Na festa, Jeffrey conversava animadamente com Verônica.
Verônica olhou pela janela, por sobre os ombros de Jeffrey, fixou os olhos num certo ponto do jardim onde pode observar uma sombra que o invadia,seu coração disparou, sabia quem era.
-Sta Verônica, eu não sei como suporta essas festas...
- Como diz meu caro, eu as suporto, pois gosto delas tanto quanto o sr., mas, se torna necessária nossa presença nelas.
- Sim, por certo, as vezes eu gosto na verdade, algumas são realmente interessantes.
-Não a de hoje...- sorriu ela
- Não, não a de hoje -Jeffrey também sorriu - Meu aniversário e posso afirmar-lhe que não conheço um terço das pessoas que aqui estão.
- Ora Sir Jeffrey diz como se nunca houvesse visto isso, todas as festas são assim, recentes vizinhos, recentes amigos, amigos recém nomeados a alguma coisa...
-Corrija-me se eu estiver errado, a seu julgamento é somente um jogo de interesses disfarçado numa bela festa de aniversário.
-Não me julgue maldosa, eu só digo o que vejo.
-Veronica...há tempos não nos falamos assim não é?
- É Jeffrey. Lembro-me da ultima vez em que conseguimos um pouco de privacidade.
-E quando foi?
-Não se lembra então? Quando tinhamos 10 anos e nossos pais nos deixaram por dez minutos sozinhos na sala.- ela riu
-Oh sim, me lembro, dez minutos de silencio profundo - riu ele também.
- Jeffrey, se me dá licença... - disse ela numa reverência
-Por certo...
Verônica saiu disfarçadamente da sala e dirigiu-se ao jardim, onde sabia que alguem a esperava.
-Verônica....-chamou uma voz masculina no escuro
-Oh Juán, como senti sua falta -disse ela abraçando o rapaz
-Eu também, não suportava mais esperar. Vi-te ao lado de Sir Hausman conversando...está havendo algo entre vocês dois?
-Não, claro que não...meus pais querem que nos casemos, já lhe disse...
-Fiquei com tanta raiva ao vê-la com ele.
-Não se preocupe...ele nunca terá o meu amor, será sempre seu...
-Eu te quero tanto, porque não fugimos daqui para longe?Poderíamos ser felizes...
-Não posso Juán, sabe disso, não sei se estou pronta para separar-me de minha família...não me fale mais disso...
-Está bem, perdoa-me- disse ele ressentido
-Oh não me olhe assim, tenha um pouco mais de paciência está bem?
Ele a abraçou e olhou-a nos olhos, envolveu seus lábios nos dela num beijo quente e apaixonado que foi correspondido com o mesmo ardor.
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A festa havia chegado ao fim. Jeffrey estava deitado em sua imensa cama, com os braços cruzados em baixo da nuca. Não conseguia parar de pensar nos olhos cinzas da misteriosa Maria. Lembrou-se, então, da pequena pulseira que havia encontrado, levantou-se e vasculhou o bolso de seu paletó, onde encontrou o que procurava. Sentou-se. Observou que havia um pequeno crucifixo preso à pulseira, e nele uma pequena inscrição "BL".O que significaria aquilo? Era normal moças terem pulseiras com as iniciais gravadas nelas. Mas não havia ali a letra "M". Teria a bela Maria ganho aquele pequeno objeto de uma paixão? Ou roubado de alguém com essas iniciais? Jeffrey pensou mais um pouco e um leve sorriso brotou-lhe nos lábios. Teria a esperta Maria dado a Jeffrey um nome falso? Ele riu. Este seria um jogo divertido.
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Amanhecera e Bianca logo pela manha fôra à venda para comprar frutas. Encontrou-se com Victor, conhecido de infância.
-Bom dia Bianca.
-Bom dia Victor.
Victor se aproximou mais de Bianca e sussurrou.
-Soube da festa que se deu ontem na casa dos Hausman?
-Sim, soube. Não vai acreditar...eu estive lá -disse ela abrindo um grande sorriso.
-Como Bianca? Onde encontrou uma roupa para ir? Não perceberam que não era convidada?
-Ora Victor, não entrei na festa...eu estive no jardim dos Hausman...me escondi atrás de uma arvore...ai eu vi tudo, a festa, as luzes ...haviam tantas pessoas bonitas...
-Bianca não deveria sair assim, imagine se lhe acontece algo de ruim, e seus pais?
-Ah sim, esta certo Victor...
-Como? Estou certo? ...Quem é você? Onde está a Bianca que conheço?
-Ora não seja tolo, fiquei mesmo com medo e voltei logo para casa.
-Não posso crer no que ouço.Está me dando razão?
-Deixe-me ir para casa,mais tarde nos falamos, não posso me demorar.
-Está bem, mais tarde nos falamos.
Bianca já se dirigia para casa, pensava na pulseira que perdera no jardim dos Hausman, algo lhe dizia que aquilo não era bom. Estava tão distraída que não percebeu que um jovem rapaz também distraído vinha rapidamente na mesma direção. Acabaram por esbarrarem-se violentamente um no outro, fazendo com que as frutas da cesta de Bianca se espalhassem pelo chão. Bianca, vermelha de raiva, abaixou-se para pegar as frutas e nem quis saber quem era a infeliz criatura com quem trombara. Até que uma voz a fez estremecer.
-Se continuar assim tão pensativa, acabara por não deixar mais ninguém passar em seu caminho cara Maria.
Ela olhou assustada para o rapaz a sua frente e percebeu ser o mesmo que encontrara na noite anterior no jardim dos Hausman.
-Eu não sou sua cara Maria...
-Por certo que não mas, o que não é pode vir a ser.
-Pelo visto não lhe deram a devida educação - disse desviando o olhar e tentando colocar o mais rápido que podia as frutas dentro da cesta - Queira ir embora e me deixar em paz.
-Já não posso apartar-me de ti - disse ele tentando ajudá-la a recolher as frutas, mas ela as tomou violentamente das mãos dele e lançou-lhe um olhar furioso
- Está bem, pode me dizer o motivo de tanta ira? Não previ que esbarraria na srta.
-Em primeiro lugar porque não tem educação, em segundo lugar não tem nada de cavalheiro a não ser as vestimentas e por último és um ser humano insuportável.
-Vou-me embora se a incomodo tanto.-Jeffrey colocara uma das mãos no bolso -Tome, srta Maria, deixou cair ontem ao invadir um jardim alheio às tantas da noite.
Bianca viu a pulseira e seus olhos se iluminaram. O rapaz não era de todo mal. Era lindo. E isso incomodava Bianca. Tinha um gênio ruim e era teimoso assim como ela. Olhou para ele e se arrependeu de tê-lo tratado tão mal, afinal de contas ele não havia contado a ninguém,pelo menos ate onde sabia. Não havia lhe feito mal algum, e ainda por cima lhe trouxera de volta a pulseira perdida.
-Não contou aos Hausman que estive la?
-Não.
-Obrigada - disse ela estendendo a mão para pegar a pulseira.
-Deixe-me aproveitar só por um minuto este raro momento de sua bondade-disse ele encolhendo a mão que estava com a pulseira- ...aham...o que significam essas inicias?
-Ora seja, só porque lhe agradeci não quer dizer que sou sua amiga.
-Acredito que talvez eu mereça algo em troca do meu silêncio.
-Ora! Isso é um abuso! Não tem o direito!
-Também não tinha o direito de entrar no jardim dos Hausman.
-Ai, esta bem. São minhas iniciais...Bianca Luchesi. Satisfeito agora? Com licença.
-Não ganhou de nenhum grande amor?
Ela riu e ele se encantou com o sorriso dela.
-Foi o que pensou? bem não se enganou muito, meus pais me deram, e pelo que sei pais são amores eternos.
Jeffrey sorriu e estendeu a mão novamente com a pulseira. No momento em que Bianca estendeu a mão para pegar a pulseira Jeffrey a tomou nos braços e a beijou.Os longos cabelos negros de Bianca esvoaçantes deram de encontro ao rosto dele que a beijava com carinho. Bianca por sua vez lutava contra ele e tentava libertar-se de qualquer maneira dos braços fortes do estranho, até que ele a soltou.
-Seu...seu...-e sem pensar deu-lhe um forte tapa no rosto.
-Agora a irritei de verdade...
-Abusado!Mal criado!Canalha!
-Que palavreado mocinha...
-Suma da minha vida!!!
Bianca sem pensar jogou o cesto de frutas em Jeffrey e saiu correndo.
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Bianca entrou em casa afobada. A mãe, que estava na cozinha assustou-se com a brutalidade com que a filha bateu a porta.
- Bianca. O que houve? Deus meu, quase derruba a casa com essa tempestade de nervos.
- Eu odeio ele mamãe!! Odeio!!
-Quem? O que houve? - a mãe já acostumada com o gênio forte da filha, não se mostrou muito preocupada.
- Um Ninguém! Um imbecil!Cretino!
- Pare de xingar Bianca...e me diga logo o que houve...
Neste mesmo instante, ouviram bater à porta. A mãe de Bianca deixou a filha só e foi atender.
Abriu a porta e pode observar um rapaz bem vestido, porém todo desalinhado com a cesta de frutas de Bianca nas mãos.
- Bom dia Sra., queira me desculpar mas, ...
- Bianca jogou a cesta em você. - disse ela completando a frase dele ao mesmo tempo que pegava a cesta.
- Não foi bem assim...é que...
- Ah sim, foi bem assim...entre rapaz, minha casa é simples mas, é bem limpinha. Pelas suas roupas você não deve ser da vila não é?
- Não sra. Com licença. - disse ele adentrando o aposento - Só queria mesmo devolver-lhe a cesta.
Bianca, de seu quarto, pode ouvir a voz do rapaz e como era de se esperar, se encheu de razão e foi ao encontro dele.
- O que faz aqui? Disse que suma! Me seguiu até aqui?
- Bianca.... - disse a mãe tentando amenizar a situação.
- Eu só vim devolver-lhe a cesta srta Luchesi, me perdoe se a importuno.
- Importuna sim. - disse ela sem saber o que responder.
- Bom, peço desculpas novamente...se me dão licença...
- De forma alguma- disse a mãe de Bianca - Não vou permitir que volte para casa nesse estado, olhe só como está sujo!! Esta sua camisa deve ser caríssima...filha, pegue outra camisa para o rapaz.
- Mãe! Vai defendê-lo?
- Ah meu amor, te conheço tão bem....
- Me recuso.
- Sra não há necessidade de outra camisa. Lhe agradeço, mas, sua filha está certa, tenho mesmo que ir...
Bianca olhava incrédula para Jeffrey. Ela estava certa então.
- Sente-se ai rapaz, aqui em minha casa quem manda sou eu, e se digo que vais com outra camisa é porque irá. Eu mesmo pego - e dizendo isso saiu do aposento voltando segundos depois - Aqui está, pode colocar.
- E seja breve. - disse Bianca impaciente
- Eu não pretendo tirar a camisa na sua frente srta. teria algum lugar onde eu pudesse trocá-la?
Bianca tinha as faces ardendo, o rubor subiu mais rápido do que poderia prever.
- No final do corredor. - disse a mãe percebendo o rubor da filha.
Bianca seguiu-o sem saber porque. E apontou à contragosto o aposento. No quarto em frente ao aposento havia um grande espelho, e mesmo estando de costas para onde Jeffrey se encontrava, Bianca
pode vê-lo. Nunca havia visto um corpo masculino tão perfeito, o rubor subiu novamente mas, não deixou de reparar cada traço do peito ou dos braços dele. Jeffrey tirou a camisa e colocou a outra que ficou um tanto grande, já que pertencia ao pai de Bianca que era maior que ele, logo, colocou o paletó que disfarçou o tamanho da camisa. Jeffrrey, virou-se e observou Bianca que continuava de costas, viu seus longos cabelos negros, a pequena cintura e a imensa saia vermelha que lhe dava um ar puramente sensual, ela
por sua vez se viu sendo observada, sentiu que as pernas amoleciam, ficou com medo de si mesma, o coração pulsava tão forte que temeu que Jeffrey pudesse ouví-lo.
- Já estou pronto srta Luchesi.
Bianca continuou parada, estava petrificada, não podia falar, queria gritar e sair correndo.Porque ninguém vinha a seu socorro? Porque ninguém o impedia de se aproximar? Porque ninguém o impedia de tocar levemente seu braço fazendo-a fitá-lo nos olhos? Porque ela não gritava com ele impedindo-o de abraçá-la como ele fazia? Porque deixava-se envolver nos lábios dele, tão docemente? Porque o abraçava? Aquilo era errado, mas, precisava sentir aquilo. Ele a beijava mais intensamente e ela correspondia sem entender
como e nem porque. Esbarrou algum objeto que foi ao chão.
- Bianca! - gritou a mãe vindo em direção ao aposento.
Ela se livrou de Jeffrey rubra, balançou a cabeça como se não entendesse o que havia acontecido, depois olhou para o corredor e viu que sua mãe se aproximava.
Pages
I
A noite estava escura e apesar da lua e das estrelas, o mar estava um tanto sombrio. Os pastos e os campos estavam escuros, o mar violento e a brisa forte,era como se a natureza avisasse que algo estava por acontecer.Na casa dos Hausman, importante família da Inglaterra, havia luzes e risos. Jeffrey Hausman, numa das janelas observava o jardim. Hoje estava sendo comemorado seu vigésimo aniversário,no entanto, apesar disso, não se sentia feliz. A casa dos Hausman era uma das maiores da cidade, eram proprietários do maior e mais exuberante jardim, e eram aclamados por isso. No interior, haviam móveis de mogno, imensas escadarias cobertas com tapeçarias de veludo, o estilo grego predominava em alguns cômodos com pilastras jônicas e divãs. As famílias mais ricas e honradas da cidade inundavam a casa de brilho e sorrisos, de musica e luzes.Num dos cantos da sala de estar alguém se aproximou de Jeffrey.
- Sir Hausman, meus parabéns! - disse um rapaz estendendo a mão para cumprimentá-lo
- Obrigado Steven, como tem passado?
- Vou bem meu caro, só que percebo que você não está bem.
- Sim, de fato, confesso que não estou muito bem mas, não há de ser nada.
- Assim espero - disse Steven olhando pela janela - Que noite horrível. Olhe só o mar, não te assusta?
-As vezes sim...
- E em se tratando de alta maré Jeffrey, soube que pretende se casar com Lady Stollemberguer, é verdade?
- Na verdade, já pensei sobre isso, mas, não é nada certo.
- Soube que ela tem um grande dote.
- Sei disso,seus pais me fazem lembrar vezes ao dia. Acha que seria uma boa esposa?
-Talvez sim, mas, eu seria cauteloso, a beleza dela pode ser traiçoeira.
-Somos amigos de infância, conheço bem Lady Stollemberguer.
-Tem certeza? Conheço muitas outras amigas que teve.
- Não digo esse tipo de amiga- Jeffrey sorriu- E não me casaria com uma daquelas.
-É claro que não, afinal, tem que manter o nome dos Hausman. Se me pertencesse o seu sobrenome certamente não o daria a qualquer uma.
- Recebi bem as lições de meus pais.
- Nem me diga...mas veja, ou meus olhos me enganam ou vejo a mulher mais sedutora de toda cidade- disse Steven olhando para Veronica Stollembreguer.
- Com certeza terei que falar com ela...e não gostaria de ter esse prazer agora.
- Não seja por falta de adeus caro amigo.
- Obrigado caro Steven, vou dar uma volta pelo jardim.
- Vá logo antes que ela se aproxime.
E assim Jeffrey saiu para o jardim disfarçadamente.
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Na vila moravam as pessoas mais humildes da cidade e era o local onde se centralizava mais o comércio, eram peixarias, mercados e ate algumas lojas de objetos e roupas, numa casa um pouco afastada desta vila morava uma família humilde, os Luchesi, uma família que a pouco tempo havia se mudado para a cidade. Tinham uma filha, seu nome era Bianca. Apesar de simples e recatada, tinha personalidade forte e opinião formada. Era de uma beleza sedutora e angelical. Um misto de pureza e mistério.Alimentava sonhos e fantasias de muitos, mas ela não se dava conta disso. Nesta noite, Bianca soube da grande festa que se daria na casa dos Hausman, sonhava em um dia poder vestir-se como as moças da alta sociedade com linho fino e seda e participar das festas maravilhosas que se realizavam constantemente na cidade, sabia que as melhores festas sempre fora a dos Hausman, não pode ficar em casa, sentia como se algo a impulsionasse para fora, como se fosse algo que não pudesse deixar de ver. Após seus pais adormecerem, colocou um casaco comprido com um capuz e saindo as escondidas dirigiu-se a casa dos Hausman.
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Não entrou na casa, também, não poderia, mas ficou atrás de uma árvore olhando para a casa. Havia uma sala no grande castelo dos Hausman em que as janelas eram de cima a baixo imensas, de vidro, com pouquíssimos detalhes em pedra, era como se as paredes fossem de vidro. Normalmente o cortinado branco não permitia que se visse o que ocorria dentro da sala mas, nesta noite as cortinas estavam abertas deixando o brilho das luzes delatar toda a beleza que envolvia o aposento. Bianca,estava com os olhos cinzas apaixonados e brilhantes escondida atrás da árvore e envolta no capuz via tudo com grande curiosidade, mulheres com glamourosos vestidos e jóias, seus leques em movimento magico, rapazes com roupas finas, todos pareciam encantadores, tudo estava perfeito. Bianca desviou os olhos somente por um segundo quando viu que um rapaz descia uma pequena escadaria para o lado oposto ao dela no jardim mas, logo retornou com os olhos cheios de admiração para a beleza que envolvia o salão.
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Jeffrey andava pelo jardim com as mãos no bolso, respirando o maravilhoso aroma que vinha do mar. Andou sem destino, ate que percebeu que havia alguém apoiado numa árvore envolto num sobretudo que observava a festa. Tentou analisar o espião, mas no escuro não poderia distinguir corretamente quem poderia ser. Pensou em chamar os guardas mas, caso fosse alguém com intenções malignas e o pegasse sozinho, poderia se tornar um herói, e ate gabar-se um pouco mais as damas da festa. A ideia o fez sorrir. Tentou observar por alguns segundos antes de se aproximar. Estava escuro demais, e a sombra de quem quer que fosse se unia como uma só à sombra da árvore. Era baixo. Havia de ser um homem, já que moça alguma sairia tal hora da noite, ainda mais para bisbilhotar o jardim dos Hausman. Aproximou-se por fim, pulando violentamente sob o pescoço do estranho. Jogou-o no chão e ficou por sobre ele e quando olhou para o que já iria esbofetear ficou sem ação. O capuz espalhara-se pelo chão, assim como os longos cabelos negros de Bianca. Seus olhos cinzas aterrorizados, fitaram os de Jeffrey com um desespero tal que o assustou. Bianca olhou aquele estranho que com tanta violência a jogara no chão e sentiu uma dor invadindo-lhe o estômago que passou por todas as veias de seu corpo e saiu por seus olhos.
- Por favor Sir não me faça mal - foi tudo que pode dizer enquanto uma lágrima rolava pelo seu rosto.
Jeffrey assustou-se consigo por ainda estar apertando os pequenos pulsos da moça e a primeira reaçâo que teve ao ouvi-la foi soltá-los com a mesma rapidez com que os havia preso.
- Me desculpe...- ele se levantou e estendeu a mão para ajuda-la a se levantar mas foi repelido violentamente- Eu sinto muito...sinto muito...mas, o que faz aqui?
- Já vou embora...- Bianca se levantou fitando-o mais uma vez e começou a ir embora.
Jeffrey correu até ela e parou a sua frente impedindo-a de prosseguir.
- Espere só me diga porque esta aqui.
- Por nada...com licença
Ela desviou dele mas, ele a tomou pelo braço.
- É uma das moças da casa de Dona Sofia?
- Deus me livre!! - disse ela horrorizada com o que ouvira
- Quem és? Nunca a vi...
- Não posso falar com estranhos sr...
- Não podes falar com estranhos mas pode sair sozinha a essas horas da noite?
-É diferente...me solte...por favor, preciso ir...
- Não ate me dizer que é e o que faz aqui.
Bianca não via outra saída, seu coração disparado pedia para que se calasse mas o medo e a promessa de liberdade a fez falar.
- Só queria ver a festa...papai me matará se souber...agora por favor, deixa-me ir...
- Saiu às escondidas?
- Não lhe devo explicações!! não o conheço...me solte...- ela tentava se libertar dos fortes dedos que envolviam seu braço usando a outra mão - Tenho que ir...
- Qual seu nome?
-Me solte...
- Só me diga seu nome.
- Havia me dito que me soltaria se dissesse o que faço aqui, já o fiz, deixa-me ir...
- Não mais a perturbarei, só me diga seu nome.
- Maria.
- Não tem um sobrenome?
- Não, é somente Maria
-Esta bem "Somente Maria" pode ir, mas, não volte mais aqui.
Assim que Bianca se viu livre das mãos do estranho correu como nunca para casa.
Jeffrey ainda ficou a observar os cabelos esvoaçantes sumindo na noite, depois de relance olhou para o chão
iria fazer a volta, quando notou que havia algo que brilhava na grama, abaixou-se e pegou o pequeno objeto.
Colocou-o a luz da lua para poder observar melhor, havia algo escrito mas, não pode identificar o que era, colocou o objeto no bolso e retornou a festa.
....................................................................................................
Voltando a sua casa, Bianca entrou tremendo e se trancou em seu quarto, tirou o sobretudo e pendurou-o. Sentou-se na cama e respirou fundo, tentou pensar em outra coisa, mas, por mais que tentasse não conseguia pensar em nada, foi ate o espelho e viu sua imagem refletida , seu rosto estava ruborizado, seus cabelos em desalinho, passou uma das mãos sobre ele e por um segundo viu o reflexo do estranho no espelho olhando para ela com seus misteriosos olhos verdes. Assustou-se mas, logo sua imagem retornou
apoiou-se numa pequena cômoda. E se ele a viesse procurar e a prendesse porque invadira a casa dos Hausman? Não, ele pensava que seu nome era Maria, nunca a havia visto, como poderia encontrá-la?
Ela sorriu. seria impossível. Colocou uma camisola e se deitou. Virou-se de lado ainda sorrindo aliviada quando fitou seu pulso e percebeu que ele a encontraria.
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- Sir Hausman, meus parabéns! - disse um rapaz estendendo a mão para cumprimentá-lo
- Obrigado Steven, como tem passado?
- Vou bem meu caro, só que percebo que você não está bem.
- Sim, de fato, confesso que não estou muito bem mas, não há de ser nada.
- Assim espero - disse Steven olhando pela janela - Que noite horrível. Olhe só o mar, não te assusta?
-As vezes sim...
- E em se tratando de alta maré Jeffrey, soube que pretende se casar com Lady Stollemberguer, é verdade?
- Na verdade, já pensei sobre isso, mas, não é nada certo.
- Soube que ela tem um grande dote.
- Sei disso,seus pais me fazem lembrar vezes ao dia. Acha que seria uma boa esposa?
-Talvez sim, mas, eu seria cauteloso, a beleza dela pode ser traiçoeira.
-Somos amigos de infância, conheço bem Lady Stollemberguer.
-Tem certeza? Conheço muitas outras amigas que teve.
- Não digo esse tipo de amiga- Jeffrey sorriu- E não me casaria com uma daquelas.
-É claro que não, afinal, tem que manter o nome dos Hausman. Se me pertencesse o seu sobrenome certamente não o daria a qualquer uma.
- Recebi bem as lições de meus pais.
- Nem me diga...mas veja, ou meus olhos me enganam ou vejo a mulher mais sedutora de toda cidade- disse Steven olhando para Veronica Stollembreguer.
- Com certeza terei que falar com ela...e não gostaria de ter esse prazer agora.
- Não seja por falta de adeus caro amigo.
- Obrigado caro Steven, vou dar uma volta pelo jardim.
- Vá logo antes que ela se aproxime.
E assim Jeffrey saiu para o jardim disfarçadamente.
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Na vila moravam as pessoas mais humildes da cidade e era o local onde se centralizava mais o comércio, eram peixarias, mercados e ate algumas lojas de objetos e roupas, numa casa um pouco afastada desta vila morava uma família humilde, os Luchesi, uma família que a pouco tempo havia se mudado para a cidade. Tinham uma filha, seu nome era Bianca. Apesar de simples e recatada, tinha personalidade forte e opinião formada. Era de uma beleza sedutora e angelical. Um misto de pureza e mistério.Alimentava sonhos e fantasias de muitos, mas ela não se dava conta disso. Nesta noite, Bianca soube da grande festa que se daria na casa dos Hausman, sonhava em um dia poder vestir-se como as moças da alta sociedade com linho fino e seda e participar das festas maravilhosas que se realizavam constantemente na cidade, sabia que as melhores festas sempre fora a dos Hausman, não pode ficar em casa, sentia como se algo a impulsionasse para fora, como se fosse algo que não pudesse deixar de ver. Após seus pais adormecerem, colocou um casaco comprido com um capuz e saindo as escondidas dirigiu-se a casa dos Hausman.
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Não entrou na casa, também, não poderia, mas ficou atrás de uma árvore olhando para a casa. Havia uma sala no grande castelo dos Hausman em que as janelas eram de cima a baixo imensas, de vidro, com pouquíssimos detalhes em pedra, era como se as paredes fossem de vidro. Normalmente o cortinado branco não permitia que se visse o que ocorria dentro da sala mas, nesta noite as cortinas estavam abertas deixando o brilho das luzes delatar toda a beleza que envolvia o aposento. Bianca,estava com os olhos cinzas apaixonados e brilhantes escondida atrás da árvore e envolta no capuz via tudo com grande curiosidade, mulheres com glamourosos vestidos e jóias, seus leques em movimento magico, rapazes com roupas finas, todos pareciam encantadores, tudo estava perfeito. Bianca desviou os olhos somente por um segundo quando viu que um rapaz descia uma pequena escadaria para o lado oposto ao dela no jardim mas, logo retornou com os olhos cheios de admiração para a beleza que envolvia o salão.
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Jeffrey andava pelo jardim com as mãos no bolso, respirando o maravilhoso aroma que vinha do mar. Andou sem destino, ate que percebeu que havia alguém apoiado numa árvore envolto num sobretudo que observava a festa. Tentou analisar o espião, mas no escuro não poderia distinguir corretamente quem poderia ser. Pensou em chamar os guardas mas, caso fosse alguém com intenções malignas e o pegasse sozinho, poderia se tornar um herói, e ate gabar-se um pouco mais as damas da festa. A ideia o fez sorrir. Tentou observar por alguns segundos antes de se aproximar. Estava escuro demais, e a sombra de quem quer que fosse se unia como uma só à sombra da árvore. Era baixo. Havia de ser um homem, já que moça alguma sairia tal hora da noite, ainda mais para bisbilhotar o jardim dos Hausman. Aproximou-se por fim, pulando violentamente sob o pescoço do estranho. Jogou-o no chão e ficou por sobre ele e quando olhou para o que já iria esbofetear ficou sem ação. O capuz espalhara-se pelo chão, assim como os longos cabelos negros de Bianca. Seus olhos cinzas aterrorizados, fitaram os de Jeffrey com um desespero tal que o assustou. Bianca olhou aquele estranho que com tanta violência a jogara no chão e sentiu uma dor invadindo-lhe o estômago que passou por todas as veias de seu corpo e saiu por seus olhos.
- Por favor Sir não me faça mal - foi tudo que pode dizer enquanto uma lágrima rolava pelo seu rosto.
Jeffrey assustou-se consigo por ainda estar apertando os pequenos pulsos da moça e a primeira reaçâo que teve ao ouvi-la foi soltá-los com a mesma rapidez com que os havia preso.
- Me desculpe...- ele se levantou e estendeu a mão para ajuda-la a se levantar mas foi repelido violentamente- Eu sinto muito...sinto muito...mas, o que faz aqui?
- Já vou embora...- Bianca se levantou fitando-o mais uma vez e começou a ir embora.
Jeffrey correu até ela e parou a sua frente impedindo-a de prosseguir.
- Espere só me diga porque esta aqui.
- Por nada...com licença
Ela desviou dele mas, ele a tomou pelo braço.
- É uma das moças da casa de Dona Sofia?
- Deus me livre!! - disse ela horrorizada com o que ouvira
- Quem és? Nunca a vi...
- Não posso falar com estranhos sr...
- Não podes falar com estranhos mas pode sair sozinha a essas horas da noite?
-É diferente...me solte...por favor, preciso ir...
- Não ate me dizer que é e o que faz aqui.
Bianca não via outra saída, seu coração disparado pedia para que se calasse mas o medo e a promessa de liberdade a fez falar.
- Só queria ver a festa...papai me matará se souber...agora por favor, deixa-me ir...
- Saiu às escondidas?
- Não lhe devo explicações!! não o conheço...me solte...- ela tentava se libertar dos fortes dedos que envolviam seu braço usando a outra mão - Tenho que ir...
- Qual seu nome?
-Me solte...
- Só me diga seu nome.
- Havia me dito que me soltaria se dissesse o que faço aqui, já o fiz, deixa-me ir...
- Não mais a perturbarei, só me diga seu nome.
- Maria.
- Não tem um sobrenome?
- Não, é somente Maria
-Esta bem "Somente Maria" pode ir, mas, não volte mais aqui.
Assim que Bianca se viu livre das mãos do estranho correu como nunca para casa.
Jeffrey ainda ficou a observar os cabelos esvoaçantes sumindo na noite, depois de relance olhou para o chão
iria fazer a volta, quando notou que havia algo que brilhava na grama, abaixou-se e pegou o pequeno objeto.
Colocou-o a luz da lua para poder observar melhor, havia algo escrito mas, não pode identificar o que era, colocou o objeto no bolso e retornou a festa.
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Voltando a sua casa, Bianca entrou tremendo e se trancou em seu quarto, tirou o sobretudo e pendurou-o. Sentou-se na cama e respirou fundo, tentou pensar em outra coisa, mas, por mais que tentasse não conseguia pensar em nada, foi ate o espelho e viu sua imagem refletida , seu rosto estava ruborizado, seus cabelos em desalinho, passou uma das mãos sobre ele e por um segundo viu o reflexo do estranho no espelho olhando para ela com seus misteriosos olhos verdes. Assustou-se mas, logo sua imagem retornou
apoiou-se numa pequena cômoda. E se ele a viesse procurar e a prendesse porque invadira a casa dos Hausman? Não, ele pensava que seu nome era Maria, nunca a havia visto, como poderia encontrá-la?
Ela sorriu. seria impossível. Colocou uma camisola e se deitou. Virou-se de lado ainda sorrindo aliviada quando fitou seu pulso e percebeu que ele a encontraria.
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