A noite estava escura e apesar da lua e das estrelas, o mar estava um tanto sombrio. Os pastos e os campos estavam escuros, o mar violento e a brisa forte,era como se a natureza avisasse que algo estava por acontecer.Na casa dos Hausman, importante família da Inglaterra, havia luzes e risos. Jeffrey Hausman, numa das janelas observava o jardim. Hoje estava sendo comemorado seu vigésimo aniversário,no entanto, apesar disso, não se sentia feliz. A casa dos Hausman era uma das maiores da cidade, eram proprietários do maior e mais exuberante jardim, e eram aclamados por isso. No interior, haviam móveis de mogno, imensas escadarias cobertas com tapeçarias de veludo, o estilo grego predominava em alguns cômodos com pilastras jônicas e divãs. As famílias mais ricas e honradas da cidade inundavam a casa de brilho e sorrisos, de musica e luzes.Num dos cantos da sala de estar alguém se aproximou de Jeffrey.
- Sir Hausman, meus parabéns! - disse um rapaz estendendo a mão para cumprimentá-lo
- Obrigado Steven, como tem passado?
- Vou bem meu caro, só que percebo que você não está bem.
- Sim, de fato, confesso que não estou muito bem mas, não há de ser nada.
- Assim espero - disse Steven olhando pela janela - Que noite horrível. Olhe só o mar, não te assusta?
-As vezes sim...
- E em se tratando de alta maré Jeffrey, soube que pretende se casar com Lady Stollemberguer, é verdade?
- Na verdade, já pensei sobre isso, mas, não é nada certo.
- Soube que ela tem um grande dote.
- Sei disso,seus pais me fazem lembrar vezes ao dia. Acha que seria uma boa esposa?
-Talvez sim, mas, eu seria cauteloso, a beleza dela pode ser traiçoeira.
-Somos amigos de infância, conheço bem Lady Stollemberguer.
-Tem certeza? Conheço muitas outras amigas que teve.
- Não digo esse tipo de amiga- Jeffrey sorriu- E não me casaria com uma daquelas.
-É claro que não, afinal, tem que manter o nome dos Hausman. Se me pertencesse o seu sobrenome certamente não o daria a qualquer uma.
- Recebi bem as lições de meus pais.
- Nem me diga...mas veja, ou meus olhos me enganam ou vejo a mulher mais sedutora de toda cidade- disse Steven olhando para Veronica Stollembreguer.
- Com certeza terei que falar com ela...e não gostaria de ter esse prazer agora.
- Não seja por falta de adeus caro amigo.
- Obrigado caro Steven, vou dar uma volta pelo jardim.
- Vá logo antes que ela se aproxime.
E assim Jeffrey saiu para o jardim disfarçadamente.
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Na vila moravam as pessoas mais humildes da cidade e era o local onde se centralizava mais o comércio, eram peixarias, mercados e ate algumas lojas de objetos e roupas, numa casa um pouco afastada desta vila morava uma família humilde, os Luchesi, uma família que a pouco tempo havia se mudado para a cidade. Tinham uma filha, seu nome era Bianca. Apesar de simples e recatada, tinha personalidade forte e opinião formada. Era de uma beleza sedutora e angelical. Um misto de pureza e mistério.Alimentava sonhos e fantasias de muitos, mas ela não se dava conta disso. Nesta noite, Bianca soube da grande festa que se daria na casa dos Hausman, sonhava em um dia poder vestir-se como as moças da alta sociedade com linho fino e seda e participar das festas maravilhosas que se realizavam constantemente na cidade, sabia que as melhores festas sempre fora a dos Hausman, não pode ficar em casa, sentia como se algo a impulsionasse para fora, como se fosse algo que não pudesse deixar de ver. Após seus pais adormecerem, colocou um casaco comprido com um capuz e saindo as escondidas dirigiu-se a casa dos Hausman.
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Não entrou na casa, também, não poderia, mas ficou atrás de uma árvore olhando para a casa. Havia uma sala no grande castelo dos Hausman em que as janelas eram de cima a baixo imensas, de vidro, com pouquíssimos detalhes em pedra, era como se as paredes fossem de vidro. Normalmente o cortinado branco não permitia que se visse o que ocorria dentro da sala mas, nesta noite as cortinas estavam abertas deixando o brilho das luzes delatar toda a beleza que envolvia o aposento. Bianca,estava com os olhos cinzas apaixonados e brilhantes escondida atrás da árvore e envolta no capuz via tudo com grande curiosidade, mulheres com glamourosos vestidos e jóias, seus leques em movimento magico, rapazes com roupas finas, todos pareciam encantadores, tudo estava perfeito. Bianca desviou os olhos somente por um segundo quando viu que um rapaz descia uma pequena escadaria para o lado oposto ao dela no jardim mas, logo retornou com os olhos cheios de admiração para a beleza que envolvia o salão.
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Jeffrey andava pelo jardim com as mãos no bolso, respirando o maravilhoso aroma que vinha do mar. Andou sem destino, ate que percebeu que havia alguém apoiado numa árvore envolto num sobretudo que observava a festa. Tentou analisar o espião, mas no escuro não poderia distinguir corretamente quem poderia ser. Pensou em chamar os guardas mas, caso fosse alguém com intenções malignas e o pegasse sozinho, poderia se tornar um herói, e ate gabar-se um pouco mais as damas da festa. A ideia o fez sorrir. Tentou observar por alguns segundos antes de se aproximar. Estava escuro demais, e a sombra de quem quer que fosse se unia como uma só à sombra da árvore. Era baixo. Havia de ser um homem, já que moça alguma sairia tal hora da noite, ainda mais para bisbilhotar o jardim dos Hausman. Aproximou-se por fim, pulando violentamente sob o pescoço do estranho. Jogou-o no chão e ficou por sobre ele e quando olhou para o que já iria esbofetear ficou sem ação. O capuz espalhara-se pelo chão, assim como os longos cabelos negros de Bianca. Seus olhos cinzas aterrorizados, fitaram os de Jeffrey com um desespero tal que o assustou. Bianca olhou aquele estranho que com tanta violência a jogara no chão e sentiu uma dor invadindo-lhe o estômago que passou por todas as veias de seu corpo e saiu por seus olhos.
- Por favor Sir não me faça mal - foi tudo que pode dizer enquanto uma lágrima rolava pelo seu rosto.
Jeffrey assustou-se consigo por ainda estar apertando os pequenos pulsos da moça e a primeira reaçâo que teve ao ouvi-la foi soltá-los com a mesma rapidez com que os havia preso.
- Me desculpe...- ele se levantou e estendeu a mão para ajuda-la a se levantar mas foi repelido violentamente- Eu sinto muito...sinto muito...mas, o que faz aqui?
- Já vou embora...- Bianca se levantou fitando-o mais uma vez e começou a ir embora.
Jeffrey correu até ela e parou a sua frente impedindo-a de prosseguir.
- Espere só me diga porque esta aqui.
- Por nada...com licença
Ela desviou dele mas, ele a tomou pelo braço.
- É uma das moças da casa de Dona Sofia?
- Deus me livre!! - disse ela horrorizada com o que ouvira
- Quem és? Nunca a vi...
- Não posso falar com estranhos sr...
- Não podes falar com estranhos mas pode sair sozinha a essas horas da noite?
-É diferente...me solte...por favor, preciso ir...
- Não ate me dizer que é e o que faz aqui.
Bianca não via outra saída, seu coração disparado pedia para que se calasse mas o medo e a promessa de liberdade a fez falar.
- Só queria ver a festa...papai me matará se souber...agora por favor, deixa-me ir...
- Saiu às escondidas?
- Não lhe devo explicações!! não o conheço...me solte...- ela tentava se libertar dos fortes dedos que envolviam seu braço usando a outra mão - Tenho que ir...
- Qual seu nome?
-Me solte...
- Só me diga seu nome.
- Havia me dito que me soltaria se dissesse o que faço aqui, já o fiz, deixa-me ir...
- Não mais a perturbarei, só me diga seu nome.
- Maria.
- Não tem um sobrenome?
- Não, é somente Maria
-Esta bem "Somente Maria" pode ir, mas, não volte mais aqui.
Assim que Bianca se viu livre das mãos do estranho correu como nunca para casa.
Jeffrey ainda ficou a observar os cabelos esvoaçantes sumindo na noite, depois de relance olhou para o chão
iria fazer a volta, quando notou que havia algo que brilhava na grama, abaixou-se e pegou o pequeno objeto.
Colocou-o a luz da lua para poder observar melhor, havia algo escrito mas, não pode identificar o que era, colocou o objeto no bolso e retornou a festa.
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Voltando a sua casa, Bianca entrou tremendo e se trancou em seu quarto, tirou o sobretudo e pendurou-o. Sentou-se na cama e respirou fundo, tentou pensar em outra coisa, mas, por mais que tentasse não conseguia pensar em nada, foi ate o espelho e viu sua imagem refletida , seu rosto estava ruborizado, seus cabelos em desalinho, passou uma das mãos sobre ele e por um segundo viu o reflexo do estranho no espelho olhando para ela com seus misteriosos olhos verdes. Assustou-se mas, logo sua imagem retornou
apoiou-se numa pequena cômoda. E se ele a viesse procurar e a prendesse porque invadira a casa dos Hausman? Não, ele pensava que seu nome era Maria, nunca a havia visto, como poderia encontrá-la?
Ela sorriu. seria impossível. Colocou uma camisola e se deitou. Virou-se de lado ainda sorrindo aliviada quando fitou seu pulso e percebeu que ele a encontraria.
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3 comentários:
Hehe lembra qnd eu era a única fã shuahuhs
Eu gostei muito. *-*
Obrigada Allê....
É Nah...eu lembro...vc é a n1 rsrsrs
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