domingo, 18 de dezembro de 2011 | By: Thais Cabeza

XVII

Era noite e a luz da lua iluminava esplendorosamente a pequena cidade inglesa. As montanhas pareciam se erguer cada vez mais, como se sentisse orgulho da luz que a lua lhes proporcionava. As casas estavam escuras e seus habitantes adormecidos. Eram pouco mais de onze da noite, quando um pequeno vulto saiu da vila a pé dirigindo-se ao bosque. O pequeno vulto andava rapidamente, pois era longo o caminho até seu destino. Chegando lá, olhou a sua volta e viu uma sombra próxima a arvore. Aos poucos a sombra se virou fitando o pequeno vulto, sorriu e se aproximou.
Bianca não conseguia olhá-lo nos olhos, sentia-se envergonhada demais, tudo que queria era sair correndo e se ver livre de tudo aquilo. Sentiu uma forte mão tomando a sua e beijando-a delicadamente.
Enquanto ele segurava a mão dela, tudo clareou em sua mente, sabia que não poderia fugir, precisava dela.
- Srta. Bianca, agradeço por ter vindo.
- Vim até aqui para que o sr saiba que...
- Não me diga que não quer me ver, que não deseja falar comigo. Está bem, não me olhe e nem fale comigo, apenas peço que me ouça.
- Sabe bem que eu não deveria estar aqui...
- Sim, eu sei. Prometo ser breve e deixa-la em casa.
- Não quero que me leve a lugar algum. Quero que me diga o que deseja e me deixe partir...
- Está bem – ele buscou seus olhos mas, não os pode encontrar – Pedi para que viesse, pois algo muito me preocupa.
- Ora, vá pedir conselhos a teu pai ou a algum amigo, não a mim.
- Não compreende? Se preciso lhe falar para que meu problema cesse é porque esse meu problema é com você.
- Comigo? – disse ela elevando os olhos e logo encontrando os dele.- Ora, e o que fiz?
- Isso é o que faz. Porque me olha assim? Porque faz com que eu fique a pensar em você a cada instante do meu dia?
- E-Eu não o faço! Juro que não...- ela se esforçava para compreender o que lhe era dito.
- Sim, sei que não é proposital mas, não entendo, quando me olha, não tenho mais controle sobre meus atos.
- Ora, não seja por isso, não olharei mais então – Bianca baixou os olhos, porém, Jeffrey delicadamente fez com que ela olhasse para ele novamente.
- Quero que me olhe...me faz bem.
- Mas, se há pouco...
- Para me recuperar precisaria nunca tê-la conhecido, mas, isso não é mais possível – disse ele acariciando-lhe o rosto – nunca mais serei o mesmo.
- Não posso acreditar no que diz, sei que mente, apesar de me parecer sincero, sei que mente.
- Não minto. Confesso que menti várias vezes, muitas...mas, não minto quando digo que preciso de você Bianca, que não consigo ficar sem pensar em você um só dia...
- Não vê que...que é só mais um capricho seu? Queira me perdoar Sr Hausman mas, só diz que me quer, pois, sabe que não terá. Teve tudo, sempre, mas, sua vida não vai acabar. Desista, não é a primeira coisa que não poderá conquistar.
- Não diga isso. Acredita realmente que sou tão frio? A ponto de vê-la como um desafio, um capricho? Confesso que, quando a procurei pela primeira vez e quando...quando a beijei pela primeira vez – dizendo isso ele a viu baixar os olhos novamente – Era tudo capricho mas, depois, você entrou no meu pensamento de uma tal forma...me fez sentir algo tão diferente...sei que preciso de você...você me faz querer acordar todos os dias, você me faz ser uma pessoa melhor.
- Não posso acreditar. – ela andava de um lado para outro
- Mas, quer. – Ele a segurou delicadamente – Talvez o que eu fale seja em vão, mas, eu não consigo e não quero tirá-la da minha mente,  eu te sinto a todo momento, como se estivesse tão perto ao ponto de poder tocá-la, não foi por acaso que entrou em meu jardim naquela noite...quisera eu que precisasse de mim tanto quanto preciso de você.
- Eu... – ela tremia e seu coração pulsava sem controle algum – É melhor que eu me vá...é tarde, quero dizer, por favor, me deixe ir... – não podia controlar as lágrimas e não queria que ele as visse – Quero ir, não deveria ter vindo...
- Não direi mais nada, pedi que me ouvisse e me ouviu, agradeço. Vá, quem sabe assim, eu a esqueça.
- É melhor...- ela  se virou e começou a voltar para casa secando as lágrimas – Oh Deus! – sussurrou ela.
Ele a via partir e não queria, algo dizia que ele deveria ir embora, mas uma voz mais alta, gritava com toda força que se ela partisse ele nunca saberia o que era ser feliz.
- Bianca! – gritou ele correndo em sua direção, fazendo com que seu grito ecoasse por todos os cantos, fazendo-a virar-se subitamente para ele – Não vá – disse ofegante – Diga o que precisa que eu faça para que acredite....
- Jamais – disse ela seriamente respirando fundo para conter a dor que as próprias palavras lhe infligiam  - Jamais irá querer magoar seus pais, eles não gostariam de vê-lo com uma pessoa como eu.
Ele ficou sem resposta. Ela sorriu sem graça e partiu

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Era como se nunca houvesse ocorrido uma discussão entre eles. Odessa e Juán estavam sentados na mesa da cantina e mal perceberam que o dia quase raiava.
- Eu adoraria, mas, quem cuidaria de tio Paolo? Ele não pode ficar sozinho.
- Ora, ele jamais ficaria sozinho, esses homens e garotos todos jamais permitiriam isso. – disse ele sorrindo- Está decidido, partes comigo amanhã.
- Juán...- disse Odessa baixando os olhos – E sua querida Verônica? O que dirá?
- Ela não pode sentir nada ruim a seu respeito, nem irá. Na verdade, não importa o que ela fale ou pense...
- Algum problema entre vocês?
- Não sei ao certo. Não tenho sentido a falta dela.
- Deve ser por causa de nossos antigos problemas, e outra, você ficou mal Juán.
- Eu não sei...as vezes penso que foi uma paixão, algo que queimou e passou...penso nas inúmeras vezes que pedi para que ela viesse comigo, ou para que me permitisse falar com seus pais...
- Não pense assim, espere revê-la, aí sim saberá o que sente.
- Ficamos tanto tempo a conversar que não demos conta da hora, veja, já é dia – riu ele
- E não é que é – riu ela – Meu sono nem se aproximou de mim, estou tão ansiosa com a viagem agora.
- Que tal arrumar suas malas, procurarei tio Paolo para informar que irá comigo.
- Está bem, nos vemos a tarde então?
- Sim, venha, te levo para casa.
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quarta-feira, 6 de julho de 2011 | By: Thais Cabeza

XVI

A tarde veio calma e serena, o céu estava nublado e o frio começava a tomar conta de San Pietro.
Juan bebia, estava sentado numa mesa nos fundos da cantina. Pensava em tudo que o tio havia dito. Lembrava-se de sua infância e de Odessa, quando menina. Não se lembrava exatamente quando esse ódio todo por ela começara, muito menos porque a culpava. Só sabia que sempre que olhava pra ela, via o pai, e isso o incomodava muito. Odessa não tinha culpa. Algo dentro dele sabia disso. Então porque não esquecer? Perderia tudo se continuasse assim. Talvez o tio estivesse certo. Verônica não abandonaria sua vida rica e feliz, cheia de glamour, para ficar com ele, em contrapartida, sua família o respeitava e dava valor a cada conquista, pequena ou grande, dava valor a cada palavra. Talvez a obsessão por Verônica o tenha cegado. Talvez por querer tanto estar com ela, tenha se transformado no que ela iria querer, numa pessoa do qual ela se orgulharia. Este não era ele.
O pequeno Paolo sentou-se ao lado de Juan.
- Capitão...posso sentar? – disse o rapaz já na intenção de se levantar.
- Claro que sim amigo. Como está?
- Estou bem Sr, mas, e o Sr? Melhorou?
- Sim, já estou bem.
- Nossa! O Sr ficou ruim mesmo capitão. Ficamos preocupados.
- Agradeço a preocupação Paolo, agradeço mesmo.
- Ora – disse o rapaz num sorriso – O Sr não precisa agradecer nada, se gostamos do Sr é porque o Sr é bom pra nós. Sempre foi capitão.
Juan olhou o rapazinho se levantar e voltar ao seu trabalho. Pegou seu casaco e saiu.


Jeffrey no jardim pensava no que o mensageiro acabara de lhe dizer. Pensava no que iria dizer a Bianca no momento em que a visse. Não sabia se havia feito aquilo porque realmente sentia algo por ela ou se era apenas um capricho por ser tão difícil.
Mal percebeu quando Jane entrou no jardim e avistando-o dirigiu-se para perto dele.
- Oi Jeff. Bom dia – disse ela em sua voz melodiosa.
Jeffrey se levantou sorrindo e abraçou-a.
- Bom dia Jane, como está?
- Ótima, mas e você, como está? Não me parece bem.
- Havia me esquecido como sou transparente para você. Porém, para sua infelicidade tudo que tenho é apenas uma pequena fadiga.
- Ora, claro que sim. Porque não confia em mim?
- Porque diz isso?
- Porque te conheço Jeff.
- Mais tarde então... venha, vamos caminhar um pouco.
- Está bem – dizendo isso Jane tomou o braço dele e passaram a caminhar – Então me conte, é verdade que meu querido irmãozinho, o rapaz mais cobiçado de toda cidade está apaixonado e vai pedir a mão de uma certa milady.
- As notícias correm – sorriu ele – Mas, não irei mentir para você Jane, não estou apaixonado, nada sinto por ela na verdade, nem ao menos queria me casar.
- Faz isso por papai e mamãe?
- Pode se dizer que sim.
- Ela é bonita?
- Oh sim, linda, muito linda, mas... quero dizer...
- Mas, não tão bonita quanto à moça que realmente quer?
- Mulheres como você só trazem problemas querida irmã...
- Isso quer dizer que estou certa?
- Eu não sei...
- Oh Jeff, só espero que não esteja cometendo um erro se casando.
- Confie em mim, farei o que é certo.
- Sabe o que é certo?
- Ora claro que sei.
- O certo é pensar em você. – Jane acariciou o rosto do irmão.
Jeffrey beijou-lhe a fronte e voltaram a caminhar.


Juan bateu na porta, mas, não houve resposta. Chamou pelo tio. Bateu novamente. Insistiu, até que finalmente, após longos minutos, a mesma foi aberta.
- Odessa...
- Não fale. Não quero ouvir. Sente-se onde quiser. —disse ela sem olhá-lo
- Me ouça, vim falar com você.
- Não tenho obrigação de ficar ouvindo suas insolências. Estou muito cansada.
- Odessa... nós...
- Nós? – disse ela interrompendo-o – Não existe nós Juan, há muito tempo, eu fui tola por não ver isso. Acabei com sua reputação não é? Sou culpada por tudo de ruim que lhe acontece não é assim? Agora me deixe...já decorei suas injúrias.
Ela já saia quando ele segurou-lhe o braço.
- Olhe pra mim Odessa! – gritou ele – O que vê?
- Não sei. Um estranho.
- Não quero mais isso. Não quero mais ser um estranho. Não quero mais viver assim, correndo da sua imagem. Você não é o que ele era... nem ela...
- Não faça isso Juan... não fale essas coisas pra mim, estou cansada, muito cansada...
- A culpa é minha Odessa, fui eu que acabei com a minha reputação, fui eu... eu sou culpado. A minha ignorância...
Odessa olhava para Juan sem entender o que acontecia com ele.
- Não quero mais me machucar por sua causa Juan.
- Não quero mais machucar você... não quero mais...- uma lágrima rolou dos olhos de Juan – Sinto sua falta...
Odessa não pode se conter mais, o momento pelo qual mais esperara em toda sua vida se apresentada real naquele momento. Abraçou Juan. Abraçou com muita força, pois, tinha medo que fosse sonho e não queria ter que acordar.






quarta-feira, 29 de junho de 2011 | By: Thais Cabeza

XV

O dia amanheceu claro e bonito em San Pietro. O sol não ardia e a brisa era suave. Os pássaros cantarolavam nas árvores e em algumas janelas. Foi assim que Juan acordou. Quando abriu os olhos, percebeu logo que não havia mais o pano úmido em sua testa e que poucos lençóis o cobriam. Olhou para o lado e sua cabeça não latejou mais. Procurou Odessa com os olhos mas, não a encontrou. Levantou-se vagarosamente e percebeu também que o corpo não mais doía, saiu da cama e colocou a roupa que estava sobre uma cadeira. Foi para a janela e olhou para a rua, pensou em Verônica, a queria perto, sentia saudades mas, não como esperava. Seus pensamentos foram interrompidos por uma batida na porta.
- Entre! – disse ele.
Seu tio adentrou o aposento.
- Bom dia tio.
- Bom dia filho, vejo que está melhor.
- Bem melhor, obrigado.
- Não me agradeça. Graças a Odessa é que está bem. Ela não o deixou por um minuto, não dormiu só para cuidar de você.
- Só me falta pedir que vá agradecê-la...
- E deveria...- disse o tio tristemente – O que o transformou Juan? Quem é você? Não mais o reconheço...Não foi isso que criei – ele media Juan de cima a baixo – Se fosse você, pegaria suas coisas, o seu grande Odessa e voltaria para lady Verônica, já que é a única que te importa. Só quero que se lembre que essa é a sua família, esses são os que te amam, esses a quem você despreza são os que jamais te trocariam por riqueza alguma. Não conheço sua lady, mas, vejo que não deve ser boa pessoa, transformou você nisso...
Dizendo isso saiu do aposento.
Juan sentou-se na cama confuso.

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Na noite anterior Jeffrey havia se deitado muito cedo e o mensageiro não pode retornar o bilhete remetido a Bianca, mas, pôs-se de pé o mais cedo que pode e vendo o mensageiro sentado na cozinha chamou-o. Dirigiram-se ao jardim:

- O que disse ela?
- Bem...disse que não quer vê-lo Sir, pediu para dizer que a esqueça e não mais a procure.
- Disse antes ou depois de ler o bilhete?
- Antes e depois Sir.
- Talvez devesse dizer a ela quem sou...temia que me quisesse por minha posição...porém...
- Sir...se me permite.
- Diga.
- Eu lhe disse que o bilhete era de Sir Jeffrey Hausman, antes de entregar-lhe, me desculpe Sir, não me pediu para que não dissesse.
- E mesmo assim ela disse para não procurá-la?
- Sim Sir.
Jeffrey colocou as mãos nos bolsos e começou a andar de um lado para outro.
- Imaginava que ela não fosse comum...talvez ela esteja certa...pode ser um capricho meu, nenhuma mulher jamais disse não a mim. Talvez fosse melhor desistir...- Jeffey em tão preso em seus pensamentos nem se dava conta que o mensageiro o observava desconsertado – Não é isso, não pode ser desejo...ora porque me falta o ar assim?
O mensageiro sorriu para si. Olhou para Jeffrey temeroso e interrompeu-o
- Sir...se me permite...
- Sim?
- Tente novamente Sr, digo, se não for por capricho. Havia lágrimas nos olhos da Srta...
- Está certo disso?
- Creio que sim...
Jeffrey parou por um instante e depois puxando o mensageiro pelo braço levou-o a uma saleta.
- Vá até ela, neste momento, entregue a ela este bilhete e traga-me a resposta.
- Sim Sr.
Dizendo isso o mensageiro saiu deixando Jeffrey sozinho a pensar.

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Bianca estava no jardim arrumando algumas flores. Pensava no bilhete que Jefrrey havia lhe enviado. O mensageiro havia dito “Sir Hausman”, como podia ter sido tão tola? Como não ligara o nome a pessoa? Estava tudo tão evidente. E pensar que tivera esperança. O bilhete continha palavras tão doces que por um segundo Bianca pensou que iria fraquejar, porém, diante da revelação do mensageiro, era impossível pensar em qualquer possibilidade de aceitar Jeffrey, de permitir que ele arrasasse com sua vida.
Bianca olhou ao longe e não pode acreditar quando viu a figura do mensageiro se aproximando.
- Que deseja?
- Vim entregar-lhe um bilhete, preciso, novamente, levar a resposta a meu SR.
- Novamente? Mas,...
- Sim Srta – disse o mensageiro entregando-lhe o novo bilhete.
Ela o leu e dobrou-o novamente, olhou para o mensageiro e seus olhos se tornaram frios.
- Diga a seu Sr que estarei lá.
- Sim Srta, com licença.
O mensageiro se foi e Bianca respirando fundo permitiu que transparecesse o que realmente sentia, medo e tristeza.
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2011 | By: Thais Cabeza

XIV

Jeffrey sentado ao lado de sua irmã, conversava com os pais e com ela sorrindo. À pouco, havia mandado chamar um mensageiro, e este, estava a caminho.
- Fico tão feliz que tenha decidido ficar conosco minha filha – disse Lady Victoria – Temi que tivesse vocação para o sacerdócio.
- Oh não – disse Jane Hausman, como sempre, sorrindo – Vim para ficar, gostei do convento porém, não quero partilhar. Sentia tanta falta de minha família.
Neste momento o mensageiro entrou na sala:
- Com permissão Srs, fui solicitado.
- Sim, claro – Jeffrey pos-se de pé – Com licença Jane querida, temo precisar com certa urgência, retorno em breve – dizendo isso saiu da sala e o mensageiro o acompanhou.
Chegando em outra sala, Jeffrey tomou nas mãos dois envelopes em seu bolso.
- Tens de entregar este a Srta Stollemberguer ou ao pai dela – disse entregando um e dos envelopes – E este – Jeffrey segurava o envelope firmemente mostrando-o ao mensageiro – ninguém jamais deverá saber a quem foi destinado.
- Sim Sr, tens minha palavra.
- Sabes onde é a vila?
- Sim Sr.
- Pois quero que vá até lá. Veja se muda as vestes, pois, não quero que saibam que és meu mensageiro. Vá até a vila, e procure pela Srta Bianca Luchesi. Entregue somente a ela. Somente a ela – frisou Jeffrey
- Sim Sr.
- Entregue a ela, nem que tenha que bater-lhe à janela.
- Sim Sr.
- Então vá – o mensageiro já saia, quando Jeffrey disse – Traga-me uma resposta da Srta Luchesi, não importa o que ela diga, quero uma resposta.
- Sim Sr.
Jeffrey o viu partir. Voltou à sala.


Verônica estava em seu quarto e olhava para o jardim através de sua janela. Usava um vestido creme de cetim, a saia, delicadamente armada onde subia da cintura aos seios bem justo. O grande decote era bordado de pérolas. Segurava um leque na mão direita e abanava-se constantemente a espera de Sir Jeffrey, que a levaria à opera. Não queria de modo algum ir á opera com ele. Apesar de adorar sua companhia, hoje, se sentia mal, estava com dores de cabeça, e não conseguia parar de pensar em Juan.
Agora a saudade já não era como antes, estranhava, ela era bem menor. Pensou que talvez não o amasse tanto como imaginou. Isso não era, de todo, mal, pensou ela, pelo menos, não lhe doía tanto o fato de te-lo deixado partir. Sentia sua falta, mas, conseguia ser forte ao apartar-se dele, talvez, fosse melhor realmente. Talvez, ele, lá em sua terra, já estivesse com outra e nem se lembrasse mais dela. O que Verônica não percebeu de pronto, era que seus olhos estavam marejados de lágrimas e que na realidade, sofreria se o perdesse.
Ouviu baterem à porta. Assustou-se. Correu ao espelho e secou as lágrimas. Abriu aporta, seu pai entrou com um envelope nas mãos.
- Filha, sir Jeffrey pede desculpas, mas, não poderá acompanhá-la até a ópera hoje, sua irmã acaba de chegar de Londres, ele sente muito.
- Tudo bem papai, afinal, não desejava ir. Estou exausta, foi bom ele enviar o recado.
- Não está zangada?
- De forma alguma.
- Bom, creio que seja melhor que durma um pouco.
- Sim, obrigada papai, e boa noite.
- Boa noite filha...descanse.


A sra Luchesi estava na cozinha terminando seu bordado, até que percebeu que o sono já dava o ar da graça. Dirigiu-se à seu quarto e no meio do caminho viu que a porta do quarto de Bianca estava aberta. Observou-a. Bianca estava adormecida e a janela do quarto entreaberta, permitindo que a luz da lua invadisse o aposento. Sorriu e fechando a porta dirigiu-se para seu quarto.
Após alguns minutos Bianca despertou com um barulho que vinha do outro lado da janela. Assustada, tomou o lençol e se envolveu nele. Levantou-se e foi até a janela receosa.
Os cabelos ondulados, caiam-lhe pelos ombros e pelas costas, o lençol, envolto por cima da camisola cobria-lhe todo corpo. O que deu a impressão ao mensageiro, de estar frente à uma santa. Este, se assustou, nunca vira ser humano tão belo, num impulso, ajoelhou-se. Bianca sentiu um misto de raiva e carinho, não sabia se fechava a janela ou se sorria. Imaginou ser um louco.
- Srta Luchesi?
- Quem és tu?
- Um mensageiro.Vim entregar-lhe um bilhete e preciso  levar a resposta a meu senhor.
- Ora, isso é alguma brincadeira?
- Não...veja- disse ele entregando-lhe o envelope – É de sir Hausman.
Dizendo isso, os olhos de Bianca arregalaram-se e ela deixou o envelope ir ao chão.
- H...Hausman?
- Sim Srta.
- Jeffrey?...é Jeffrey Hausman?
- Sim Srta.
Bianca recobrou os sentidos e permitiu que a raiva lhe invadisse.
- Não lerei tal bilhete, leve de volta – disse entregando ao mensageiro – e diga a seu Sr que pare de me importunar. Diga-lhe que não quero vê-lo nem lhe falar.
- Srta eu imploro que leia, se não, eu haverei de pagar.
Ela o observou e seus olhos se encheram de pena.
- Está bem, mas, esteja certo que faço por ti, porque me pediu.
- Sim Srta. Estou certo disto.
Ela abriu o envelope e leu o que estava escrito no papel. Ela sorriu e com os olhos cheios de lágrimas respirou fundo e olhou para o céu. Dobrou o  bilhete. Olhou para o mensageiro e disse:
- Diga ao seu Sr que não. Diga-lhe que esqueça de minha existência.
- Sim Srta, muito obrigado. Darei a resposta.
- Adeus – dizendo isso fechou a janela, mas, naquela noite não pode mais dormir.


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011 | By: Thais Cabeza

XIII

Ele chegava em casa quando viu um alinda moça descer da carruagem, por um momento, se perguntou quem seria tal anjo, até que de um estalo, sua mente clareou, desceu do cavalo e correu até ela, que vendo-o, deixou que as lágrimas lhe chegassem aos olhos transbordando pelas faces. Eles se abraçaram violentamente, tomados de uma grande vontade de sustentar a felicidade há tanto tempo perdida, por causa da grande saudade que os invadira.
Ele a rodopiou no ar enchendo-lhe de beijos pelas faces, ela ria alto abraçando-o. Depois ele as colocou no chão e a fitou nos olhos, que eram os mesmos, que eram idênticos aos seus.
- Como está bela! Tao linda..tao linda.
- Oh Jef, senti tanto a sua falta, está tão homem, esta tão bonito...oh meu irmão que saudade.
- Senti tanto a sua falta...
- Eu também, mas, ora, onde estão todos? Mamãe, papai, quero ver até, dona Agnes, a cozinheira.
- estão lá dentro todos eles, venha vamos vê-los- e tomando-a nos braços levou-a para dentro de casa.Ela ria.
- Estás maluco por certo.
- Feliz!! Muito feliz!!


Quando ele abriuos olhos já entardecia. Olhou para a janela e viu que o céu tornava-se já, parcialmente, escuro. A cabeça ainda doía muito, mas, não como antes, estava bem melhor. Percebeu que havia um pano úmido em sua testa e que estava sem roupa por baixo de muitas cobertas. Tentou se levantar mas, fora inútil, reconheceu que estava muito fraco e decidiu ficar onde estava.Tentou virar o pescoço mas, sua cabeça latejou e acabou por desistir de se mover. Ouviu passos e se deu conta de que havia mais alguém no quarto e que, esta pessoa, se aproximava. Fechou rapidamente os olhos. Sentiu uma leve mão fria tocar-lhe o rosto, depois retirar o pano de sua testa, logo, recolocando outro, mais frio que o primeiro. Abriu os olhos, e o que viu foram dois grandes seios sobre o seu rosto, sorriu maliciosamente, pensando em quem seria a dona de tão belo corpo, mas, logo tornou-se frio e cheio de ódio ao ver que era Odessa.
- Me...arrrrrggggggg- gemeu ele ao tentar expulsá-la
- Cale-se! – sussurrou ela – Não gritarei contigo por respeito a sua dor de cabeça, mas, se me irritar, farei um escândalo e acabará por enlouquecer.
Ele nada disse, não porque iria obedecê-la, mas, não conseguia se mover direito, e acabaria fazendo papel de idiota.
- eu não sei o que pensou...- disse ela ainda numa voz calma e melodiosa, sentando-se ao lado dele.- Choveu tanto à noite Juan, não poderia ao menos ter fechado a janela? E convenhamos, duas garrafas de tequila? Poderias ter morrido com essa mistura...tem que se cuidar.
- Odessa...- disse ele num murmúrio quase inaudível – cale...cale-se...
- Nunca irá gostar de mim não é Juan? – disse ela brincando com um pano que segurava nervosamente entre as mãos – Nada foi minha culpa...eu nunca soube de nada, nunca lhe menti, dizia o que me haviam contado.
Ele virou a cabeça para o lado, esta latejou, mas, já não se importava, não poderia olhar para ela.
- Porque não olha para mim? – ela tentou buscar os olhos dele enquanto os seus se enchiam de lágrimas – Me xingue, me odeie, mas, não me repudie, por favor, estou cansada de ver todos dessa cidade virarem o rosto quando passo, ou ser maltratada nas vendas, ser repudiada por todo o povo...eu até poderia aceitar isso Juan, contanto que você falasse comigo, não me desprezasse...não finja que não estou aqui.
- Saia.
Ela nada disse, somente se levantou e enxugando as lágrimas foi até a cômoda onde molhou e torceu o pano que estava em sua mão.
Ele virou o rosto e olhou para ela, que, de costas, não pode ver quando de seus olhos também rolou uma lágrima.


Bianca entrara em casa. Sua mãe, cozinhava alguma coisa no fogão. Viu Bianca entrar e ir para o quarto sem ao menos dizer uma palavra. Seguiu a filha.
Bianca estava frente a janela e olhava ao longe.
- Querida...posso entrar?
- Claro mamãe – disse Bianca sorrindo para ela – Precisa de ajuda?
- Não meu bem, mas, creio que você sim.
- Oh mamãe – Bianca a abraçou – Se soubesses...
- O que pensas que não sei meu anjo?
- E quem há de conseguir enganar o coração de uma mãe?
- Senta meu bem.
Ambas sentaram na cama de Bianca, frente a frente.
- Não sou um anjo muito bom não é?
- Oh sim, o melhor que já existiu.
- E porque erro tanto? Tento ser melhor e fazer o que é correto mas...
- Está fora de seu controle meu amor...ah mas, que destino esse...
- Eu o vejo sempre mamãe, fujo, mas, quanto mais corro para longe, mais me aproximo...nao tenho culpa...
- Eu sei minha querida, conheço-te bem para saber o que dizes...
- Ele jamais trocaria a glória dele por mim...sei que não deveria ter esperanças..
- Se ele sentisse o mesmo que sentes...ele trocaria sim.
- Acreditas mesmo mamãe. Acreditas que ele pode um dia trocar tudo por mim?
- Não sei meu bem, não o conheço suficiente, o que sei, é que não quero ver-te sofrer, o que sei é que não quero dar-te esperanças. Quem dera poder te guardar aqui dentro do meu peito para que ninguém jamais te fizesse mal...
Bianca abraçou a mãe. Não era justo trazer sofrimento a alguém que a amava tanto.
- Tentarei não pensar sobre isso. Ficarei em casa por alguns dias. Não quero sair. Não quero correr riscos...
- Faça como achar melhor Bianca, estou aqui, do seu  lado, sempre.
domingo, 13 de fevereiro de 2011 | By: Thais Cabeza

XII


Bianca  caminhava pelo bosque. Pensava em Jeffrey e no porquê de se apaixonar justamente por um homem de seu nível social. O destino não estava sendo justo com ela. Tantos pretendentes lhe apareceram e nunca sentiu seu coração bater assim, ficar sem ar, perder o controle da mente e dos atos. Ouviu passos de cavalo. Sabia que era ele. Não vira o cavaleiro, mas, sentia que era ele. Tentou se esconder mas, já era tarde. Jeffrey já a havia visto.
Ele desceu do cavalo e andou em direção a ela. Era impressionante a força que emanava dos olhos dele, ela não podia desvencilhar, pelo contrario, seus olhos se prendiam totalmente, sem nenhuma chance de defesa. Ele chegou frente  a ela.
- Não sei o que fazes...tento descobrir mas, não consigo...sabia que estarias aqui...e por isso vim...porque te ouvi chamar meu nome.
- Pois não o chamei em momento algum, e se soubesse que estarias aqui, já teria partido há muito tempo. Vá embora.
- Não. Ora, não percebe o que há? Não é possível. Não tenho mais controle sobre mim...você me controla, me persegue noite e dia, tento fugir de ti mas, cada passo que dou para longe me traz sempre à tua frente.
Bianca viu em Jeffrey seu próprio tormento. Sentiu como se aquelas fossem suas palavras. E por um segundo baixou os olhos.
- O que anda acontecendo comigo Bianca? Me responde...
- Já não sei o que acontece conosco Jeffrey...
Então Jeffrey entendeu que Bianca era tão inocente quanto ele. Que ninguém havia planejado nada.
Bianca olhou-o nos olhos mais uma vez e fez menção de ir. Mas, ouviu a voz de Jeffrey
- Fique...- disse ele quase numa súplica
Ela o olhou querendo mais que tudo ficar ali com ele, não pode responder, ficou ali, olhando nos olhos dele. Ele a puxou delicadamente para perto de si e como ela não recuou, sem medo, passou a Mao envolta da cintura dela trazendo-a mais próxima possível, e ainda, olhando-a nos olhos, se inclinou calmamente e beijou-a nos lábios com um carinho extremo. Bianca não pensou, passando a mão inocentemente pelo peito de Jeffrey fez com que ele estremecesse e passasse a beijá-la com paixão, ela pousou suas duas pequenas mãos sobre o pescoço dele e não teve mais medo, deixou-se levar pela magia do momento.



Na cantina Paolo e Pietro conversavam sobre Juan.
- Acha mesmo que ele nunca perdoará Odessa tio? – perguntou o menino que limpava o balcão – Afinal, me parece que ele a odeia.
- Mas, ela o ama. Não vê, ele se embebedou à noite, e com aquela janela aberta acabou por tomar toda aquela chuva da madrugada...ficou no estado em que esta. Odessa não deixou ninguém entrar no quarto, está lá cuidando dele. E sabe porque? Porque tem um coração de ouro, porque não puxou nem ao pai e nem a mãe...mas, tomou para si o exemplo de Juan. Deus o ajude. Porque a teimosia que ela tem herdou dele também.
- Sim, ela está lá cuidando dele e não deixa ninguém entrar, trancou a porta e disse que só sai de lá quando o capitão estiver bom.
- Eu a admiro por isso, e peço que a deixem em paz. Somente se houver alguma discussão corram para lá, não quero que ele a magoe.
- Sim Sr.


Bianca e Jeffrey se olhavam sem saber o que dizer, permaneciam abraçados. Ela começou a se sentir envergonhada e ruborizou de repente, tentou delicadamente se afastar mas, Jeffrey apertou-a contra si.
- Não vá por favor...
- Não posso ficar...
- Pode e quer. Não entendo porque faz isso.
- Se eu ficar será pior. Sei que será. É melhor que eu me vá e que nunca mais nos vejamos. Será melhor para ambos.
- Não entendo como diz tantas tolices depois do que passamos aqui...
Não podia deixá-la partir. Sabia que precisava da presença dela mais do que já precisara de qualquer coisa.
- Por favor Jeffrey, me ouça... – disse ela agora libertando-se dos braços dele
- Não. Me ouça você. O que tem? Não pode sair dessa maneira...nao será melhor para ninguém...eu sei...
- Pode me dizer qualquer coisa Jeffrey, o que queira, nada me fará ficar, nada...as pessoas de sua classe não se misturam com os da minha. O Sr nunca entendera o que sinto. O Sr não nasceu para amar, o Sr nasceu para fazer com que o nome de sua família prossiga honrado e enriqueça cada vez mais. Por isso não se iluda...e não tente me iludir, vá embora e fiquemos em paz...Nao brinque com esse tipo de sentimento somente por um capricho – dizendo isso, brotaram lágrimas em seus olhos, então Bianca teve certeza que não era só paixão o que a prendia a Jeffrey – Adeus... e não me siga.
Ele só a observou partir sem saber o que fazer. Vagarosamente, se pegou voltando para casa.


Uma carruagem seguia a caminho da cidade, era levada por quatro cavalos de belo porte. O interior da carruagem era adornado em veludo vermelhocom bordados em ouro. Seguiam dentro dele somente uma dama que viera em companhia de sua criada, porem, esta ficara muito doente e morrera na viagem. A dama que viajava nessa carruagem tinha um ar delicado como de um anjo, assim como seu caráter e suas atitudes. Voltava de um convento onde estudara por nove anos. À pouco havia completado dezessete anos e ao completar se formou nos estudos do convento e decidira voltar para casa.
Tinha a cintura delgada como a de sua mãe, os olhos verdes como os de seu pai, e estava sempre corada , dando um toque especial ao rosto delicado. Estava vestida de veludo num castanho escuro, pelas suas vestes se notava que era moça de alta classe . Os cachos castanho escuro caiam-lhe sobre os ombros caíam-lhe sobre o colo numa cascata, esondendo o que o decote de seu vestido teimava em mostrar.
Há poucos dias havia escrito à mãe contando que estava de regresso para ficar. Sabia que não demoraria a chegar em casa. O que mais a felicitava neste momento era saber que seu irmão estaria lá a sua espera. Soube que ele pretendia se casar, e antes que o mesmo ocorresse, antes que a afortunada viesse lhe tirar tão bom presente, ela queria matar a saudade.
Viu pela janela da carruagem sua casa ao longe, e seu coração pulsou descompassado.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 | By: Thais Cabeza

XI

Uma das garrafas encontrava-se vazia e quebrada no chão, a outra, ainda apertava-se de encontro ao peito de Juan. Ele estava adormecido, o sol batia-lhe na face com ardor e brilho, mas, era como se estivesse morto, pois nada sentia, a não ser o agradável conforto da cama onde se encontrava deitado.
Passou muito tempo até que abrisse os olhos. Tinha tanta dor de cabeça, que mal se lembrava de como viera estar ali sobre aquela cama. Com muito esforço conseguiu piscar os olhos, a luz era muito forte e as pálpebras pesavam-lhe sobre os olhos. Sentiu os braços e o peito úmido, desviou os olhos para o braço e pode ver que o restante da tequila fôra derramada. Colocou vagarosamente a garrafa no chão e sentou-se na cama com muita dificuldade. Colocou as mãos por sobre as têmporas pois a cabeça latejava cada vez mais forte. Tentou olhar pela janela, mas, cada movimento, dava a impressão que a cabeça se deslocaria do corpo.
O sol estava ardente, o quarto abafado e o cheiro de bebida inundava o ambiente fazendo com que a dor se tornasse insuportável. Lentamente, tirou as mãos das têmporas e tirou a camisa úmida. A cabeça, parecia estar a ponto de explodir. Jogou a camisa para longe e deitou-se novamente com a mão por sobre os ouvidos agora. Queria fechar a janela, chovera a noite, o chão estava molhado, a brisa quente que adentrava o quarto, tornava tudo mais pesado. Estava muito fraco, não conseguia mais se mover, urrou baixinho pra si mesmo sentindo que o corpo estava quente e a dor de cabeça só fazia aumentar. Ouviu um grande estrondo. Pensou ter perdido a audição naquele momento. Tentou ver o que houve, mas, não pode. Sua vista estava embaçada e a dor parecia aumentar a qualquer movimento. Sentiu uma mão fria sobre sua tez e desvencilhou-se dela com violência, mas, a mesma mão fria tomou-lhe uma das mãos, e mesmo tentando desvencilhar, não pode, pois estava muito fraco.
Pode sentir a mão fria sobre seu peito e urrou novamente. Sentia que estava quente e abafado, mas, ao mesmo tempo um frio terrível tomara conta de seu corpo. Encolheu-se na cama. Ouvia passos, ouviu gritos incompreensíveis. A última coisa que pode ouvir, foi a porta batendo violentamente.


Bianca estava a andar pelos pastos verdes e a colher flores. Passeava a pé. Não pensava em cavalgar. Temia o que o destino podia lhe reservar se retornasse ao castelo em ruínas. Sentia-se mal por não ajudar sua mãe, mas, sentia que precisava mesmo de um tempo para si. Andando próximo ao bosque, lembrava-se do dia em que encontrara Jeffrey ali. Sorriu tristemente para si mesma. Como poderia ter se apaixonado por alguém como Jeffrey. Só pelo fato de tê-lo encontrado pela primeira vez na casa dos Hausman, já deveria ter em mente que era uma pessoa muito importante, ora, se não eram somente os de classe mais alta que freqüentavam as festas dos Hausman. Não deixava de pensar no fato de Jeffrey jamais tê-la denunciado a eles. Se os Hausman imaginassem que alguém invadira seu jardim, sem dúvida, puniriam tal pessoa. Eles eram conhecidos por serem esnobes e frios. Nunca vinham à vila. Pouquíssimos empregados já haviam passado por ali. Era uma honra trabalhar para eles. Os empregados eram enviados para outras capitais para comprarem comida e o que fosse necessário. Quem seria a família de Jeffrey. De certo era conhecida, e muito, se não, certamente não estaria ali naquele dia.
Foi até a venda do pai de Victor, e lá avistou ambos.
- Bom dia Sr, bom dia Victor – disse Bianca sorridente
- Bom dia Srta Bianca – respondeu o pai de Victor – Espero que não tenha vindo para roubar meu filho.
- Oh não Sr, não se preocupe – ela riu – Sei que Victor está ocupado.
- Onde está sua cesta? Não fará compras hoje? – perguntou Victor
- Não, mamãe não quer que eu trabalhe hoje.
- Pretende cavalgar?
- Não.
- Está bem, está bem. – disse o pai de Victor sorrindo – Sairei somente por alguns instantes para que possam conversar em paz, mas, já vou avisando, não se demorem.
- Obrigada papai – disse Victor
- O que houve Bianca?
- Não houve nada. Só não quero cavalgar. Quero descansar mesmo, como mamãe me pediu.
- Não me disse o que houve naquele dia.
- Que dia?
- Ora Bianca, quando se encontrou com...
- Não quero falar sobre isso – disse ela interrompendo-o – É justamente para isso que preciso ficar só por hoje. Para encontrar um meio de esquecer...
- O que? Está...está...não pode ser...
- Eu sei...não tive controle sobre isso...
- Bianca...ele não. Sabes que sou teu amigo, estou sempre do teu lado. Somos como irmãos. Ele não é para você...
- Oras, e porquê? Sei que tem posição social alta, mas, porque não é para mim? Acaso o conhece?
- Bianca pois se não é....
- Pronto – disse o pai de Victor retornando – Acredito que tiveram tempo de falar seus segredos, agora, se me permite Srta, tenho que voltar ao trabalho.
- Tudo bem Sr, me desculpe e obrigada, volto amanha Victor...e me explicas o porquê.
- Até Bianca...cuide-se.


Jeffrey estava no jardim. Encontrou seu amigo Steve, a quem conhecia desde a infância, alegrou-se. Não via Steve desde sua festa de aniversário.
- Como tem passado caro Steve? Penso que tenha passado bem, afinal, não o vejo desde meu aniversário.
- Perdoe-me caro amigo, tive que resolver vários assuntos para meu pai, acabei por ficar sem tempo.
- É bom vê-lo novamente. Poderíamos cavalgar um pouco.
- Sinto, mas, não posso. Vim ter com vosso pai a fim de resolver alguns assuntos políticos. Deixemos o passeio para a próxima semana. Poderíamos ir a casa de Sofia.
- Claro, venha, o acompanho até meu pai.
E dizendo isso Jeffrey acompanhou Steve. Deixou-o na porta, despediu-se e saiu.



No hall dos Hausman, Lady Vitória chorava ao ler uma carta que tinha nas mãos. Percebeu, pois, que sir Hausman adentrara o aposento.
- Meu querido! – dizia ela como uma criança, correndo de encontro ao esposo – Veja! Que maravilha!
E assim, Alfred tomou das mãos da esposa a carta, passou os olhos rapidamente e um grande sorriso brotou-lhe nos lábios.
- Ela chegará amanha. Ela voltará para casa.
- Não é maravilhoso, ah quando Jeffrey souber...
- Por certo...- e desviando os olhos da esposa viu que Steve entrava – Ora, que ótima surpresa.
- Bom dia sir Alfred – disse ele cumprimentando sir Hausman com um aperto de mão e depois beijando a mão de Lady Vitória – Bom dia lady Vitória.
- Como é encantador Steve – disse Vitória sorrindo
- O que o traz aqui meu caro?
- Meu pai, sir Alfred, pediu-me para discutir alguns assuntos como Sr.
- Oh sim, por certo. Venha a meu escritório onde poderemos conversar. Com licença querida – disse ele voltando-se para a esposa – Mais tarde comemoraremos.
- Com licença sra Hausman.
- Tem toda srs.
Os dois saíram do Hall deixando Vitória a sós. Esta foi até a cozinha.
- Sra...ha algo errado? A sra precisa de algo?
- Sim – disse sorrindo – mudaremos o cardápio de amanhã...ah, terá de ser muito especial...