai, quero ver até, dona Agnes, a cozinheira.
- estão lá dentro todos eles, venha vamos vê-los- e tomando-a nos braços levou-a para dentro de casa.Ela ria.
- Estás maluco por certo.
- Feliz!! Muito feliz!!
Quando ele abriuos olhos já entardecia. Olhou para a janela e viu que o céu tornava-se já, parcialmente, escuro. A cabeça ainda doía muito, mas, não como antes, estava bem melhor. Percebeu que havia um pano úmido em sua testa e que estava sem roupa por baixo de muitas cobertas. Tentou se levantar mas, fora inútil, reconheceu que estava muito fraco e decidiu ficar onde estava.Tentou virar o pescoço mas, sua cabeça latejou e acabou por desistir de se mover. Ouviu passos e se deu conta de que havia mais alguém no quarto e que, esta pessoa, se aproximava. Fechou rapidamente os olhos. Sentiu uma leve mão fria tocar-lhe o rosto, depois retirar o pano de sua testa, logo, recolocando outro, mais frio que o primeiro. Abriu os olhos, e o que viu foram dois grandes seios sobre o seu rosto, sorriu maliciosamente, pensando em quem seria a dona de tão belo corpo, mas, logo tornou-se frio e cheio de ódio ao ver que era Odessa.
- Me...arrrrrggggggg- gemeu ele ao tentar expulsá-la
- Cale-se! – sussurrou ela – Não gritarei contigo por respeito a sua dor de cabeça, mas, se me irritar, farei um escândalo e acabará por enlouquecer.
Ele nada disse, não porque iria obedecê-la, mas, não conseguia se mover direito, e acabaria fazendo papel de idiota.
- eu não sei o que pensou...- disse ela ainda numa voz calma e melodiosa, sentando-se ao lado dele.- Choveu tanto à noite Juan, não poderia ao menos ter fechado a janela? E convenhamos, duas garrafas de tequila? Poderias ter morrido com essa mistura...tem que se cuidar.
- Odessa...- disse ele num murmúrio quase inaudível – cale...cale-se...
- Nunca irá gostar de mim não é Juan? – disse ela brincando com um pano que segurava nervosamente entre as mãos – Nada foi minha culpa...eu nunca soube de nada, nunca lhe menti, dizia o que me haviam contado.
Ele virou a cabeça para o lado, esta latejou, mas, já não se importava, não poderia olhar para ela.
- Porque não olha para mim? – ela tentou buscar os olhos dele enquanto os seus se enchiam de lágrimas – Me xingue, me odeie, mas, não me repudie, por favor, estou cansada de ver todos dessa cidade virarem o rosto quando passo, ou ser maltratada nas vendas, ser repudiada por todo o povo...eu até poderia aceitar isso Juan, contanto que você falasse comigo, não me desprezasse...não finja que não estou aqui.
- Saia.
Ela nada disse, somente se levantou e enxugando as lágrimas foi até a cômoda onde molhou e torceu o pano que estava em sua mão.
Ele virou o rosto e olhou para ela, que, de costas, não pode ver quando de seus olhos também rolou uma lágrima.
Bianca entrara em casa. Sua mãe, cozinhava alguma coisa no fogão. Viu Bianca entrar e ir para o quarto sem ao menos dizer uma palavra. Seguiu a filha.
Bianca estava frente a janela e olhava ao longe.
- Querida...posso entrar?
- Claro mamãe – disse Bianca sorrindo para ela – Precisa de ajuda?
- Não meu bem, mas, creio que você sim.
- Oh mamãe – Bianca a abraçou – Se soubesses...
- O que pensas que não sei meu anjo?
- E quem há de conseguir enganar o coração de uma mãe?
- Senta meu bem.
Ambas sentaram na cama de Bianca, frente a frente.
- Não sou um anjo muito bom não é?
- Oh sim, o melhor que já existiu.
- E porque erro tanto? Tento ser melhor e fazer o que é correto mas...
- Está fora de seu controle meu amor...ah mas, que destino esse...
- Eu o vejo sempre mamãe, fujo, mas, quanto mais corro para longe, mais me aproximo...nao tenho culpa...
- Eu sei minha querida, conheço-te bem para saber o que dizes...
- Ele jamais trocaria a glória dele por mim...sei que não deveria ter esperanças..
- Se ele sentisse o mesmo que sentes...ele trocaria sim.
- Acreditas mesmo mamãe. Acreditas que ele pode um dia trocar tudo por mim?
- Não sei meu bem, não o conheço suficiente, o que sei, é que não quero ver-te sofrer, o que sei é que não quero dar-te esperanças. Quem dera poder te guardar aqui dentro do meu peito para que ninguém jamais te fizesse mal...
Bianca abraçou a mãe. Não era justo trazer sofrimento a alguém que a amava tanto.
- Tentarei não pensar sobre isso. Ficarei em casa por alguns dias. Não quero sair. Não quero correr riscos...
- Faça como achar melhor Bianca, estou aqui, do seu lado, sempre.
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