O dia amanheceu claro e bonito em San Pietro. O sol não ardia e a brisa era suave. Os pássaros cantarolavam nas árvores e em algumas janelas. Foi assim que Juan acordou. Quando abriu os olhos, percebeu logo que não havia mais o pano úmido em sua testa e que poucos lençóis o cobriam. Olhou para o lado e sua cabeça não latejou mais. Procurou Odessa com os olhos mas, não a encontrou. Levantou-se vagarosamente e percebeu também que o corpo não mais doía, saiu da cama e colocou a roupa que estava sobre uma cadeira. Foi para a janela e olhou para a rua, pensou em Verônica, a queria perto, sentia saudades mas, não como esperava. Seus pensamentos foram interrompidos por uma batida na porta.
- Entre! – disse ele.
Seu tio adentrou o aposento.
- Bom dia tio.
- Bom dia filho, vejo que está melhor.
- Bem melhor, obrigado.
- Não me agradeça. Graças a Odessa é que está bem. Ela não o deixou por um minuto, não dormiu só para cuidar de você.
- Só me falta pedir que vá agradecê-la...
- E deveria...- disse o tio tristemente – O que o transformou Juan? Quem é você? Não mais o reconheço...Não foi isso que criei – ele media Juan de cima a baixo – Se fosse você, pegaria suas coisas, o seu grande Odessa e voltaria para lady Verônica, já que é a única que te importa. Só quero que se lembre que essa é a sua família, esses são os que te amam, esses a quem você despreza são os que jamais te trocariam por riqueza alguma. Não conheço sua lady, mas, vejo que não deve ser boa pessoa, transformou você nisso...
Dizendo isso saiu do aposento.
Juan sentou-se na cama confuso.
** ** **
Na noite anterior Jeffrey havia se deitado muito cedo e o mensageiro não pode retornar o bilhete remetido a Bianca, mas, pôs-se de pé o mais cedo que pode e vendo o mensageiro sentado na cozinha chamou-o. Dirigiram-se ao jardim:
- O que disse ela?
- Bem...disse que não quer vê-lo Sir, pediu para dizer que a esqueça e não mais a procure.
- Disse antes ou depois de ler o bilhete?
- Antes e depois Sir.
- Talvez devesse dizer a ela quem sou...temia que me quisesse por minha posição...porém...
- Sir...se me permite.
- Diga.
- Eu lhe disse que o bilhete era de Sir Jeffrey Hausman, antes de entregar-lhe, me desculpe Sir, não me pediu para que não dissesse.
- E mesmo assim ela disse para não procurá-la?
- Sim Sir.
Jeffrey colocou as mãos nos bolsos e começou a andar de um lado para outro.
- Imaginava que ela não fosse comum...talvez ela esteja certa...pode ser um capricho meu, nenhuma mulher jamais disse não a mim. Talvez fosse melhor desistir...- Jeffey em tão preso em seus pensamentos nem se dava conta que o mensageiro o observava desconsertado – Não é isso, não pode ser desejo...ora porque me falta o ar assim?
O mensageiro sorriu para si. Olhou para Jeffrey temeroso e interrompeu-o
- Sir...se me permite...
- Sim?
- Tente novamente Sr, digo, se não for por capricho. Havia lágrimas nos olhos da Srta...
- Está certo disso?
- Creio que sim...
Jeffrey parou por um instante e depois puxando o mensageiro pelo braço levou-o a uma saleta.
- Vá até ela, neste momento, entregue a ela este bilhete e traga-me a resposta.
- Sim Sr.
Dizendo isso o mensageiro saiu deixando Jeffrey sozinho a pensar.
** ** **
Bianca estava no jardim arrumando algumas flores. Pensava no bilhete que Jefrrey havia lhe enviado. O mensageiro havia dito “Sir Hausman”, como podia ter sido tão tola? Como não ligara o nome a pessoa? Estava tudo tão evidente. E pensar que tivera esperança. O bilhete continha palavras tão doces que por um segundo Bianca pensou que iria fraquejar, porém, diante da revelação do mensageiro, era impossível pensar em qualquer possibilidade de aceitar Jeffrey, de permitir que ele arrasasse com sua vida.
Bianca olhou ao longe e não pode acreditar quando viu a figura do mensageiro se aproximando.
- Que deseja?
- Vim entregar-lhe um bilhete, preciso, novamente, levar a resposta a meu SR.
- Novamente? Mas,...
- Sim Srta – disse o mensageiro entregando-lhe o novo bilhete.
Ela o leu e dobrou-o novamente, olhou para o mensageiro e seus olhos se tornaram frios.
- Diga a seu Sr que estarei lá.
- Sim Srta, com licença.
O mensageiro se foi e Bianca respirando fundo permitiu que transparecesse o que realmente sentia, medo e tristeza.
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