Era noite e a luz da lua iluminava esplendorosamente a pequena cidade inglesa. As montanhas pareciam se erguer cada vez mais, como se sentisse orgulho da luz que a lua lhes proporcionava. As casas estavam escuras e seus habitantes adormecidos. Eram pouco mais de onze da noite, quando um pequeno vulto saiu da vila a pé dirigindo-se ao bosque. O pequeno vulto andava rapidamente, pois era longo o caminho até seu destino. Chegando lá, olhou a sua volta e viu uma sombra próxima a arvore. Aos poucos a sombra se virou fitando o pequeno vulto, sorriu e se aproximou.
Bianca não conseguia olhá-lo nos olhos, sentia-se envergonhada demais, tudo que queria era sair correndo e se ver livre de tudo aquilo. Sentiu uma forte mão tomando a sua e beijando-a delicadamente.
Enquanto ele segurava a mão dela, tudo clareou em sua mente, sabia que não poderia fugir, precisava dela.
- Srta. Bianca, agradeço por ter vindo.
- Vim até aqui para que o sr saiba que...
- Não me diga que não quer me ver, que não deseja falar comigo. Está bem, não me olhe e nem fale comigo, apenas peço que me ouça.
- Sabe bem que eu não deveria estar aqui...
- Sim, eu sei. Prometo ser breve e deixa-la em casa.
- Não quero que me leve a lugar algum. Quero que me diga o que deseja e me deixe partir...
- Está bem – ele buscou seus olhos mas, não os pode encontrar – Pedi para que viesse, pois algo muito me preocupa.
- Ora, vá pedir conselhos a teu pai ou a algum amigo, não a mim.
- Não compreende? Se preciso lhe falar para que meu problema cesse é porque esse meu problema é com você.
- Comigo? – disse ela elevando os olhos e logo encontrando os dele.- Ora, e o que fiz?
- Isso é o que faz. Porque me olha assim? Porque faz com que eu fique a pensar em você a cada instante do meu dia?
- E-Eu não o faço! Juro que não...- ela se esforçava para compreender o que lhe era dito.
- Sim, sei que não é proposital mas, não entendo, quando me olha, não tenho mais controle sobre meus atos.
- Ora, não seja por isso, não olharei mais então – Bianca baixou os olhos, porém, Jeffrey delicadamente fez com que ela olhasse para ele novamente.
- Quero que me olhe...me faz bem.
- Mas, se há pouco...
- Para me recuperar precisaria nunca tê-la conhecido, mas, isso não é mais possível – disse ele acariciando-lhe o rosto – nunca mais serei o mesmo.
- Não posso acreditar no que diz, sei que mente, apesar de me parecer sincero, sei que mente.
- Não minto. Confesso que menti várias vezes, muitas...mas, não minto quando digo que preciso de você Bianca, que não consigo ficar sem pensar em você um só dia...
- Não vê que...que é só mais um capricho seu? Queira me perdoar Sr Hausman mas, só diz que me quer, pois, sabe que não terá. Teve tudo, sempre, mas, sua vida não vai acabar. Desista, não é a primeira coisa que não poderá conquistar.
- Não diga isso. Acredita realmente que sou tão frio? A ponto de vê-la como um desafio, um capricho? Confesso que, quando a procurei pela primeira vez e quando...quando a beijei pela primeira vez – dizendo isso ele a viu baixar os olhos novamente – Era tudo capricho mas, depois, você entrou no meu pensamento de uma tal forma...me fez sentir algo tão diferente...sei que preciso de você...você me faz querer acordar todos os dias, você me faz ser uma pessoa melhor.
- Não posso acreditar. – ela andava de um lado para outro
- Mas, quer. – Ele a segurou delicadamente – Talvez o que eu fale seja em vão, mas, eu não consigo e não quero tirá-la da minha mente, eu te sinto a todo momento, como se estivesse tão perto ao ponto de poder tocá-la, não foi por acaso que entrou em meu jardim naquela noite...quisera eu que precisasse de mim tanto quanto preciso de você.
- Eu... – ela tremia e seu coração pulsava sem controle algum – É melhor que eu me vá...é tarde, quero dizer, por favor, me deixe ir... – não podia controlar as lágrimas e não queria que ele as visse – Quero ir, não deveria ter vindo...
- Não direi mais nada, pedi que me ouvisse e me ouviu, agradeço. Vá, quem sabe assim, eu a esqueça.
- É melhor...- ela se virou e começou a voltar para casa secando as lágrimas – Oh Deus! – sussurrou ela.
Ele a via partir e não queria, algo dizia que ele deveria ir embora, mas uma voz mais alta, gritava com toda força que se ela partisse ele nunca saberia o que era ser feliz.
- Bianca! – gritou ele correndo em sua direção, fazendo com que seu grito ecoasse por todos os cantos, fazendo-a virar-se subitamente para ele – Não vá – disse ofegante – Diga o que precisa que eu faça para que acredite....
- Jamais – disse ela seriamente respirando fundo para conter a dor que as próprias palavras lhe infligiam - Jamais irá querer magoar seus pais, eles não gostariam de vê-lo com uma pessoa como eu.
Ele ficou sem resposta. Ela sorriu sem graça e partiu
__________________________________________________
Era como se nunca houvesse ocorrido uma discussão entre eles. Odessa e Juán estavam sentados na mesa da cantina e mal perceberam que o dia quase raiava.
- Eu adoraria, mas, quem cuidaria de tio Paolo? Ele não pode ficar sozinho.
- Ora, ele jamais ficaria sozinho, esses homens e garotos todos jamais permitiriam isso. – disse ele sorrindo- Está decidido, partes comigo amanhã.
- Juán...- disse Odessa baixando os olhos – E sua querida Verônica? O que dirá?
- Ela não pode sentir nada ruim a seu respeito, nem irá. Na verdade, não importa o que ela fale ou pense...
- Algum problema entre vocês?
- Não sei ao certo. Não tenho sentido a falta dela.
- Deve ser por causa de nossos antigos problemas, e outra, você ficou mal Juán.
- Eu não sei...as vezes penso que foi uma paixão, algo que queimou e passou...penso nas inúmeras vezes que pedi para que ela viesse comigo, ou para que me permitisse falar com seus pais...
- Não pense assim, espere revê-la, aí sim saberá o que sente.
- Ficamos tanto tempo a conversar que não demos conta da hora, veja, já é dia – riu ele
- E não é que é – riu ela – Meu sono nem se aproximou de mim, estou tão ansiosa com a viagem agora.
- Que tal arrumar suas malas, procurarei tio Paolo para informar que irá comigo.
- Está bem, nos vemos a tarde então?
- Sim, venha, te levo para casa.
*************************************************************************