quarta-feira, 6 de julho de 2011 | By: Thais Cabeza

XVI

A tarde veio calma e serena, o céu estava nublado e o frio começava a tomar conta de San Pietro.
Juan bebia, estava sentado numa mesa nos fundos da cantina. Pensava em tudo que o tio havia dito. Lembrava-se de sua infância e de Odessa, quando menina. Não se lembrava exatamente quando esse ódio todo por ela começara, muito menos porque a culpava. Só sabia que sempre que olhava pra ela, via o pai, e isso o incomodava muito. Odessa não tinha culpa. Algo dentro dele sabia disso. Então porque não esquecer? Perderia tudo se continuasse assim. Talvez o tio estivesse certo. Verônica não abandonaria sua vida rica e feliz, cheia de glamour, para ficar com ele, em contrapartida, sua família o respeitava e dava valor a cada conquista, pequena ou grande, dava valor a cada palavra. Talvez a obsessão por Verônica o tenha cegado. Talvez por querer tanto estar com ela, tenha se transformado no que ela iria querer, numa pessoa do qual ela se orgulharia. Este não era ele.
O pequeno Paolo sentou-se ao lado de Juan.
- Capitão...posso sentar? – disse o rapaz já na intenção de se levantar.
- Claro que sim amigo. Como está?
- Estou bem Sr, mas, e o Sr? Melhorou?
- Sim, já estou bem.
- Nossa! O Sr ficou ruim mesmo capitão. Ficamos preocupados.
- Agradeço a preocupação Paolo, agradeço mesmo.
- Ora – disse o rapaz num sorriso – O Sr não precisa agradecer nada, se gostamos do Sr é porque o Sr é bom pra nós. Sempre foi capitão.
Juan olhou o rapazinho se levantar e voltar ao seu trabalho. Pegou seu casaco e saiu.


Jeffrey no jardim pensava no que o mensageiro acabara de lhe dizer. Pensava no que iria dizer a Bianca no momento em que a visse. Não sabia se havia feito aquilo porque realmente sentia algo por ela ou se era apenas um capricho por ser tão difícil.
Mal percebeu quando Jane entrou no jardim e avistando-o dirigiu-se para perto dele.
- Oi Jeff. Bom dia – disse ela em sua voz melodiosa.
Jeffrey se levantou sorrindo e abraçou-a.
- Bom dia Jane, como está?
- Ótima, mas e você, como está? Não me parece bem.
- Havia me esquecido como sou transparente para você. Porém, para sua infelicidade tudo que tenho é apenas uma pequena fadiga.
- Ora, claro que sim. Porque não confia em mim?
- Porque diz isso?
- Porque te conheço Jeff.
- Mais tarde então... venha, vamos caminhar um pouco.
- Está bem – dizendo isso Jane tomou o braço dele e passaram a caminhar – Então me conte, é verdade que meu querido irmãozinho, o rapaz mais cobiçado de toda cidade está apaixonado e vai pedir a mão de uma certa milady.
- As notícias correm – sorriu ele – Mas, não irei mentir para você Jane, não estou apaixonado, nada sinto por ela na verdade, nem ao menos queria me casar.
- Faz isso por papai e mamãe?
- Pode se dizer que sim.
- Ela é bonita?
- Oh sim, linda, muito linda, mas... quero dizer...
- Mas, não tão bonita quanto à moça que realmente quer?
- Mulheres como você só trazem problemas querida irmã...
- Isso quer dizer que estou certa?
- Eu não sei...
- Oh Jeff, só espero que não esteja cometendo um erro se casando.
- Confie em mim, farei o que é certo.
- Sabe o que é certo?
- Ora claro que sei.
- O certo é pensar em você. – Jane acariciou o rosto do irmão.
Jeffrey beijou-lhe a fronte e voltaram a caminhar.


Juan bateu na porta, mas, não houve resposta. Chamou pelo tio. Bateu novamente. Insistiu, até que finalmente, após longos minutos, a mesma foi aberta.
- Odessa...
- Não fale. Não quero ouvir. Sente-se onde quiser. —disse ela sem olhá-lo
- Me ouça, vim falar com você.
- Não tenho obrigação de ficar ouvindo suas insolências. Estou muito cansada.
- Odessa... nós...
- Nós? – disse ela interrompendo-o – Não existe nós Juan, há muito tempo, eu fui tola por não ver isso. Acabei com sua reputação não é? Sou culpada por tudo de ruim que lhe acontece não é assim? Agora me deixe...já decorei suas injúrias.
Ela já saia quando ele segurou-lhe o braço.
- Olhe pra mim Odessa! – gritou ele – O que vê?
- Não sei. Um estranho.
- Não quero mais isso. Não quero mais ser um estranho. Não quero mais viver assim, correndo da sua imagem. Você não é o que ele era... nem ela...
- Não faça isso Juan... não fale essas coisas pra mim, estou cansada, muito cansada...
- A culpa é minha Odessa, fui eu que acabei com a minha reputação, fui eu... eu sou culpado. A minha ignorância...
Odessa olhava para Juan sem entender o que acontecia com ele.
- Não quero mais me machucar por sua causa Juan.
- Não quero mais machucar você... não quero mais...- uma lágrima rolou dos olhos de Juan – Sinto sua falta...
Odessa não pode se conter mais, o momento pelo qual mais esperara em toda sua vida se apresentada real naquele momento. Abraçou Juan. Abraçou com muita força, pois, tinha medo que fosse sonho e não queria ter que acordar.