Bianca caminhava pelo bosque. Pensava em Jeffrey e no porquê de se apaixonar justamente por um homem de seu nível social. O destino não estava sendo justo com ela. Tantos pretendentes lhe apareceram e nunca sentiu seu coração bater assim, ficar sem ar, perder o controle da mente e dos atos. Ouviu passos de cavalo. Sabia que era ele. Não vira o cavaleiro, mas, sentia que era ele. Tentou se esconder mas, já era tarde. Jeffrey já a havia visto.
Ele desceu do cavalo e andou em direção a ela. Era impressionante a força que emanava dos olhos dele, ela não podia desvencilhar, pelo contrario, seus olhos se prendiam totalmente, sem nenhuma chance de defesa. Ele chegou frente a ela.
- Não sei o que fazes...tento descobrir mas, não consigo...sabia que estarias aqui...e por isso vim...porque te ouvi chamar meu nome.
- Pois não o chamei em momento algum, e se soubesse que estarias aqui, já teria partido há muito tempo. Vá embora.
- Não. Ora, não percebe o que há? Não é possível. Não tenho mais controle sobre mim...você me controla, me persegue noite e dia, tento fugir de ti mas, cada passo que dou para longe me traz sempre à tua frente.
Bianca viu em Jeffrey seu próprio tormento. Sentiu como se aquelas fossem suas palavras. E por um segundo baixou os olhos.
- O que anda acontecendo comigo Bianca? Me responde...
- Já não sei o que acontece conosco Jeffrey...
Então Jeffrey entendeu que Bianca era tão inocente quanto ele. Que ninguém havia planejado nada.
Bianca olhou-o nos olhos mais uma vez e fez menção de ir. Mas, ouviu a voz de Jeffrey
- Fique...- disse ele quase numa súplica
Ela o olhou querendo mais que tudo ficar ali com ele, não pode responder, ficou ali, olhando nos olhos dele. Ele a puxou delicadamente para perto de si e como ela não recuou, sem medo, passou a Mao envolta da cintura dela trazendo-a mais próxima possível, e ainda, olhando-a nos olhos, se inclinou calmamente e beijou-a nos lábios com um carinho extremo. Bianca não pensou, passando a mão inocentemente pelo peito de Jeffrey fez com que ele estremecesse e passasse a beijá-la com paixão, ela pousou suas duas pequenas mãos sobre o pescoço dele e não teve mais medo, deixou-se levar pela magia do momento.
Na cantina Paolo e Pietro conversavam sobre Juan.
- Acha mesmo que ele nunca perdoará Odessa tio? – perguntou o menino que limpava o balcão – Afinal, me parece que ele a odeia.
- Mas, ela o ama. Não vê, ele se embebedou à noite, e com aquela janela aberta acabou por tomar toda aquela chuva da madrugada...ficou no estado em que esta. Odessa não deixou ninguém entrar no quarto, está lá cuidando dele. E sabe porque? Porque tem um coração de ouro, porque não puxou nem ao pai e nem a mãe...mas, tomou para si o exemplo de Juan. Deus o ajude. Porque a teimosia que ela tem herdou dele também.
- Sim, ela está lá cuidando dele e não deixa ninguém entrar, trancou a porta e disse que só sai de lá quando o capitão estiver bom.
- Eu a admiro por isso, e peço que a deixem em paz. Somente se houver alguma discussão corram para lá, não quero que ele a magoe.
- Sim Sr.
Bianca e Jeffrey se olhavam sem saber o que dizer, permaneciam abraçados. Ela começou a se sentir envergonhada e ruborizou de repente, tentou delicadamente se afastar mas, Jeffrey apertou-a contra si.
- Não vá por favor...
- Não posso ficar...
- Pode e quer. Não entendo porque faz isso.
- Se eu ficar será pior. Sei que será. É melhor que eu me vá e que nunca mais nos vejamos. Será melhor para ambos.
- Não entendo como diz tantas tolices depois do que passamos aqui...
Não podia deixá-la partir. Sabia que precisava da presença dela mais do que já precisara de qualquer coisa.
- Por favor Jeffrey, me ouça... – disse ela agora libertando-se dos braços dele
- Não. Me ouça você. O que tem? Não pode sair dessa maneira...nao será melhor para ninguém...eu sei...
- Pode me dizer qualquer coisa Jeffrey, o que queira, nada me fará ficar, nada...as pessoas de sua classe não se misturam com os da minha. O Sr nunca entendera o que sinto. O Sr não nasceu para amar, o Sr nasceu para fazer com que o nome de sua família prossiga honrado e enriqueça cada vez mais. Por isso não se iluda...e não tente me iludir, vá embora e fiquemos em paz...Nao brinque com esse tipo de sentimento somente por um capricho – dizendo isso, brotaram lágrimas em seus olhos, então Bianca teve certeza que não era só paixão o que a prendia a Jeffrey – Adeus... e não me siga.
Ele só a observou partir sem saber o que fazer. Vagarosamente, se pegou voltando para casa.
Uma carruagem seguia a caminho da cidade, era levada por quatro cavalos de belo porte. O interior da carruagem era adornado em veludo vermelhocom bordados em ouro. Seguiam dentro dele somente uma dama que viera em companhia de sua criada, porem, esta ficara muito doente e morrera na viagem. A dama que viajava nessa carruagem tinha um ar delicado como de um anjo, assim como seu caráter e suas atitudes. Voltava de um convento onde estudara por nove anos. À pouco havia completado dezessete anos e ao completar se formou nos estudos do convento e decidira voltar para casa.
Tinha a cintura delgada como a de sua mãe, os olhos verdes como os de seu pai, e estava sempre corada , dando um toque especial ao rosto delicado. Estava vestida de veludo num castanho escuro, pelas suas vestes se notava que era moça de alta classe . Os cachos castanho escuro caiam-lhe sobre os ombros caíam-lhe sobre o colo numa cascata, esondendo o que o decote de seu vestido teimava em mostrar.
Há poucos dias havia escrito à mãe contando que estava de regresso para ficar. Sabia que não demoraria a chegar em casa. O que mais a felicitava neste momento era saber que seu irmão estaria lá a sua espera. Soube que ele pretendia se casar, e antes que o mesmo ocorresse, antes que a afortunada viesse lhe tirar tão bom presente, ela queria matar a saudade.
Viu pela janela da carruagem sua casa ao longe, e seu coração pulsou descompassado.
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