terça-feira, 15 de fevereiro de 2011 | By: Thais Cabeza

XIV

Jeffrey sentado ao lado de sua irmã, conversava com os pais e com ela sorrindo. À pouco, havia mandado chamar um mensageiro, e este, estava a caminho.
- Fico tão feliz que tenha decidido ficar conosco minha filha – disse Lady Victoria – Temi que tivesse vocação para o sacerdócio.
- Oh não – disse Jane Hausman, como sempre, sorrindo – Vim para ficar, gostei do convento porém, não quero partilhar. Sentia tanta falta de minha família.
Neste momento o mensageiro entrou na sala:
- Com permissão Srs, fui solicitado.
- Sim, claro – Jeffrey pos-se de pé – Com licença Jane querida, temo precisar com certa urgência, retorno em breve – dizendo isso saiu da sala e o mensageiro o acompanhou.
Chegando em outra sala, Jeffrey tomou nas mãos dois envelopes em seu bolso.
- Tens de entregar este a Srta Stollemberguer ou ao pai dela – disse entregando um e dos envelopes – E este – Jeffrey segurava o envelope firmemente mostrando-o ao mensageiro – ninguém jamais deverá saber a quem foi destinado.
- Sim Sr, tens minha palavra.
- Sabes onde é a vila?
- Sim Sr.
- Pois quero que vá até lá. Veja se muda as vestes, pois, não quero que saibam que és meu mensageiro. Vá até a vila, e procure pela Srta Bianca Luchesi. Entregue somente a ela. Somente a ela – frisou Jeffrey
- Sim Sr.
- Entregue a ela, nem que tenha que bater-lhe à janela.
- Sim Sr.
- Então vá – o mensageiro já saia, quando Jeffrey disse – Traga-me uma resposta da Srta Luchesi, não importa o que ela diga, quero uma resposta.
- Sim Sr.
Jeffrey o viu partir. Voltou à sala.


Verônica estava em seu quarto e olhava para o jardim através de sua janela. Usava um vestido creme de cetim, a saia, delicadamente armada onde subia da cintura aos seios bem justo. O grande decote era bordado de pérolas. Segurava um leque na mão direita e abanava-se constantemente a espera de Sir Jeffrey, que a levaria à opera. Não queria de modo algum ir á opera com ele. Apesar de adorar sua companhia, hoje, se sentia mal, estava com dores de cabeça, e não conseguia parar de pensar em Juan.
Agora a saudade já não era como antes, estranhava, ela era bem menor. Pensou que talvez não o amasse tanto como imaginou. Isso não era, de todo, mal, pensou ela, pelo menos, não lhe doía tanto o fato de te-lo deixado partir. Sentia sua falta, mas, conseguia ser forte ao apartar-se dele, talvez, fosse melhor realmente. Talvez, ele, lá em sua terra, já estivesse com outra e nem se lembrasse mais dela. O que Verônica não percebeu de pronto, era que seus olhos estavam marejados de lágrimas e que na realidade, sofreria se o perdesse.
Ouviu baterem à porta. Assustou-se. Correu ao espelho e secou as lágrimas. Abriu aporta, seu pai entrou com um envelope nas mãos.
- Filha, sir Jeffrey pede desculpas, mas, não poderá acompanhá-la até a ópera hoje, sua irmã acaba de chegar de Londres, ele sente muito.
- Tudo bem papai, afinal, não desejava ir. Estou exausta, foi bom ele enviar o recado.
- Não está zangada?
- De forma alguma.
- Bom, creio que seja melhor que durma um pouco.
- Sim, obrigada papai, e boa noite.
- Boa noite filha...descanse.


A sra Luchesi estava na cozinha terminando seu bordado, até que percebeu que o sono já dava o ar da graça. Dirigiu-se à seu quarto e no meio do caminho viu que a porta do quarto de Bianca estava aberta. Observou-a. Bianca estava adormecida e a janela do quarto entreaberta, permitindo que a luz da lua invadisse o aposento. Sorriu e fechando a porta dirigiu-se para seu quarto.
Após alguns minutos Bianca despertou com um barulho que vinha do outro lado da janela. Assustada, tomou o lençol e se envolveu nele. Levantou-se e foi até a janela receosa.
Os cabelos ondulados, caiam-lhe pelos ombros e pelas costas, o lençol, envolto por cima da camisola cobria-lhe todo corpo. O que deu a impressão ao mensageiro, de estar frente à uma santa. Este, se assustou, nunca vira ser humano tão belo, num impulso, ajoelhou-se. Bianca sentiu um misto de raiva e carinho, não sabia se fechava a janela ou se sorria. Imaginou ser um louco.
- Srta Luchesi?
- Quem és tu?
- Um mensageiro.Vim entregar-lhe um bilhete e preciso  levar a resposta a meu senhor.
- Ora, isso é alguma brincadeira?
- Não...veja- disse ele entregando-lhe o envelope – É de sir Hausman.
Dizendo isso, os olhos de Bianca arregalaram-se e ela deixou o envelope ir ao chão.
- H...Hausman?
- Sim Srta.
- Jeffrey?...é Jeffrey Hausman?
- Sim Srta.
Bianca recobrou os sentidos e permitiu que a raiva lhe invadisse.
- Não lerei tal bilhete, leve de volta – disse entregando ao mensageiro – e diga a seu Sr que pare de me importunar. Diga-lhe que não quero vê-lo nem lhe falar.
- Srta eu imploro que leia, se não, eu haverei de pagar.
Ela o observou e seus olhos se encheram de pena.
- Está bem, mas, esteja certo que faço por ti, porque me pediu.
- Sim Srta. Estou certo disto.
Ela abriu o envelope e leu o que estava escrito no papel. Ela sorriu e com os olhos cheios de lágrimas respirou fundo e olhou para o céu. Dobrou o  bilhete. Olhou para o mensageiro e disse:
- Diga ao seu Sr que não. Diga-lhe que esqueça de minha existência.
- Sim Srta, muito obrigado. Darei a resposta.
- Adeus – dizendo isso fechou a janela, mas, naquela noite não pode mais dormir.


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011 | By: Thais Cabeza

XIII

Ele chegava em casa quando viu um alinda moça descer da carruagem, por um momento, se perguntou quem seria tal anjo, até que de um estalo, sua mente clareou, desceu do cavalo e correu até ela, que vendo-o, deixou que as lágrimas lhe chegassem aos olhos transbordando pelas faces. Eles se abraçaram violentamente, tomados de uma grande vontade de sustentar a felicidade há tanto tempo perdida, por causa da grande saudade que os invadira.
Ele a rodopiou no ar enchendo-lhe de beijos pelas faces, ela ria alto abraçando-o. Depois ele as colocou no chão e a fitou nos olhos, que eram os mesmos, que eram idênticos aos seus.
- Como está bela! Tao linda..tao linda.
- Oh Jef, senti tanto a sua falta, está tão homem, esta tão bonito...oh meu irmão que saudade.
- Senti tanto a sua falta...
- Eu também, mas, ora, onde estão todos? Mamãe, papai, quero ver até, dona Agnes, a cozinheira.
- estão lá dentro todos eles, venha vamos vê-los- e tomando-a nos braços levou-a para dentro de casa.Ela ria.
- Estás maluco por certo.
- Feliz!! Muito feliz!!


Quando ele abriuos olhos já entardecia. Olhou para a janela e viu que o céu tornava-se já, parcialmente, escuro. A cabeça ainda doía muito, mas, não como antes, estava bem melhor. Percebeu que havia um pano úmido em sua testa e que estava sem roupa por baixo de muitas cobertas. Tentou se levantar mas, fora inútil, reconheceu que estava muito fraco e decidiu ficar onde estava.Tentou virar o pescoço mas, sua cabeça latejou e acabou por desistir de se mover. Ouviu passos e se deu conta de que havia mais alguém no quarto e que, esta pessoa, se aproximava. Fechou rapidamente os olhos. Sentiu uma leve mão fria tocar-lhe o rosto, depois retirar o pano de sua testa, logo, recolocando outro, mais frio que o primeiro. Abriu os olhos, e o que viu foram dois grandes seios sobre o seu rosto, sorriu maliciosamente, pensando em quem seria a dona de tão belo corpo, mas, logo tornou-se frio e cheio de ódio ao ver que era Odessa.
- Me...arrrrrggggggg- gemeu ele ao tentar expulsá-la
- Cale-se! – sussurrou ela – Não gritarei contigo por respeito a sua dor de cabeça, mas, se me irritar, farei um escândalo e acabará por enlouquecer.
Ele nada disse, não porque iria obedecê-la, mas, não conseguia se mover direito, e acabaria fazendo papel de idiota.
- eu não sei o que pensou...- disse ela ainda numa voz calma e melodiosa, sentando-se ao lado dele.- Choveu tanto à noite Juan, não poderia ao menos ter fechado a janela? E convenhamos, duas garrafas de tequila? Poderias ter morrido com essa mistura...tem que se cuidar.
- Odessa...- disse ele num murmúrio quase inaudível – cale...cale-se...
- Nunca irá gostar de mim não é Juan? – disse ela brincando com um pano que segurava nervosamente entre as mãos – Nada foi minha culpa...eu nunca soube de nada, nunca lhe menti, dizia o que me haviam contado.
Ele virou a cabeça para o lado, esta latejou, mas, já não se importava, não poderia olhar para ela.
- Porque não olha para mim? – ela tentou buscar os olhos dele enquanto os seus se enchiam de lágrimas – Me xingue, me odeie, mas, não me repudie, por favor, estou cansada de ver todos dessa cidade virarem o rosto quando passo, ou ser maltratada nas vendas, ser repudiada por todo o povo...eu até poderia aceitar isso Juan, contanto que você falasse comigo, não me desprezasse...não finja que não estou aqui.
- Saia.
Ela nada disse, somente se levantou e enxugando as lágrimas foi até a cômoda onde molhou e torceu o pano que estava em sua mão.
Ele virou o rosto e olhou para ela, que, de costas, não pode ver quando de seus olhos também rolou uma lágrima.


Bianca entrara em casa. Sua mãe, cozinhava alguma coisa no fogão. Viu Bianca entrar e ir para o quarto sem ao menos dizer uma palavra. Seguiu a filha.
Bianca estava frente a janela e olhava ao longe.
- Querida...posso entrar?
- Claro mamãe – disse Bianca sorrindo para ela – Precisa de ajuda?
- Não meu bem, mas, creio que você sim.
- Oh mamãe – Bianca a abraçou – Se soubesses...
- O que pensas que não sei meu anjo?
- E quem há de conseguir enganar o coração de uma mãe?
- Senta meu bem.
Ambas sentaram na cama de Bianca, frente a frente.
- Não sou um anjo muito bom não é?
- Oh sim, o melhor que já existiu.
- E porque erro tanto? Tento ser melhor e fazer o que é correto mas...
- Está fora de seu controle meu amor...ah mas, que destino esse...
- Eu o vejo sempre mamãe, fujo, mas, quanto mais corro para longe, mais me aproximo...nao tenho culpa...
- Eu sei minha querida, conheço-te bem para saber o que dizes...
- Ele jamais trocaria a glória dele por mim...sei que não deveria ter esperanças..
- Se ele sentisse o mesmo que sentes...ele trocaria sim.
- Acreditas mesmo mamãe. Acreditas que ele pode um dia trocar tudo por mim?
- Não sei meu bem, não o conheço suficiente, o que sei, é que não quero ver-te sofrer, o que sei é que não quero dar-te esperanças. Quem dera poder te guardar aqui dentro do meu peito para que ninguém jamais te fizesse mal...
Bianca abraçou a mãe. Não era justo trazer sofrimento a alguém que a amava tanto.
- Tentarei não pensar sobre isso. Ficarei em casa por alguns dias. Não quero sair. Não quero correr riscos...
- Faça como achar melhor Bianca, estou aqui, do seu  lado, sempre.
domingo, 13 de fevereiro de 2011 | By: Thais Cabeza

XII


Bianca  caminhava pelo bosque. Pensava em Jeffrey e no porquê de se apaixonar justamente por um homem de seu nível social. O destino não estava sendo justo com ela. Tantos pretendentes lhe apareceram e nunca sentiu seu coração bater assim, ficar sem ar, perder o controle da mente e dos atos. Ouviu passos de cavalo. Sabia que era ele. Não vira o cavaleiro, mas, sentia que era ele. Tentou se esconder mas, já era tarde. Jeffrey já a havia visto.
Ele desceu do cavalo e andou em direção a ela. Era impressionante a força que emanava dos olhos dele, ela não podia desvencilhar, pelo contrario, seus olhos se prendiam totalmente, sem nenhuma chance de defesa. Ele chegou frente  a ela.
- Não sei o que fazes...tento descobrir mas, não consigo...sabia que estarias aqui...e por isso vim...porque te ouvi chamar meu nome.
- Pois não o chamei em momento algum, e se soubesse que estarias aqui, já teria partido há muito tempo. Vá embora.
- Não. Ora, não percebe o que há? Não é possível. Não tenho mais controle sobre mim...você me controla, me persegue noite e dia, tento fugir de ti mas, cada passo que dou para longe me traz sempre à tua frente.
Bianca viu em Jeffrey seu próprio tormento. Sentiu como se aquelas fossem suas palavras. E por um segundo baixou os olhos.
- O que anda acontecendo comigo Bianca? Me responde...
- Já não sei o que acontece conosco Jeffrey...
Então Jeffrey entendeu que Bianca era tão inocente quanto ele. Que ninguém havia planejado nada.
Bianca olhou-o nos olhos mais uma vez e fez menção de ir. Mas, ouviu a voz de Jeffrey
- Fique...- disse ele quase numa súplica
Ela o olhou querendo mais que tudo ficar ali com ele, não pode responder, ficou ali, olhando nos olhos dele. Ele a puxou delicadamente para perto de si e como ela não recuou, sem medo, passou a Mao envolta da cintura dela trazendo-a mais próxima possível, e ainda, olhando-a nos olhos, se inclinou calmamente e beijou-a nos lábios com um carinho extremo. Bianca não pensou, passando a mão inocentemente pelo peito de Jeffrey fez com que ele estremecesse e passasse a beijá-la com paixão, ela pousou suas duas pequenas mãos sobre o pescoço dele e não teve mais medo, deixou-se levar pela magia do momento.



Na cantina Paolo e Pietro conversavam sobre Juan.
- Acha mesmo que ele nunca perdoará Odessa tio? – perguntou o menino que limpava o balcão – Afinal, me parece que ele a odeia.
- Mas, ela o ama. Não vê, ele se embebedou à noite, e com aquela janela aberta acabou por tomar toda aquela chuva da madrugada...ficou no estado em que esta. Odessa não deixou ninguém entrar no quarto, está lá cuidando dele. E sabe porque? Porque tem um coração de ouro, porque não puxou nem ao pai e nem a mãe...mas, tomou para si o exemplo de Juan. Deus o ajude. Porque a teimosia que ela tem herdou dele também.
- Sim, ela está lá cuidando dele e não deixa ninguém entrar, trancou a porta e disse que só sai de lá quando o capitão estiver bom.
- Eu a admiro por isso, e peço que a deixem em paz. Somente se houver alguma discussão corram para lá, não quero que ele a magoe.
- Sim Sr.


Bianca e Jeffrey se olhavam sem saber o que dizer, permaneciam abraçados. Ela começou a se sentir envergonhada e ruborizou de repente, tentou delicadamente se afastar mas, Jeffrey apertou-a contra si.
- Não vá por favor...
- Não posso ficar...
- Pode e quer. Não entendo porque faz isso.
- Se eu ficar será pior. Sei que será. É melhor que eu me vá e que nunca mais nos vejamos. Será melhor para ambos.
- Não entendo como diz tantas tolices depois do que passamos aqui...
Não podia deixá-la partir. Sabia que precisava da presença dela mais do que já precisara de qualquer coisa.
- Por favor Jeffrey, me ouça... – disse ela agora libertando-se dos braços dele
- Não. Me ouça você. O que tem? Não pode sair dessa maneira...nao será melhor para ninguém...eu sei...
- Pode me dizer qualquer coisa Jeffrey, o que queira, nada me fará ficar, nada...as pessoas de sua classe não se misturam com os da minha. O Sr nunca entendera o que sinto. O Sr não nasceu para amar, o Sr nasceu para fazer com que o nome de sua família prossiga honrado e enriqueça cada vez mais. Por isso não se iluda...e não tente me iludir, vá embora e fiquemos em paz...Nao brinque com esse tipo de sentimento somente por um capricho – dizendo isso, brotaram lágrimas em seus olhos, então Bianca teve certeza que não era só paixão o que a prendia a Jeffrey – Adeus... e não me siga.
Ele só a observou partir sem saber o que fazer. Vagarosamente, se pegou voltando para casa.


Uma carruagem seguia a caminho da cidade, era levada por quatro cavalos de belo porte. O interior da carruagem era adornado em veludo vermelhocom bordados em ouro. Seguiam dentro dele somente uma dama que viera em companhia de sua criada, porem, esta ficara muito doente e morrera na viagem. A dama que viajava nessa carruagem tinha um ar delicado como de um anjo, assim como seu caráter e suas atitudes. Voltava de um convento onde estudara por nove anos. À pouco havia completado dezessete anos e ao completar se formou nos estudos do convento e decidira voltar para casa.
Tinha a cintura delgada como a de sua mãe, os olhos verdes como os de seu pai, e estava sempre corada , dando um toque especial ao rosto delicado. Estava vestida de veludo num castanho escuro, pelas suas vestes se notava que era moça de alta classe . Os cachos castanho escuro caiam-lhe sobre os ombros caíam-lhe sobre o colo numa cascata, esondendo o que o decote de seu vestido teimava em mostrar.
Há poucos dias havia escrito à mãe contando que estava de regresso para ficar. Sabia que não demoraria a chegar em casa. O que mais a felicitava neste momento era saber que seu irmão estaria lá a sua espera. Soube que ele pretendia se casar, e antes que o mesmo ocorresse, antes que a afortunada viesse lhe tirar tão bom presente, ela queria matar a saudade.
Viu pela janela da carruagem sua casa ao longe, e seu coração pulsou descompassado.